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Correio Braziliense

Competição em Cannes terá obras de Jean-Luc Godard e Asghar Farhad

A presença feminina também merece destaque no festival deste ano, que será realizado de hoje a 19 de maio


postado em 08/05/2018 06:30

'Todos lo sabem': filme multicultural abre a festa do cinema internacional(foto: Reprodução/Internet)
'Todos lo sabem': filme multicultural abre a festa do cinema internacional (foto: Reprodução/Internet)

 
Nos próximos 12 dias, o Festival de Cannes, a verdadeira meca do cinema internacional, desdobrará a extensa programação que contempla dos figurões da sétima arte até o lançamento de tendências e modismos de linguagem que seguem norteando o cinema. Um equilíbrio entre nomes consagrados e uma lufada de renovação forma o evento francês que chega à 71ª edição. O encerramento será dia 19.

Por vezes imoderada, a organização da festa segue firme, mesmo, para alguns, nadando contra a corrente: além de ter limado fitas originalmente feitas por empresas de streaming, o evento agora bane a tirada de selfies no tapete vermelho.

Até a Cérémonie du Palmarès, quando das entregas dos troféus Palma de Ouro, um cinema de primeira grandeza promete invadir as telas com obras de países diversos e cineastas reconhecidos do porte de Matteo Garrone e Nadine Labaki. O rótulo multicultural desponta no filme de abertura de hoje, Todos lo sabem, do iraniano Asghar Farhadi, que passa da Argentina para a Espanha, na trama encabeçada por Penélope Cruz.

Sendo Cannes sinônimo de ousadia, um dos filmes mais esperados é Le livre d´image, do mestre Jean-Luc Godard, ativíssimo, aos 87 anos. Competindo pela décima vez, Godard nunca levou a Palma de Ouro; mas faturou o prêmio do júri, pelo roteiro de Adeus à linguagem (2014). Promessa de um filme de enunciados, reflexivo, o longa traz uma poesia indecifrável como sinopse. A fita promete rivalizar com a polêmica refilmagem de Fahrenheit 451 (clássico da literatura de Ray Bardbury), sob a ótica do americano Ranin Bahrani, que trata de fatos históricos reescritos à revelia e queimação de livros e conhecimento.

Em caráter especial, o evento terá sessão do novo documentário de Wim Wenders, Pope Francis — A man of his word, centrado na figura do papa argentino Francisco. A América Latina ganhará representação, entre outros, com os filmes brasileiros O grande circo místico (de Cacá Diegues, que não compete pela Palma de Ouro, e estará na sessão especial de sábado) e a dupla O órfão e Los silencios, ambos escalados para a Quinzena dos Realizadores, e respectivamente assinados por Carolina Makovicz e Beatriz Seigner. Ao lado da grade da seleção Cannes Classics, com diretores do porte de Yasujiro Ozu, Ingmar Bergman e Billy Wilder, o Brasil também aparece com o emblemático A faca e o rio (1971) assinado pelo holandês George Sluizer.

Aguardados


Estetas e donos de respeitáveis obras de cunho incendiário, cineastas como Spike Lee e Lars von Trier estarão no evento francês. Lee competirá com BlaKkKlansman, que examina a atuação de um policial infiltrado em braço da Ku Klux Klan do Colorado, enquanto von Trier (banido do evento, em 2011) tenta uma reabilitação, com um filme sobre serial killer (The house that Jack Built).

Cannes alinhará pesado reexame histórico. O chinês Wang Bing Gansu, por exemplo, trará Dead souls, sobre dissidentes direitistas que, há 60 anos, foram largados à própria sorte no Deserto de Gobi. Cold war, do polonês Pawel Paulikowski, mostra os temperamentos divergentes de um casal que enfrenta, nos anos 1950, efeitos da Guerra Fria.

Nos resgates históricos, com respaldos artísticos, duas tramas de longas chamam a atenção. Sob produção de Michael Moore, o filme The eyes of Orson Welles, do diretor Mark Cousins, traz a persona do criador de Cidadão Kane, a partir de acesso ilimitado à elaboração visual de Welles, criador de inesperadas pinturas e desenhos. O concorrente russo Leto, de Kirill Serebrennikov, é outro que volta ao passado: narra a rotina de um rapaz da Lenigrado dos anos 1980, tomada por culto ao underground e ao rock.


Apelo feminista


3 faces
• Selecionado para a competição, o iraniano Jafar Panahi acompanha um fio de história entregue pela atriz Behnaz Jafari: tocada por mensagem da internet, ela quer desbravar (em forma de filme), a opressão rural que quer obrigar, ao peso da tradição, uma menina que pretende estudar.

Angel Face
• Destacado na mostra Um Certo Olhar, o primeiro filme francês de Vanessa Filho alinha, em cena, a estrela Marion Cotillard à estreante Ayline Aksoy-Etaix. Cotillard interpreta a inconsequente mãe Marlène, que entrega a um desconhecido a pequena filha Elli.

Mon tissu préféré
• O primeiro filme da diretora Gaya Jiji resultou de coprodução entre Turquia, Alemanha e França. Nele, a personagem Nahla tem um casamento prometido com um desconhecido sírio, às vésperas da chamada Primavera Árabe. A liberdade, entretanto, poderá chegar pela insatalção de um prostíbulo, em Damasco.


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