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Correio Braziliense

Desejo de matar traz um Bruce Willis invocado, e solto nas ruas

Em Desejo de matar, Bruce Willis interpreta justiceiro, que, indignado com o sistema jurídico, decide se vingar de criminosos


postado em 10/05/2018 07:52 / atualizado em 09/05/2018 21:14

Bruce Willis: sempre à frente de artilharia pesada, no cinema(foto: MGM / Divulgação)
Bruce Willis: sempre à frente de artilharia pesada, no cinema (foto: MGM / Divulgação)
 
 
Em outros tempos, talvez sem patrulhamentos, o diretor de cinema que assinou filmes como Canibais, Cabana do inferno e O albergue, Eli Roth, levantasse menos descontentamentos, ao optar por remake de um dos filmes de maior sucesso de Charles Bronson: Desejo de matar (1974). “Sou muito consciente, como realizador hollywoodiano, de não conduzir o pensamento das pessoas sobre como e de que forma devem pensar. Qualquer filme de ação pode ser intitulado um filme a favor do uso de armas”, destacou Roth, na revista Entertainment Weekly, já sob a artilharia pesada de críticas de ressuscitar o gênero de filmes em que balas voam pelos ares, a esmo, sob a desculpa de promoverem justiça.

No exterior, o novo filme chegou a ganhar críticas, diante da “estrutura de filme de terror”. Uma chacina em família motiva a ira do protagonista, disposto a, a partir daí, justiçar mazelas do mundo.

Respondendo por meio bilhão de dólares de lucros com a franquia Duro de matar (cujo ápice de renda veio há 10 anos, com Duro de matar 4.0), o eterno John McClane da telona, Bruce Willis surge, em Desejo de matar, como o justiceiro Paul Kersey, cansado do descaso e da inoperância do sistema  jurídico norte-americano.

Violência extrema e linguagem imprópria já foram detectados, no sistema de classificação brasileiro, neste novo longa que estreia hoje. Pelo que apontou a renomada revista Variety, à época do lançamento do filme nos Estados Unidos: “Há muito sangue na tela, mas nem tanta febril sede de sangue”, antes de corroborar a vitalidade do filme para a “América de hoje, em que a vingança na cultura pop se tornou espécie de oxigênio”.

Mestre das sequências, na carreira que inclui de Sin City: a dama fatal a Os mercenário 2, passando por Red 2: Aposentados e ainda mais perigosos, Bruce Willis, aos 62 anos, assumiu o papel que consagrou (ainda mais) o astro Bronson, aos 53 anos. Morto há 15 anos, na vida real, à época do filme setentista, deu vida ao desequilibrado personagem do arquiteto de Nova Jersey capaz de se transformar em anônimo matador de rua, e que, na nova versão, ganha apelido que soa como Ceifeiro Sombrio.

A atuação desta nova persona de Paul Kersey, pronta para liquidar criminosos, rendeu predicados opostos para o filme considerado, por parte da imprensa estrangeira, como sagaz e esperto, enquanto foi visto por outro grupo como “severamente” censurável.

Execuções assumidas por um homem que tem nas mãos armas tratadas como brinquedos moveram dose de polêmica americana. A atual jornada pessoal do brutamontes que honra a tranquilidade na Chicago em que vira notícia, pelo envolvimento em atos truculentos, motiva uma levada de thriller para Desejo de matar.

Palavrões, desinibidas rajadas de balas, guarda-costas, caçadores ilegais, negociantes de drogas e investigadores donos de atitudes morosas entram em jogo, na adaptação do clássico do gênero policial que, desta vez, trocou a profissão do protagonista — agora um cirurgião.

“Quando as pessoas assistem a um trailer, elas antecipam um julgamento baseado em dois minutos e meio de material; e, quando veem Wills descarregando arma, ao som de AC/DC (mais especificamente, Back in black), as pessoas precipitam as conclusões. Tento revelar às pessoas dados reais, mostrar coisas reais, e deixar que o público tome decisões”, defendeu o diretor Eli Roth, numa resposta ao ataque de parte dos críticos norte-americanos. Houve, na mídia, quem aparentasse o filme de “um comercial de fetichismo por revólveres”.

A indicada ao Oscar Elisabeth Shue (de Despedida em Las Vegas), Vincent D´Onofrio, Dean Norris (de Breaking bad), Kimberly Elise (Um ato de coragem) e a jovem Camila Morrone também estão no elenco do filme com Bruce Willis.

Ao baixo custo de US$ 30 milhões, no mercado internacional, por enquanto, o retorno já foi de US$ 41 milhões. Para quem identificou o filme como um arremedo “de jogo de videogame” (como algumas publicações ressaltaram), o diretor Eli Roth lembrou das vertentes de filmes dos anos 1970, talhados para uma rede de sucessos independentes que resultaram em títulos clássicos como Com as próprias mãos e Billy Jack. É pagar (ou não), para ver.

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por Lígia Vieira* 
 
À sombra de duas mulheres(foto: Internet / Reprodução)
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Esplendor(foto: Internet / Reprodução)
Esplendor (foto: Internet / Reprodução)
 
 
Esplendor

Misako gosta de assistir obras cinematográficas produzidas para deficientes visuais. Em uma das sessões desse tipo de filme, conhece um fotógrafo, e os dois se apaixonam.
 
* Estagiária sob supervisão de Igor Silveira 
  

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