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Correio Braziliense

Mostra de cinema independente ocorre no CCBB com entrada franca

A Mostra do Filme Livre está na 17ª edição e traz 230 fitas selecionadas a serem exibidas até 20 de maio


postado em 24/04/2018 07:08 / atualizado em 23/04/2018 19:07

Filme Açúcar, inédito na capital, integra a Mostra do Cinema Livre, no CCBB(foto: Reprodução)
Filme Açúcar, inédito na capital, integra a Mostra do Cinema Livre, no CCBB (foto: Reprodução)
 
Já são 17 edições da Mostra do Filme Livre, mas, ainda assim, o calejado criador e organizador do evento, Guilherme Whitaker, segue intrigado pelos caminhos originais tomados pela produção de cineastas batalhadores que integram cada seleção. “Tem filme que só passa com a gente. Os realizadores não podem esperar por editais e patrocínios. Trazem abordagens novas e que sempre nos surpreendem. Na etapa da seleção, não temos como vacilar. Os grupamentos de títulos se voltam, muitas vezes, ao momento, trazendo temas necessários”, avalia. Depois da lacuna em 2017, a mostra volta a ocupar, a partir de hoje (e até o dia 20 de maio), a programação do Centro Cultural Banco do Brasil.
 
Independentemente da presença de nomes significativos na produção audiovisual, como os de Dellani Lima, Gustavo Spolidoro e Helena Ignez, profissionais novos como Marcus Curvelo (do premiado Mamata, título badalado no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro) e Pablo Pablo ganham destaque, às vezes, com mais de um título nesta edição. Com mais de 1140 filmes inscritos, a seleção feita por quatro profissionais chegou à relação de 230 filmes, montados no evento, que tem amparo na Lei de Incentivo à Cultura para o aporte de investimento de R$ 100 mil, e disponibilizado em caráter gratuito para o público. Além de institutos federais (alguns dedicados ao público portador de necessidades especiais), cineclubes e cidades de interior se beneficiam da programação da mostra, vale ressaltar.
 
“Fazemos muito pelo cinema brasileiro. Não é exagero dizer que a Mostra do Filme Livre se transformou na maior do Brasil, em termos de cinema nacional e a gente quer chamar a atenção para isso. Com o nosso perfil bem definido, se exemplifica a conquista de público fiel ou de iniciantes, além de contarmos com segmento de diretores empenhados em oferecer, sob melhores condições, filmes que fujam da obviedade”, pontua Guilherme Whitaker. Uma atenção especial, no crivo dos curadores, jogou luz sob a produção de títulos criados por 85 de mulheres, entre os mais de 200 selecionados.
 
Há quatro anos, as questões em pauta da Mostra do Filme Livre tem, num crescente, incluído agenda que toca dados políticos do país, nos precedentes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Houve a definição, ocasional, de um perfil politizado, no conteúdo dos títulos. A seleção tem seções que explicitam esta carga, como é o caso de Territórios e das sessões chamadas de Cabines Livres. Há filmes como o do mineiro Lucas Campolina batizado de 0 golpe em 50 cortes ou a corte em 50 golpes que acopla meia centena de momentos de discursos bem bizarros dos bastidores políticos do país. Forma-se um retrato inacreditável do ponto em que, infelizmente, chegamos”, explica Whitaker. Na mesma linha, há o curta experimental chamado de Crise de representação, com elenco inusitado na ficha técnica: Michel Temer e Dilma Rousseff.
 
Devoção e liberdade
 
Com direito a debate, na sequência da exibição do filme Híbridos, os espíritos do Brasil, os diretores Vincent Moon e Priscilla Telmon abrem a programação da mostra, hoje, às 19h. Devoção, rituais, meditação e centros de curas norteados por espíritos fazem parte do enredo da fita. Outro título ligado à transcendência é Flor da Montanha/Feitio, a ser mostrado, amanhã, em esquema de looping, sem interrupções, entre as 14 e 19h. Na região serrana do Rio de Janeiro, Santo Daime e umbanda se encontram, na fusão de práticas adotadas por seguidores retratados pelas lentes de Vincent Moon e Priscilla Telmon.
 
Outra dupla badalada de diretores — Renata Pinheiro e Sergio Oliveira — chama a atenção, por trazer o longa inédito Açúcar para a capital em que nasceu a atriz protagonista: Maeve Jinkings. No filme, uma filha de latifundiários revive o passado, ao visitar a fazenda em que trabalhadores lutam por melhores condições, brancos e negros têm um legado de afrontas e um engenho arcaico teima em contrariar traços de contemporaneidade.
 
Amanhã, às 18h30, a mostra contará com a sessão Curta Brasília, integrada por obra de diretores como André Amaro, Maurício Chades e Rodrigo Arajeju. Além de trazer um curso de cinema e memória (com o pesquisador Hernani Heffner), a 17ª Mostra do Filme Livre prestará homenagem ao cineasta alternativo Olívio Tavares de Araújo.
 
Na fluência da livre expressão, os vencedores de prêmios, pela mostra, também serão apresentados em Brasília: Chantal Durpoix (uma francesa, criada na África, mas moradora do Brasil) terá Talaatay Nder na tela, revelando rebeldia senegalesa à escravidão, num fato transcorrido no século 19, enquanto CorpoStyleDanceMachine (do alagoano, formado na Bahia, Ulisses Arthur), destaca a figura do ativista cultural Tikal, presente na cena do Recôncavo baiano.  
 

 

 

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