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Correio Braziliense

José Padilha cutuca versão de terrorismo, no mais recente filme que estreia

Seis filmes, entre os quais títulos de Wim Wenders e de Ruy Guerra, entram no circuito do Distrito Federal


postado em 19/04/2018 07:43 / atualizado em 19/04/2018 11:35

Atores estrangeiros consagrados estrelam a fita de José Padilha(foto: Diamond Filmes / Divulgação)
Atores estrangeiros consagrados estrelam a fita de José Padilha (foto: Diamond Filmes / Divulgação)

 

Indiferença não é palavra que combina com o diretor José Padilha que, há 10 anos, cravava uma bandeira de conquista do mercado mundial de cinema, com a premiação de Tropa de elite, em Berlim, com direito ao prêmio máximo: o Urso de Ouro de melhor filme. Desde o documentário Ônibus 174 (2002), o cineasta brasileiro deixa claro que o sistema é bruto. Produtor executivo de Narcos e à frente da recente e polêmica série O mecanismo, Padilha é sinônimo de amor, para muitos, e de insatisfação, para outros. Com Tropa de elite, ele puxou a atenção de 2,4 milhões de espectadores, enquanto a parte 2 de Tropa (O inimigo agora é outro) levou mais de 11,1 milhões aos cinemas. Com quase 2,8 milhões de espectadores, a investida internacional — RoboCop (2014) — ajudou a pavimentar o acesso ao mercado internacional. Agora, com orçamento de US$ 3,9 milhões, José Padilha coloca nos cinemas, a partir de hoje, 7 dias em Entebbe — filme que, em fevereiro, teve sessão especial no Festival de Berlim.

A explosão de um avião, com a consequente morte de mais de 200 pessoas está entre as possibilidades engatilhadas na trama do mais novo filme. O assunto do filme é internacional, tudo baseado numa ação terrorista de meados dos anos de 1970, mas boa parte dos parceiros da fita é integrada por brasileiros: Daniel Rezende está na montagem, enquanto Lula Carvalho assina a direção de fotografia e Rodrigo Amarante responde pela trilha sonora. A ocupação militar de um aeroporto, em que se desenrola a ação central do filme, promete ser um dos pontos altos do filme.

Quebrar amarras ideológicas sempre foi ponto defendido pelo cineasta que, para 7 dias em Entebbe, escolheu um tema incendiário. Pesquisas históricas que reveem fatos dados como líquidos e certos, entre as quais a do professor inglês Saul David, fermentaram a visão para o filme coproduzido entre o Reino Unido e os Estados Unidos.

Impasse

Em clima de thriller, o tema brota de fato ocorrido em 1976, quando a Air France teve um avião desviado de Tel-Aviv para Paris. No suspense está o destino de 248 passageiros sequestrados. Além de dois elementos das operações externas da Frente Popular de Libertação da Palestina, os terroristas eram formados por dois radicais esquerdistas alemães: Wilffried Böse (Daniel Brühl, de Adeus, Lênin!) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike, indicada ao Oscar por Garota exemplar).

O aeroporto internacional de Entebbe (Uganda), em meio ao episódio que não se ateve ao uso de meros meios diplomáticos, não foi uma rota escolhida sem maiores estudos: Idi Amin (Nonso Anozie), o ditador africano, era simpático à causa dos palestinos. Entre as exigências dos terroristas estava um montante de US$ 5 milhões, além da libertação de mais de 50 militantes pró-palestinos. “Apesar das décadas de negociações, sempre que há uma população envolvida em crise, a vivência num estado permanente de medo facilita a manipulação tanto política quanto por líderes religiosos. Eles buscam a relevância de, como figuras únicas, garantirem a proteção contra o chamado inimigo em cada questão”, comentou o diretor, no material de divulgação de 7 dias em Entebbe.

Divididos entre as diferentes nacionalidades, os sequestrados ficam à mercê de uma ação a ser decidida em Jerusalém: o primeiro-ministro Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) não tem a nitidez da operação de resgate pretendida pelo ministro de defesa Shimon Peres (Eddie Marsan). O esquadrão israelense avança, no que resultaria em definitivas coordenadas políticas: por muito tempo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evoca a imagem do irmão Yoni Netanyahu (um comandante morto na ação) como sendo a porta de sua entrada para a política.


Outras estreias

Submersão 
• De Wim Wenders. Com Alicia Vikander e James McAvoy. Alcançar o abismo ártico passa a ser a meta de vida de uma exploradora de oceanos que, na missão, passa a contar com o auxílio de um empreiteiro acusado de ser espião.

Quase memória
• De Ruy Guerra. Com Tony Ramos e João Miguel. Carlos é um homem que, em tempos distintos da vida, examina o passado do pai, morto, mas muito definitivo nos moldes da personalidade dele. Baseado na obra de Carlos Heitor Cony.
 
Um jovem cego conduz toda a trama de De encontro com a vida(foto: Internet / Reprodução)
Um jovem cego conduz toda a trama de De encontro com a vida (foto: Internet / Reprodução)
 

De encontro com a vida 
• De Marc Rothemund. Com Kostja Ullman e Matschenz. Saliya é um jovem que, apesar de grande dificuldade com a visão, pretende ser efetivado no quadro de funcionários de um luxuoso hotel alemão.


Uma temporada na França
• De Mahamat-Saleh Haroun. Com Sandrine Bonnaire e Eriq Ebouaney. Buscando estabilidade como refugiado de país em guerra, na França, um professor com dois filhos passa por maus momentos.


Exorcismos e demônios 
• De Xavier Gens. Com Sophie Cookson e Ada Lupu. Ao entrar em contato com um padre, a jovem jornalista Nicole tem, progressivamente, motivos para acreditar que ele, no passado, tenha atuado sob influência de forças malignas.

 

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