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Correio Braziliense

Brasília está no caminho de se firmar um polo nacional de produção cultural

Capital se destaca cada vez mais em áreas como a música e o cinema com qualidade para bater de frente com polos como Rio de Janeiro e São Paulo


postado em 29/04/2018 06:30

 
Diretor Santiago Dellape avalia com otimismo audiovisual na capital(foto: Luciana Melo/Divulgação)
Diretor Santiago Dellape avalia com otimismo audiovisual na capital (foto: Luciana Melo/Divulgação)
Se, no passado, Brasília precisava de outras cidades para pro
"Temos produzido muito e muita coisa bacana. Brasília não fica devendo nada para o eixo Rio-São Paulo", Dudu Maia (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 1/10/13 )
duções mais complexas, hoje a capital é independente. Seja na produção musical (de vinis ao digital), seja nas iniciativas voltadas ao audiovisual (no cinema, nas séries), a cidade tem capacidade para criações com qualidade e, a cada dia mais, se consolida como um polo de produção cultural.

Músico e produtor, Dudu Maia acredita que, no mundo todo, hoje é mais fácil ter acesso a equipamentos e materiais para produzir com qualidade. Em Brasília, na visão dele, o que faz diferença é a criatividade. “Tudo é muito mais acessível hoje. É uma realidade não só daqui, mas mais importante do que a estrutura física é a ideia. Nesse sentido, Brasília tem muita criatividade. Já acompanhei algumas gerações na música da cidade e vejo uma galera disposta a dialogar, a fazer misturas”, aponta.

Com uma indicação ao Grammy no currículo, Dudu vê Brasília em um processo de amadurecimento e acredita que as produções da cidade têm potencial para ir além. “Estamos amadurecendo em questões profissionais, em como colocar esse material produzido para o mundo. Estamos nesse caminho, faz parte passar por isso e temos muito para avançar”, acredita.
 
 
"Temos produzido muito e muita coisa bacana. Brasília não fica devendo nada para o eixo Rio-São Paulo", Dudu Maia (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 1/10/13 )

Um dos responsáveis pelo selo Quadrado Mágico (iniciativa da capital que lança e prepara novos artistas para o mercado), Miguel Rodrigues Galvão acredita que a produção brasiliense tem originalidade e que houve crescimento nos últimos anos. “Um dos próprios princípios de Brasília é o de abraçar a diversidade do país, isso por si só já é um estímulo para uma cena cultural forte e original. E as pessoas resolveram olhar com mais carinho para o que vem de dentro nos últimos tempos”, acredita.

Miguel concorda com Dudu na ideia de que hoje Brasília tem possibilidades de fazer produções de ponta, mas que o mais importante é o conteúdo e a criatividade. “Hoje, ter uma gravação de ponta é acessível, há vários produtores e estúdios em Brasília que oferecem isso. Nosso compromisso é com conteúdo de qualidade, original, vinculado com o cotidiano da própria cidade.”

Uma das iniciativas do Quadrado Mágico é mostrar possibilidades de profissionalização para os músicos da cidade, o que, para Miguel, vem acontecendo com mais força. “É possível hoje trabalhar com música e não ser só músico de banda, dá para trabalhar em estúdio, com trilhas sonoras, é possível se profissionalizar.”


Brasília nas telas


O audiovisual e o cinema também têm força na capital. Diretores, produtores, cineastas e técnicos formados em Brasília dão sustento a uma produção local forte e diversificada, com força para atingir outros centros e se expandir para o país todo com filmes e séries.

Instituído por decreto do governador Rodrigo Rollemberg em setembro do ano passado, o Parque Audiovisual de Brasília promete fomentar ainda mais esse setor. A iniciativa vai substituir o antigo polo de cinema, que ficava em Sobradinho. A nova estrutura será construída em um terreno de 147 mil m² no  Setor de Clubes Esportivos Sul e terá estúdios, salas de cinema, núcleos de animação, efeitos especiais, produções de games, filmes e séries.

“A nova realidade do audiovisual provocou esse passo para a frente, conquistamos um espaço nobre. A fase agora é de iniciar um processo de estudos de parcerias que possam viabilizar estruturas públicas, mas que contem também com investimento privado, tanto na área do audiovisual quanto na área dos games”, explica o secretário de cultura, Guilherme Reis.

 Para o ator Edu Moraes, Brasília ainda pode crescer muito na produção cultural(foto: Luciana Melo/Divulgação)
Para o ator Edu Moraes, Brasília ainda pode crescer muito na produção cultural (foto: Luciana Melo/Divulgação)
 
Diretor e produtor brasiliense, Santiago Dellape acredita que o parque, se concretizado, será fundamental para o desenvolvimento do setor na cidade. “É um bom projeto que, desde que não vire outro elefante branco como o polo de Sobradinho, é necessário e até imprescindível. Não tem como Brasília se colocar mais no mapa audiovisual nacional sem isso”, opina.

Dellape vê com o otimismo o cenário atual do audiovisual e do cinema brasiliense. “É um momento coletivo favorável, que está crescendo. Nossa produção está ocupando cada vez mais espaço e ganhando contornos cada vez mais profissionais”, comenta.

O ator brasiliense Edu Moraes, um dos destaques da atuação da cidade, também vê com bons olhos o momento que o audiovisual brasiliense passa. “As produções estão se tornando mesmo cada vez mais profissionais, aumentando bastante. Temos produzido muito e muita coisa bacana. Brasília não fica devendo nada para o eixo Rio-São Paulo”, aponta.


 
 
 
 
 
 
 
 

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