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Correio Braziliense

Casos de assédio sexual repercutem nas academias de Hollywood e Nobel

As denúncias circulam entre as produções de cinema e literatura internacional


postado em 05/05/2018 07:33 / atualizado em 04/05/2018 19:56

"Respostas de Polanski foram tardias", comenta Bia Cardoso, do Blogueiras feministas (foto: Laurent Emmanuel/AFP - 27/5/17)

 
Na última semana, dois casos emblemáticos abriram novamente as discussões sobre os casos de assédio sexual no campo artístico internacional. Mas, dessa vez, de uma forma diferente ao mostrar efeitos e respostas após as acusações.

Ontem, a Academia Sueca revelou que não entregaria o prêmio Nobel de Literatura de 2018. Tudo isso porque seis membros da instituição renunciaram ao cargo por conta das alegações feitas por 18 mulheres de que o dramaturgo e fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, marido de Katarina Frostenson, ex-integrante da academia, e nome influente na premiação, as teria assédio sexualmente.
 

Antes, na quinta-feira, o humorista norte-americano Bill Cosby, que foi sentenciado pelo estupro de 46 mulheres, e o cineasta francês Roman Polanski, que admitiu ter estuprado uma jovem de 13 anos, foram expulsos do quadro de personalidades ativas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ligada ao prêmio Oscar.

Os dois casos são respostas do cenário artístico internacional após a onda de acusações iniciadas no ano passado contra o poderoso produtor norte-americano Harvey Weinstein reveladas pelo jornal The New York Times. Ele foi apontado por mais de 50 mulheres e hoje dá nome ao verbete “Efeito Harvey Weinstein”, que ficou denominado como um “fenômeno em que alegações de abuso e assédio sexual contra celebridades são tornadas públicas e geram respostas de empresas e instituições”.

“Acusações
 
Acusações contra Jean-Claude Arnault: renúncia de membros que votam o Nobel(foto: Reprodução/Internet)
Acusações contra Jean-Claude Arnault: renúncia de membros que votam o Nobel (foto: Reprodução/Internet)
 

“Eu vejo tudo isso como uma onda. A gente começa com uma coisa grande, como foi a questão do Harvey e isso foi tomando outras proporções e as pessoas foram fazendo mais denúncias. Agora está todo mundo indignado e pensando em meter a boca no trombone. Virou um movimento grande de indignação, principalmente, das mulheres”, analisa Bia Cardoso, coordenadora do Blogueiras feministas.

Essa situação também deu origem ao movimento #MeToo, uma organização fundada no ano passado por atrizes e mulheres ligadas ao cinema internacional para apoiar as mulheres e denunciar casos de abuso e assédio. Inclusive, foi inspirada pelo #MeToo, que a jornalista Dagens Nuheter começou  a investigar os casos envolvendo Arnault, que também foi acusado pela princesa sueca Victoria de passar a mão em suas nádegas inapropriadamente.

“Eu olho isso com otimismo, mas é uma questão minha. Acho que essas pequenas vitórias estão mostrando que, pelo menos, os casos estão sendo falados e não mais sendo escondidos. Apesar de algumas respostas serem bem tardias, como a Polanski, que tem acusações da década de 1960. Mas realmente é uma mudança nas relações, principalmente no âmbito profissional, que é algo que #MeToo envolve muito. Até por isso ele não teve tanta resistência, como tiveram outros movimentos que focavam na questão da violência sexual como um todo. Espero que isso tenha vindo para ficar”, completa Bia Cardoso.

Colaborou Alexandre de Paula  Especial para o Correio



O pivô
Centro da polêmica que culminou no adiamento do prêmio, o fotógrafo e dramaturgo Jean-Claude Arnault era considerado uma das figuras mais influentes dentro da Academia Sueca. Casado com a poeta Katarina Frostenson (que era membro do grupo até renunciar ao cargo por causa das polêmicas), Arnault comandava uma galeria que se tornou ponto central para o prêmio (ocorriam lá as leituras dos escolhidos, por exemplo). O espaço era subsidiado pela academia (com verbas cedidas pela própria esposa).
 
 
 
 
 
 


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