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Correio Braziliense

Filme 'Rir para não chorar' de Cibele Amaral é gravado em Brasília

Diretora Cibele Amaral filma a segunda comédia da carreira em Brasília, o longa-metragem 'Rir pra não chorar'


postado em 15/05/2018 07:30 / atualizado em 15/05/2018 10:00

Catarina Abdalla e Fafy Siqueira levam a parceria da vida para as telas(foto: Elo Company/Divulgação)
Catarina Abdalla e Fafy Siqueira levam a parceria da vida para as telas (foto: Elo Company/Divulgação)

 

Em seus 58 anos, Brasília ganhou diversos títulos, entre eles, de capital do rock e do poder. Mas poderia ter também os de “capital do cinema e do humor”. Afinal de contas, a cidade mantém o tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro há 50 edições e uma série de companhias teatrais de comédia famosas — a exemplo da cia Os Melhores do Mundo. E, agora, é cenário de um longa-metragem cômico com elenco de renome.

 

É o filme Rir pra não chorar, da cineasta brasiliense Cibele Amaral (nome por trás de longas como Boderline e Um assalto de fé). “Brasília é uma cidade que está se destacando bastante neste cenário da cinematografia. Particularmente, com a comédia, acho que sou uma pioneira no gênero. Mas acho que a cidade tem um potencial para que venham outros filmes de comédia, porque a gente tem atores maravilhosos nessa área, que, inclusive, estão no filme, como o (Ricardo) Pipo, o Victor (Leal) e o Jovane (Nunes), dos Melhores do Mundo. Então, acho que tem tudo a ver trazer essa comédia para Brasília”, analisa Cibele Amaral.

 

O longa-metragem conta a história da Flávio (Rafael Cortez), um comediante de stand up que, em meio ao sucesso, se depara com o desafio de reencontrar o humor na piada, que é perdido após a mãe, Graça (Fafy Siqueira), descobrir um câncer. “É um pouco o arquétipo do palhaço que tem que fazer rir quando, na verdade, às vezes, pode estar querendo chorar. Por isso, o título Rir pra não chorar. E trouxemos a figura do comediante de stand up, porque ele é o palhaço moderno”, explica a cineasta.

 

Protagonista

 

Rafael Cortez foi o primeiro nome a ser cotado para protagonizar o longa-metragem. No segundo semestre do ano passado, ele foi contactado pela produção, mas, na época, recusou o convite. Para o ator, havia coincidências demais entre ficção e realidade. “A princípio eu disse que não, porque o filme fala de um comediante de stand up, que eu também sou, e ele tem uma mãe que fica doente, tem um câncer. E minha mãe estava com câncer. No começo, achei uma coincidência bizarra, não só da carreira, mas da minha mãe. Aí, eu disse não”, lembra.

 

Mesmo com a recusa, a produção sabia que queria Rafael Cortez no papel e continuou insistindo. A mãe do humorista fez o tratamento, se curou e ele acabou vendo a vida profissional mudar de rumo quando deixou o elenco do Vídeo show e teve o contrato com a Globo encerrado. “Eu me vi com uma mãe saudável, com tempo livre e com uma produtora de elenco pedindo para fazer esse projeto”, afirma. Mesmo assim,  ainda ponderou. O motivo agora era o fato de nunca ter protagonizado um longa-metragem. “Minhas passagens eram pequenas. Fiz dois curtas e uma passagem rápida num filme, eu aparecia num frame e depois desaparecia. Pensei que não era para eu fazer. Mas, ao mesmo tempo, quando vi minha mãe sarada e com tempo livre, resolvi fazer”, conta.

 

Após aceitar o convite, Rafael Cortez começou a se preparar, fez um intensivo, leu e releu o roteiro e veio a Brasília para algumas reuniões com Cibele e o restante da produção de Rir pra não chorar. Propôs algumas adaptações no roteiro incluindo ideias, cacos e piadas, além de ter sugerido o nome de comediantes que poderiam participar do filme. Entre os nomes levantados por Cortez para o elenco estão os amigos Oscar Filho, Renato Albani, Bruna Louise, Mariana Xavier e Wandi Doratiotti.

 

Elenco de peso

 

Além de ter um time de humoristas ligados ao stand up comedy, o elenco de Rir pra não chorar ainda reuniu atores e atrizes de peso, com passagem pelo cinema, teatro e televisão, como Fafy Siqueira (leia entrevista com a atriz), Catarina Abdalla, Sérgio Loroza, Elisa Lucinda e Mariana Xavier.

 

Fafy Siqueira interpreta a mãe de Flávio, a personagem Graça. “O que convenceu primeiro foi o elenco. A Catarina é uma amiga e conhecida desde os anos 1980 no Rio de Janeiro. O Loroza é meu brother há muito tempo e o Rafael é um menino com o qual eu sempre gosto de brincar. Quando ele me pegava naquelas entrevistas do CQC era sempre o mais cortês. (risos)”, conta.

 

Esse foi o mesmo motivo que levou Catarina Abdalla a integrar o projeto, ao mesmo tempo em que grava a nova temporada de Vai que cola, do Multishow. “Vim para mudar de ares, sair um pouco desse circuito Rio-São Paulo. Achei muito interessante vir para Brasília e conhecer a galera daqui. Pelo elenco, pelo roteiro. Juntou tudo e está sendo uma experiência muito agradável”, afirma.

 

Catarina dá vida a Neide, irmã de Graça e tia de Flávio. Uma personagem, que ao lado de Graça, tem humor, mas também uma dose de drama. “É uma personagem que passeia pelo rir pra não chorar. Realmente, tem a comédia, mas com aqueles momentos de emoção. Enquanto atriz, qualquer trabalho que caminha pela verdade e dentro da humanidade que habita em mim me leva para comédia e para outros lugares. Eu não separo uma coisa da outra”, analisa a intérprete de Neide.

 

Sérgio Loroza vive o personagem Mauro, empresário de Flávio. “Me mostraram o roteiro e eu fiquei amarradão. Fiquei torcendo para que falassem que o meu personagem era o Mauro e quando falaram, achei maneiro”, lembra. Loroza adianta que o personagem tem uma afeição pelo comediante, mas gosta mais ainda de dinheiro. “O Flávio é o lado mais arte, enquanto o Mauro é o lado grana. Mas ele tem um carinho pelo Flávio”, revela.

 

Diversidade

 

A produção, que deve ser lançada apenas em 2019, está em processo de filmagem. As gravações tiveram início em abril e se encerram  este mês. O filme foi uma das produções selecionadas no projeto Elas, da Elo Company, uma rede formada por mulheres do cenário audiovisual para prestar consultoria a produção de longas com direção feminina.

 

“Foi uma surpresa eu ter sido chamada, fiquei muito grata. Acho a iniciativa fantástica. Se tem uma estatística de poucas mulheres dirigindo filmes, fico feliz de ser uma delas”, afirma Cibele Amaral. Para ela, a iniciativa é uma forma de jogar luz em cima dos trabalhos das mulheres cineastas no Brasil. Cibele também acha que é uma oportunidade de falar sobre outras questões, como a falta de representatividade negra.

 

Questionada se leva isso em consideração na hora de escrever suas histórias, ela diz que sim. Apesar de Rir pra não chorar ser protagonizado por um homem, o filme dá destaque para outras representações. “Não só o empoderamento feminino, mas a questão racial. Nesse projeto temos o Sérgio Loroza, que faz um empresário, e a Elisa Lucinda, que faz a psiquiatra do Flávio. A Fafy (Siqueira), que é a protagonista feminina, é uma empresária bem-sucedida. A Mariana (Xavier) faz uma veterinária. Quando estou escrevendo uma história e buscando um elenco sempre penso nisso”, classifica.

 

Cibele Amaral ainda aponta que outro ponto interessante do projeto está ligado ao humor. “Não queremos piadas homofóbicas e machistas. E tivemos uma recepção maravilhosa com os comediantes, não houve resistência da parte deles. Acho que a sociedade está um pouco mais afinada em mudar esse discurso”, completa.

 

Rafael Cortez dá vida ao protagonista Flávio em 'Rir pra não chorar'(foto: Elo Company/Divulgação)
Rafael Cortez dá vida ao protagonista Flávio em 'Rir pra não chorar' (foto: Elo Company/Divulgação)
 

 

Três perguntas / Rafael Cortez

 

Esse é o seu primeiro filme. Como tem sido essa experiência?

Vou te falar que está sendo mais legal do que eu imaginava. Algumas coisas são surpreendentes para o bem, outras para o mal. Vem sendo um pouco difícil morar aqui em Brasília por uma única questão, o clima. Só isso. A cidade é ótima, o astral é incrível, mas o clima muito seco pega muito pra mim. É a única coisa realmente difícil para mim. Esse é o aspecto que pesa para o mal. Todos os outros são bons. A equipe é mais jovem do que eu imaginava, é uma equipe leve. A Cibele é uma doçura para trabalhar, uma diretora generosa que acata ideias, que deixa você colocar caco, que adora as suas piadas. Ela deixa a gente fazer como quer e gosta. Ela é louca para o bem. E tem a parte de eu ter levado mais a sério do que o normal quando me dei conta que ia ser protagonista. Eu lembro que eu falei para a Mônica Iozzi, que é a minha amiga: “Eu não tenho bagagem”. Ela falou para eu fazer preparação. Eu fiz um intensivo, eu li e reli o roteiro mil vezes, eu fiz reunião aqui, eu vim preparado para esse filme. Então, não está sendo tão difícil quanto seria se eu não tivesse feito a lição de casa. Eu não vou mais me botar em nada sem fazer lição de casa.

 

 

Há espaço para improvisação no filme?

A gente improvisa e é demais. Isso aqui é uma delícia de fazer, nem parece que é um trabalho. Se não fossem as muitas horas de espera, que é típico de cinema, não fosse isso e uma jornada extenuante, eu diria que é o melhor trabalho do mundo... Nessas condições, com uma diretora generosa.

 

Na época do CQC, uma vez você disse que não se achava engraçado, mas que era bem editado. Você ainda acha isso?

Não, não acho. Eu descobri pelo stand up, não foi nem pela televisão, nem pela edição da tevê, onde tenho alguma graça. Mas eu sou um cara engraçado sob estímulos. Estimulado consigo ser engraçado e gosto muito mais do cara que eu vejo engraçado no palco e na tevê do que de mim mesmo. Eu sou muito chato. Sou prolixo, confuso. Tem horas que eu quero desligar. Quando eu estou de humorista, eu adoro esse personagem, porque sou eu, mas de uma forma leve. Meu estímulo é sempre algo: plateia real ou a plateia que assistirá em casa. Ou até entre cinco amigos se alguém me dá bola, eu cresço. Hoje, eu entendo onde tem graça. Mas é uma graça que não é orgânica, é sob estímulos. Hoje, eu me acho um cara engraçado, mas só sob essas condições.

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