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Correio Braziliense

Festival de cinema do Paranoá contempla obras com cunho social

A segunda edição do projeto, que começou com um grupo de pessoas que têm o audiovisual como paixão, trabalha temas importantes nas telas, como o racismo


postado em 23/04/2018 07:30 / atualizado em 23/04/2018 11:07

Cena do documentário Nós por nós, que será exibido na Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Cena do documentário Nós por nós, que será exibido na Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

A partir de hoje, o Paranoá recebe uma programação ideal para quem se interessa por cinema. O 2º Festival de Cinema do Paranoá vai até domingo e leva uma série de produções de artistas de todo o Distrito Federal, do Entorno e do Brasil até a cidade. Além disso, o evento premia os melhores trabalhos inscritos na Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno do DF e na Mostra Competitiva Nacional. Os melhores, na opinião do júri oficial, recebem um troféu e um prêmio de R$ 3 mil. Os favoritos pelo júri popular recebem R$ 1,5 mil.
 

“A gente tem uma filosofia que é aproximar a comunidade do cinema nacional e o cinema nacional da comunidade”, explica Januário Jr., cineasta, estudante de artes cênicas da Faculdade Dulcina de Moraes, e organizador do projeto. Por isso, este ano a programação do festival contará com uma mais filmes e mais interação, com atividades complementares, como competições de break, rimas e skate. Além disso o evento terá uma mostra interativa para surdos e mostra estudantil.


Januário explica que a proposta do festival é colocar o Paranoá em janelas de exibição, além de promover a produção local e independente.”Queremos que as pessoas falem sobre filme no boteco, na pracinha, no ônibus. Que o cinema entre no cotidiano das pessoas”, afirma.
 

Inclusão 

A 2ª edição do Festival do Paranoá também dará destaque para produções realizadas por cineastas negras e negros. Além disso, 25% dos filmes selecionados serão de autoria feminina. O documentário Nós por nós, de Isabela Graton e Mariana Bitencourt, estudantes de Jornalismo da Universidade de Brasília, foi um dos escolhidos, e concorre ao prêmio da Mostra Competitiva Distrital e Cidades do Entorno do DF.

O documentário trata de assédio sexual na UnB e sobre casos que ocorreram no campus. O trabalho conta com entrevistas de alunas, integrantes de coletivos femininos e órgãos da universidade que abordam essa temática. Feito de forma totalmente independente, o documentário “nasceu de uma inquietação pessoal”, explica Isabela.

Com ajuda de mais dois amigos, Isabela e Mariana buscaram dar voz às mulheres da UnB sobre um problema recorrente no local. “Não existe muito material sobre assédios nas universidades do país. Percebi que nosso documentário tem sido muito didático”, conta Isabela.

Pela primeira vez, o trabalho será exibido fora da UnB. “Vai ser uma oportunidade interessante de mostrar para as pessoas que existem maneiras de lutar contra o assédio”, explica Mariana.

O Festival do Paranoá começou com um grupo de pessoas que têm o audiovisual como paixão. Em 2016, a primeira edição do evento era diferente, nomeada de Mostra Curtas Paranoá. “O festival começou por iniciativa de amigos, familiares e empresas da cidade”, conta Januário.

Natural do Rio Grande do Norte, Januário conta: “sou fã incondicional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro desde que cheguei à cidade, em 2003”. Por iniciativa própria, ele se uniu a amigos para promover um evento de cinema fora do Plano Piloto. O evento contou com exibição de seis curtas-metragens e reuniu cerca de 350 pessoas. O envolvimento da comunidade local foi tanto que Januário decidiu se organizar e procurar financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC/DF, para organizar uma nova edição.

*Estagiária sob supervisão de Vinicius Nader

2º Festival de Cinema do Paranoá
De hoje a domingo, no Centro de Desenvolvimento e Cultura do Paranoá (Q.9, Cj. D, Paranoá), a partir das 19h. Classificação indicativa livre. Entrada franca.
 
 

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