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Correio Braziliense

Jamil Chade lança em Brasília romance sobre refugiados

Livro é ficção, mas tem muitas situações reais vistas e vividas pelo autor


postado em 09/05/2018 07:30

 

Jamil Chade queria escrever romance sobre refugiados em que uma mulher fosse protagonista(foto: Divulgação/Planeta)
Jamil Chade queria escrever romance sobre refugiados em que uma mulher fosse protagonista (foto: Divulgação/Planeta)
 

 

 

Ao longo de quase duas décadas de cobertura jornalística internacional, o repórter  Jamil Chade sempre ficou muito impressionado com as histórias das mulheres refugiadas de guerras, conflitos e desastres. Geralmente, elas estão à frente de famílias despedaçadas e são responsáveis por encontrar caminhos que garantam a sobrevivência. Essa foi uma das situações que motivou o jornalista a escrever O caminho de Abraão, romance que lança em Brasília na quinta (10/05) e cuja protagonista, Hagar, é uma ficção, mas passa por situações reais e comuns entre os refugiados. 

Radicado na Europa há 18 anos, correspondente internacional e hoje morador de Genebra (Suíça), Chade partiu de algumas observações cruciais para construir o romance. Uma delas foi a crise econômica de 2008, que reforçou o abandono das periferias das grandes cidades europeias à frágil condição de guetos. Em seguida, veio a Primavera Árabe, que provocou uma enorme onda de imigração, principalmente para a Europa. 

Chade, que já foi finalista do Prêmio Jabuti com O mundo não é plano e é autor de A Copa como ela é, achou necessário contar a história sob a perspectiva da ficção, mas é muito fluida a linha entre realidade e invenção em O caminho de Abraão. “Achei que precisava me posicionar, olhar para essa situação, mas não na forma de repórter. E encontrei na ficção o caminho para contar essa história, que é real. A protagonista é inspirada numa série de situações que vivi e que vi de fato: a personagem de uma refugiada mulher é muito forte”, explica o autor. “Quando você abre uma barraca de refugiados, o que você vê dentro são crianças e mulheres. Elas não são só as mães, elas são a garantia de sobrevivência da família. Sempre fiquei muito impressionado com os relatos das mulheres.”

O caminho de Abraão acompanha Hagar, uma francesa de origem argelina, oriunda de uma periferia problemática de Marselha, que consegue vencer as barreiras da discriminação e estudar. Contratada por uma multinacional, a personagem vai trabalhar na Síria e, quando eclode o conflito, em 2011, se envolve em situações questionáveis. Entre os trechos narrados em primeira pessoa, Chade insere a história de Abraão conforme contada nos livros sagrados do cristianismo, do judaísmo e do islamismo. 

O caminho percorrido pelo patriarca das três religiões é o mesmo percorrido pela personagem e, em parte, pelo repórter, que já acompanhou refugiados em países como Somália e Iraque. “É incrível que as três grandes religiões usem o mesmo personagem para contar uma história. O percurso que Abraão faz é muito parecido com o percurso dos refugiados. Ele vai passando pelos mesmos lugares que a personagem, mas com uma diferença de cinco  mil anos”, conta Chade. “Quis mostrar que essa crise de refugiados não é nova, ela é tão antiga quanto a humanidade. Outro motivo para a presença dele no livro é levantar uma questão: se as três grandes religiões que tanto se odeiam têm o mesmo patriarca, será que não tem algo que poderia unir-nos?”

O caminho de Abraão
De Jamil Chade. Planeta, 304 páginas. R$ 45,90.
Lançamento na quinta (10/05), às 9h30, no Iesb (SGAS Quadra 613/614) 

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