Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Festival de cinema do Paranoá contempla obras com cunho social

A segunda edição do projeto, que começou com um grupo de pessoas que têm o audiovisual como paixão, trabalha temas importantes nas telas, como o racismo


A partir de hoje, o Paranoá recebe uma programação ideal para quem se interessa por cinema. O 2; Festival de Cinema do Paranoá vai até domingo e leva uma série de produções de artistas de todo o Distrito Federal, do Entorno e do Brasil até a cidade. Além disso, o evento premia os melhores trabalhos inscritos na Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno do DF e na Mostra Competitiva Nacional. Os melhores, na opinião do júri oficial, recebem um troféu e um prêmio de R$ 3 mil. Os favoritos pelo júri popular recebem R$ 1,5 mil.
[SAIBAMAIS]

;A gente tem uma filosofia que é aproximar a comunidade do cinema nacional e o cinema nacional da comunidade;, explica Januário Jr., cineasta, estudante de artes cênicas da Faculdade Dulcina de Moraes, e organizador do projeto. Por isso, este ano a programação do festival contará com uma mais filmes e mais interação, com atividades complementares, como competições de break, rimas e skate. Além disso o evento terá uma mostra interativa para surdos e mostra estudantil.


Januário explica que a proposta do festival é colocar o Paranoá em janelas de exibição, além de promover a produção local e independente.;Queremos que as pessoas falem sobre filme no boteco, na pracinha, no ônibus. Que o cinema entre no cotidiano das pessoas;, afirma.

Inclusão

A 2; edição do Festival do Paranoá também dará destaque para produções realizadas por cineastas negras e negros. Além disso, 25% dos filmes selecionados serão de autoria feminina. O documentário Nós por nós, de Isabela Graton e Mariana Bitencourt, estudantes de Jornalismo da Universidade de Brasília, foi um dos escolhidos, e concorre ao prêmio da Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno do DF.

O documentário trata de assédio sexual na UnB e sobre casos que ocorreram no campus. O trabalho conta com entrevistas de alunas, integrantes de coletivos femininos e órgãos da universidade que abordam essa temática. Feito de forma totalmente independente, o documentário ;nasceu de uma inquietação pessoal;, explica Isabela.

Com ajuda de mais dois amigos, Isabela e Mariana buscaram dar voz às mulheres da UnB sobre um problema recorrente no local. ;Não existe muito material sobre assédios nas universidades do país. Percebi que nosso documentário tem sido muito didático;, conta Isabela.

Pela primeira vez, o trabalho será exibido fora da UnB. ;Vai ser uma oportunidade interessante de mostrar para as pessoas que existem maneiras de lutar contra o assédio;, explica Mariana.

O Festival do Paranoá começou com um grupo de pessoas que têm o audiovisual como paixão. Em 2016, a primeira edição do evento era diferente, nomeada de Mostra Curtas Paranoá. ;O festival começou por iniciativa de amigos, familiares e empresas da cidade;, conta Januário.

Natural do Rio Grande do Norte, Januário conta: ;sou fã incondicional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro desde que cheguei à cidade, em 2003;. Por iniciativa própria, ele se uniu a amigos para promover um evento de cinema fora do Plano Piloto. O evento contou com exibição de seis curtas-metragens e reuniu cerca de 350 pessoas. O envolvimento da comunidade local foi tanto que Januário decidiu se organizar e procurar financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC/DF, para organizar uma nova edição.

*Estagiária sob supervisão de Vinicius Nader

2; Festival de Cinema do Paranoá
De hoje a domingo, no Centro de Desenvolvimento e Cultura do Paranoá (Q.9, Cj. D, Paranoá), a partir das 19h. Classificação indicativa livre. Entrada franca.