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Correio Braziliense

Compra e venda de novelas aquece o comércio entre emissoras internacionais

Duas novelas foram vendidas ao Chile e ao Uruguai, em abril, demarcando a boa fase do mercado de entretenimento


postado em 03/05/2018 07:33 / atualizado em 03/05/2018 08:16

As aventuras de Bibi Perigosa (Juliana Paes) e Salete (Cláudia Raia) em 'A força do querer' e 'A lei do amor', respectivamente, agora poderão ser acompanhadas pelos chilenos e uruguaios (foto: TV Globo / Divulgação)
As aventuras de Bibi Perigosa (Juliana Paes) e Salete (Cláudia Raia) em 'A força do querer' e 'A lei do amor', respectivamente, agora poderão ser acompanhadas pelos chilenos e uruguaios (foto: TV Globo / Divulgação)

 
Não é só no Brasil que as telenovelas fazem sucesso. No mês de abril, a TV Globo conseguiu vender duas produções (A lei do amor e A força do querer) para emissoras no Chile e Uruguai, respectivamente, e isso é só a pontinha do iceberg no mercado de compra e venda de histórias.

No último mês, o canal Teledoce apostou na compra da novela A força do querer (Globo) para ser exibida no Uruguai, e a trama da Bibi perigosa — interpretada por Juliana Paes — não viajou sozinha. No Chile, a emissora Mega apostou na compra de A lei do amor (Globo) para entreter a população. Ambas as produções da TV Globo apontam uma realidade de aquecimento na compra e venda internacional de produções novelescas no Brasil.

Para a América Latina, no quesito novela, não há competição. As duas maiores produtoras mundiais desse tipo de produto residem no México e no Brasil. Televisa e TV Globo, respectivamente,  produziram 1043 novelas desde suas estreias (em 1951 e 1965) até 2016. As informações do jornalista André Bernardo para a revista Mundo Estranho ainda apontam as lideres de vendas: Avenida Brasil é a campeã da Rede Globo,  tendo chegado a 130 países. Já o clássico Maria do Bairro, da Televisa, é campeã mundial de vendas, tendo chegado a 182 países – de acordo com as Organizações das Nações Unidas (ONU), até julho de 2017, existiam 193 países oficialmente independentes no mundo.

E no Brasil, esse tipo de comércio mundial não é limitado à Rede Globo, pelo contrário. A Rede Bandeirantes está na exibição da quinta novela comprada de fora. Mil e uma noites, A força do amor, Ezel, Sila — prisioneira do amor e, atualmente, Amor proibido são os títulos que vieram da Turquia para terras tupiniquins.

Já a Record apostou em um nicho pouco explorado, o de temas bíblicos, e ainda colhe os frutos disto. A novela Os dez mandamentos, produzida em 2015, faz sucesso em outros países de língua portuguesa, como Angola. 

Poder interno

O escritor e pesquisador Cláudio Ferreira, autor dos livros A dinâmica dos reality-shows e Beijo amordaçado, explica que a grande potência das novelas brasileiras vem pela busca de maior qualidade para o próprio mercado interno, repercutindo lá fora. “Eu acho que o fato de ter um mercado consumidor muito grande aqui é o mais relevante, não existe uma produção prévia para exportação. Internamente, existe uma concorrência muito grande, que vai ditar a qualidade, e, aí, consequentemente, resulta em um produto com boa qualidade para ser oferecido nas grandes feiras do mundo de TV para compra e venda desses produtos. A novela brasileira não é pensada para o público estrangeiro.  Mas, internamente, existe uma exigência de qualidade, que repercute”, comenta.

Ferreira ainda completa sobre o futuro desse tipo de comércio: “Uma coisa que talvez possa acontecer é o que ocorreu com as séries no streaming e as coproduções. A Globo, por exemplo, faz muita coprodução, vende um roteiro e faz uma espécie de consultoria. Aí tem uma adaptação à cultura local, pode trocar nomes. Então, isso é uma das vertentes, fazer essas coproduções para uma adaptação melhor à cultural local. A outra vertente é essa aposta em um catálogo de streaming, é isso: tem uma produção para o mercado interno com um custo e qualquer venda já é um lucro, já é uma coisa a mais, a emissora não precisa desse dinheiro”.

Estagiário sob a supervisão do subeditor Severino Francisco

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