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Correio Braziliense

Cantora Dalva de Oliveira, que morreu em 1972, ainda encanta legião de fãs

Centenário de Dalva de Oliveira é lembrado com álbum duplo que celebra a importância da cantora para diferentes gerações


postado em 14/05/2018 07:33

O brilho eterno de uma estrela da música: Dalva de Oliveira(foto: Biscoito Fino / Divulgação)
O brilho eterno de uma estrela da música: Dalva de Oliveira (foto: Biscoito Fino / Divulgação)

 
Dalva de Oliveira, a eterna rainha do rádio, ficou conhecida e admirada não apenas por ser dona de voz poderosa e intérprete que se tornou referência para cantoras de outras gerações. Paulista de Rio Claro, Vicentina de Paula Oliveira — esse era o nome de batismo — entrou para a história da música popular brasileira também pela atribulada vida sentimental.

O centenário da estrela Dalva é reverenciado com o Dalva de Oliveira — 100 anos, ao vivo, álbum duplo, com 32 faixas, idealizado e produzido por Thiago Marques Luiz, espécie de trilha sonora do período que recebeu a denominação de “Era de ouro do rádio”.

Responsável pela escolha das músicas, Thiago Marques lembra que teve a curiosidade despertada pela obra de Dalva ainda na infância, ouvindo velhos discos da família. “O que mais me impressiona nessa grande estrela é a potência da voz e a musicalidade. Como ela gravou mais de 400 músicas, tive dificuldade para fazer a seleção do repertório. Mas vejo representatividade nas canções registradas nas 32 faixas do álbum”.

Segundo ele, todos os cantores e cantoras que participaram do projeto abriram mão do cachê. “Tudo o que for apurado com a venda do disco vai ser revertido para a manutenção do Instituto Ricardo Cravo Albin”, acrescenta.

Pesquisador, historiador, colecionador e crítico musical, Ricardo Cravo Albin criou o roteiro dos dois shows registrados no CD. Ele o dividiu em blocos, com músicas de diferentes momentos da obra da homenageada, sem deixar de lado, obviamente, a tumultuada relação dela com o compositor Herivelto Martins, marcada por brigas, traições e crises violentas de ciúme.

Cravo Albin vê Dalva de Oliveira — morta em 1972, aos 65 anos — como a representante-mor da canção popular brasileira do período pós-guerra. “Dona de impressionante extensão de voz, que ia do contralto ao soprano, era também uma intérprete versátil, que encantava cantando samba-canção, tango ou marcha-rancho. Para mim, o que ela fez na versão de Hino ao amor supera o original de Edith Piaff”, destaca.

Melhores momentos
 
Entre os melhores momentos do Dalva de Oliveira 100 Anos – Ao vivo estão os proporcionados pela belas releituras de Tudo acabado (Filipe Catto), Fumando espero (Edy Star), Kalu (Maria Alcina), Copacabana Beach (João Cavalcanti), Bom dia (Áurea Martins) e Rancho da Praça Onze, na qual juntaram as vozes Márcio Gomes, Luciene Franco e Ellen de Lima; sem esquecer Neste mesmo lugar, com a imortal Ângela Maria, que abre o repertório

Márcio Gomes, visto como “jovem cantor à moda antiga”, brilha ao interpretar em solo o medley de Ave Maria (Vicente Paiva, Jaime Fomm Garcia Redongo) e Ave Maria do Morro (Herivelto Martins). “Sou um cantor com o perfil  que se adéqua totalmente ao legado de Dalva, uma intérprete visceral, que colocava o coração e a alma a serviço das canções que cantava, que não tinha nada de cool, assim como eu”, ressalta. “Vejo esse álbum que homenageia a Rainha da Voz, como um resgate da autêntica música popular brasileira”, acrescenta.
 
Comoção generalizada no funeral da cantora(foto: Arquivo CB/ Reprodução)
Comoção generalizada no funeral da cantora (foto: Arquivo CB/ Reprodução)
 

Dona, igualmente, de impressionante potencial de voz, a cantora paranaense e atriz Simone Mazzer enaltece a “flexibilidade vocal absurda” de Dalva de Oliveira. “Num tempo em que o público só conhecia os cantores pela voz, ao ouvi-los no rádio, Dalva conquistou incontáveis admiradores e se transformou numa estrela reluzente”, lembra. “Fiquei orgulhosa ao ser convidada para participar desse tributo, recriando o clássico Lencinho querido (Gabino Cooria Peñaloza e Juan de Dios Filiberto/ versão de Maugéri Neto)”, complementa.

O jovem cantor pernambucano Ayrton Montarroyos, que brilhou no reality show The Voice Brasil de 2015, é outro que, além de ser fã de Dalva, conhece a obra dela como poucos. “Eu tinha cinco anos quando ouvi essa grande estrela da música brasileira pela primeira vez, numa dessas coletâneas lançadas pelas gravadoras. Desde então fiquei apaixonado por ela”, recorda-se. “A minha música preferida, cantada por Dalva, é a conhecidíssima Olhos verdes (Vicente Paiva). A canção que gravei, Não tem mais fim (Hervê Cordovil e Renê Cordovil), é das menos conhecidas, mas adorei poder interpretá-la”, salienta.

Representante da nova geração de cantoras paulistas, Verônica Ferriani conta que tomou conhecimento da música de Dalva de Oliveira ainda na infância. “A minha avó ouvia os discos de Dalva, em Ribeirão Preto. Como eu era muito ligada a ela, passei a admirar a dona daquela voz intensa, que influenciou Ângela Maria, Elis Regina e Gal Costa, por exemplo”, revela. “Poder cantar no show (que gerou o álbum) canções de amor de uma época em que prevaleciam os arroubos, à moda antiga, nos tempos de agora, foi um privilégio. Ao interpretar Fim de comédia e Não te esquecerei, bebi na fonte a estrela e o fiz com vibratos e exageros”, confessa.

Dalva de Oliveira – 100 Anos , Ao Vivo
 
Álbum duplo com 32 faixas e a participação de diversos cantores e cantoras, gravado no Teatro J. Safra (São Paulo) e Imperator 
(Rio de Janeiro). Produção de Thiago Marques Luiz. Preço sugerido: 49,90. Lançamento: Biscoito Fino.

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