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Correio Braziliense

Cantora brasiliense Ive encanta a pop star Madonna

A artista gravou um disco com produção assinada por Nelson Motta e Liminha


postado em 29/04/2018 07:30

Ive começou a carreira na noite de Brasília e chegou a Portugal(foto: J Vitorino/Divulgacao)
Ive começou a carreira na noite de Brasília e chegou a Portugal (foto: J Vitorino/Divulgacao)
 
Ao cantar no réveillon de Madonna, em Nova York, a convite da diva pop, a brasiliense Ive chamou para si a atenção de muita gente, até pela repercussão do fato nas redes sociais. No momento ela faz uma série de gravações sob a direção de Nelson Motta, um dos nomes de maior prestígio no cenário da música popular brasileira, e Liminha, o consagrado músico e produtor.

“Sempre admirei Nelsinho por tudo o que já fez. Fomos apresentados em 2016 pela escritora portuguesa Margarida Rebelo Pinto, que estava de férias no Brasil. Nos tornamos amigos e, desde então, vínhamos conversando bastante, principalmente sobre música. Num show do Lulu Santos, na Barra das Tijuca, ele me apresentou ao Liminha. Agora os dois estão na produção desse meu novo trabalho. Para mim, é uma honra ter ao meu lado profissionais de tamanha importância”, valoriza.
 

“Ive é uma das melhores revelações dos últimos anos. Uma bela voz natural a serviço de interpretações calorosas e elegantes, sensuais e festivas, precisas e envolventes. Não por acaso ela tem uma pinta de nascença bem no meio da testa: marcada para o sucesso”, empolga-se Nelson Motta.

Liminha também se encantou pela cantora e ressalta o fato de ela ter vindo de Brasília: “Tem alguma coisa no Planalto Central que impulsiona algumas pessoas para as artes, música principalmente. Ive (nome curto e poderoso) é uma delas. Vem aí beleza, talento e muitas outras coisas boas.”

A brasiliense também chamou a atenção de Ruy Castro, quando cantou o repertório de Carmem Miranda após palestras do biógrafo da Pequena Notável. “ Ive, um pequeno nome para um grande talento”, filosofa Castro.

Casas noturnas

Na década de 1990, ainda adolescente, Ive iniciou a carreira em Brasília cantando em casas noturnas, sempre acompanhada pelo pai, o cantor e compositor Xandó. Depois viria a ser vocalista das bandas de baile Ciclone e Edição Extra. Em 2002, foi para o Rio de Janeiro, onde se juntou ao então namorado, o também brasiliense Marco Brito, tecladista da banda de Ivan Lins.

Depois de se instalar no Rio, passou a frequentar locais diversos que ofereciam música ao vivo e, sempre que havia oportunidade, buscava mostrar o trabalho de intérprete. O guitarrista Léo Armoedo e o trompetista Márcio Montarroyos foram alguns dos músicos para quem deu canja. “Por meio do Léo, o Ivan Lins também tomou conhecimento do que eu fazia e me deu força. Já o saudoso Montarroyos me levou para cantar num show no Cais Oriente para me apresentar ao público carioca”, lembra Ive.

O passo seguinte da cantora foi o lançamento, em 2008, do Ao som de Grace Ive, o CD de estreia pelo selo Indie Record. “Basicamente foi um disco de releituras. Gravei, por exemplo, Refazenda (Gilberto Gil), Apenas mais uma de amor (Lulu Santos), Quase um segundo (Herbert Vianna) e Eu queria ter uma bomba (Cazuza). À época fui convidada para participar o programa Som Brasil, da TV Globo, que focalizou a obra dos Paralamas do Sucesso. Cantei Meu erro e Quase um segundo”, conta.

Em 2009, Ive tinha planos de gravar um DVD a partir de um show que fez no Teatro Rival, mas o projeto foi descartado por problemas técnicos na gravação. Duas das canções gravadas, porém, foram bem aproveitadas. “Seu olhar, do compositor brasiliense Paulo D’Jorge, entrou na trilha de Malhação, como tema do casal de protagonistas; e Até você passar, minha e de Marco Brito e Dudu Falcão, foi bastante ouvida na trilha da novela Passione — ambas em 2010”, lembra.

Um ano depois ela lançou o CD Sem moldura, com regravações e músicas inéditas. “Com o show que teve esse trabalho como base, fiz turnê pelo Brasil. Em Brasília me apresentei no Teatro Oi, no antigo hotel Blue Tree (hoje Royal Tullip Alvorada). Antes, havia feito algumas apresentações na Ásia. Então me leva, parceria minha com Gláucia Lisboa; e Deixa aberta, de Marcos Lima, Márcio Proença e Zé Yco, são singles que lancei em 2014 e 2015 na web”, ressalta.

Em Portugal

Quando foi para Portugal, em 2016 fazer shows em Espinho e na cidade do Porto, Ive estabeleceu contatos com pessoas ligadas à música e à produção naquele país, onde, coincidentemente, estava sendo feito o filme Alguém como eu, dirigido por Leonel Vieira. “Na trilha do filme foram incluídas Até você passar, Então me leva e Deixa aberta, três músicas do meu repertório.”

Ive voltou ao Brasil para cumprir compromissos agendados, mas em 2017 retornou a Lisboa e lá passou a fazer uma série de shows. “Em dezembro, assistia a um show de fados na Mesa de Frade e, no intervalo, pediram que eu cantasse alguma coisa. Cantei O mundo é um moinho, de Cartola, e Petit pays, de Cesária Évora”, relata. “Nessa hora, Madonna, que estava em mesa próxima, pegou o celular e começou a filmar. No dia seguinte, postou no Instagram”, complementa.

“Dois dias depois, Dino de Santiago, um cantor cabo-verdiano, meu amigo, que havia conhecido e se aproximado de Madonna, me ligou transmitindo o convite dela para participar da festa do réveillon que a diva iria fazer na casa dela, em Nova York”.

Com detalhes, Ive revela que foi muito bem recebida pela diva, “que cuidou pessoalmente de todos os detalhes da minha apresentação. Cantei três músicas, Petit pays, Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aloísio Silva) e Desde que o samba é samba (Caetano Veloso). Ela ouviu com muita atenção. Para mim, foi tudo muito forte, pois Madona é um dos maiores ícones da música pop, por quem tenho profunda admiração. Me impactou principalmente o lado humano da estrela”.

Memória

Ao lado do mestre
Há cinco anos, outro brasiliense tocou com um astro de primeira grandeza da black music norte-americana. Em 9 de dezembro de 2013, um dia depois de se apresentar em área próxima ao Estádio Nacional Mané Garrincha, pelo Circuito Banco do Brasil, Stevie Wonder foi lanchar numa confeitaria da 205 Sul. Ao deixar o local, ouviu o apelo do saxofonista João Filho, morador de São Sebastião, para fazer duo com ele. Solícito, Steve Wonder tirou uma gaita do bolso e, junto com aquele artista de rua, recriou o clássico da MPB Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. A cena, que parecia uma miragem, foi assistida por privilegiados circunstantes que, emocionados, os aplaudiram ao final.


“ Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Raimundos, Cássia Eller e outros vieram de Brasília. Tem alguma coisa no Planalto Central que impulsiona algumas pessoas para as artes, música principalmente. Ive (nome curto e poderoso) é uma delas. Vem aí beleza, talento e muitas outras coisas boas”

Liminha

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