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Correio Braziliense

Galerias da cidade recebem exposições que vão de foto a arte conceitual

Três exposições movimentam a cena das artes plásticas da cidade


postado em 19/04/2018 07:30 / atualizado em 18/04/2018 19:07


 
Olivier Boëls passou um tempo no Alto Xingu para organizar a exposição(foto: Olivier Boës)
Olivier Boëls passou um tempo no Alto Xingu para organizar a exposição (foto: Olivier Boës)
 
Três exposições movimentam a cena das artes visuais em Brasília e trazem obras com variados tipos de linguagens. Há fotografias feitas no Alto Xingu, instalações construídas com borrachas automotivas, pintura abstrata em diversas paletas de cores e trabalhos que exploram os contrastes de claro e escuro que foram tão importantes para a história da arte. Confira o que os artistas apresentam e programe-se para visitas e aberturas.

Cultura indígena no Museu

Em 2012, o fotógrafo francês Olivier Boëls esteve no Xingu para fotografar um documentário sobre o Kuarup de Darcy Ribeiro. Quando voltou para Brasília e fez a triagem do material, percebeu ter ali uma quantidade razoável e interessante de imagens das comunidades da região, mas ficou com pudor de mostrá-las. “Sempre tive uma preocupação em relação a como as imagens de indígenas eram usadas”, explica. Dois anos mais tarde, Boëls decidiu que queria trabalhar em um projeto em parceria com os índios. Yawalapiti — Entre tempos traz 150 fotografias do cotidiano das aldeias e vai levar um pouco dos hábitos da comunidade para o Museu Nacional da República.

As imagens são assinadas pelo fotógrafo, mas são dos índios as aspas das legendas que explicam e dão sentido ao ensaio. Incluir os yawalapiti em todo o processo de produção do trabalho foi uma condição para Boëls tocar o projeto. “Eu queria fazer uma coisa com eles, e não sobre eles”, explica. Com patrocínio de R$ 200 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e mais R$ 100 mil captado junto a apoiadores do projeto, o fotógrafo incluiu integrantes da comunidade na organização e transformou a mostra em uma experiência que traz a cultura indígena do Alto Xingu para o coração de Brasília.

A mediação de Entre tempos será feita pelos próprios yawalapiti, que vão conduzir os visitantes e contar sua própria história. Enquanto a exposição estiver em cartaz, eles também vão produzir artesanato para ser vendido no local e fazer sessões de meditação.

Hoje, quem for à abertura poderá ouvir uma apresentação de flauta sagrada e, no sábado, para o aniversário de Brasília, Boëls organizou uma projeção mapeada de fotografias na cúpula do museu, além de uma apresentação de dança. No domingo, é a vez de uma demonstração de Huka Huka, a luta dos povos do Alto Xingu. No total, dois grupos de 50 pessoas vão se deslocar das aldeias para o Museu Nacional durante os dias da exposição.


Cecília Mori usou milhares de borrachas automotivas para construir as instalações(foto: Ádon Bicalho/Divulgação)
Cecília Mori usou milhares de borrachas automotivas para construir as instalações (foto: Ádon Bicalho/Divulgação)


Apropriação

O método de trabalho da artista Cecília Mori começa nos materiais. Ela se encanta com uma borracha, uma abraçadeira, um lacre ou qualquer objeto banal do cotidiano e o carrega para o ateliê. Por lá, começa a imaginar situações plásticas e poéticas para essa coleta. Em Uma tipologia de nós: cinco formas de contar horas alongadas, em cartaz a partir de sábado no Elefante Centro Cultural, o encanto da artista foi por borrachas automotivas.

Com mais de 3 mil borrachas de tamanhos variados, Cecília construiu instalações de parede resultantes dos nós e amarrações que conseguia fazer com o material. “Costumo dizer que o que vou fazer com os materiais vem muito do contato que tenho com eles, da intimidade”, explica.

No título das cinco obras criadas para o Elefante, ela dá pistas do que pensou reconhecer nas amarrações. “O título é uma oportunidade para construir micronarrativas, apesar de o trabalho não ter nada de figurativo. Ajuda a aproximar o público do que estou pensando”, avisa.

Pinturas

A Alfinete Galeria recebe duas exposições que lidam com questões da pintura de maneiras muito diferentes. Enquanto Gisele Camargo se debate com detalhes de forma e cor, Manoel Veiga revisita a história da arte em jogos de luz e sombra que remetem a Caravaggio e ao barroco italiano.

Gisele começou a criar Construção com o propósito de erguer uma casa para residências artísticas no terreno que adquiriu na Serra do Cipó (MG). Decidiu pintar 170 quadrinhos de 23x23cm e vendê-los para arrecadar os fundos para a obra. Já fez 70 e, em Brasília, apresenta 50 deles. São pinturas abstratas em paletas de cores que variam a cada conjunto de 20 e cujas formas, Gisele percebeu um tempo depois, têm a ver com a própria paisagem da serra.

O conto Construção, de Franz Kafka, também influenciou a artista. “É sobre um bicho que cava um buraco e vai construindo o buraco e ficando paranoico, querendo colocar cada vez mais coisas para se proteger. Lembrei que esse conto tinha muito a ver com o processo da série”, explica.



Construção 
De Gisele Camargo


Matéria escura
De Manoel Veiga. Abertura sábado, às 18h. Visitação até 12 de maio, quinta e sexta, das 14h30 às 18h, e sábado, das 15h às 20h.


Uma tipologia de nós: cinco formas de contar horas alongadas
Exposição de Cecília Mori. Curadoria: Cinara Barbosa. Abertura sábado, às 17h, no Elefante Centro Cultural (SCLRN 706, Bloco C)


Yawalapiti — Entre tempos
Exposição organizada por Olivier Boëls. Visitação até 20 de maio, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República.
 

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