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Correio Braziliense

Paulo Tovar ganha homenagem nesta quarta-feira no Beirute da Asa Sul

O evento marca o relançamento de A feira, Furo na lona e Tiro ao alvo em uma caixa idealizada pelo artista Zé Nobre


postado em 16/05/2018 07:30



Paulo Tovar foi um dos nomes a impulsionar a geração mimeógrafo em Brasília (foto: Arquivo CB/D.A Press)
Paulo Tovar foi um dos nomes a impulsionar a geração mimeógrafo em Brasília (foto: Arquivo CB/D.A Press)


Paulo Tovar ficou muito conhecido como cantor e compositor, mas é o poeta que ganha homenagem hoje, no Beirute da Asa Sul, com o lançamento de um kit com três livros que foram emblemáticos para a geração mimeógrafo. A editora Semim relança A feira, Furo na lona e Tiro ao alvo em uma caixa idealizada pelo artista Zé Nobre. O evento contará com um sarau com poetas da cidade e a apresentação do grupo Liga tripa.

O também poeta José Luiz Soter é o responsável pela edição e um dos nomes que movimentou a cidade quando se tratava de imprimir o que aqueles jovens escritores chamavam de “livrim”, lá pelo final da década de 1970 e início dos anos 1980. Primeiro na mecanografia da escola na qual dava aulas de técnicas agrícolas, depois em casa, em mimeógrafo adquirido especialmente para a função, Soter conta ter imprimido mais de 50 “livrins” de poetas de Brasília. “Tentei ser o mais fiel possível à linguagem do mimeógrafo. Os livros são muito parecidos com os originais”, garante.

A feira, ele lembra, teve um lugar especial na história dessa turma. Foi o segundo livro da geração mimeógrafo, lançado em maio de 1978, depois de Iogurte com farofa, de Nicolas Behr. “O livro surgiu de uma percepção de que poderíamos nos apropriar dos meios de produção para a literatura. Era muito difícil ter acesso à publicação na época. Como era época de ditadura, as grandes editoras só publicavam best sellers e autores mortos. E nos apropriamos do mimeógrafo para mostrar que era possível fazer”, lembra Soter.

Os livrinhos impressos de maneira rústica começaram a ser publicados nos anos 1970, no Rio de Janeiro, e deram voz ao que ficou conhecido como poesia marginal. Dali surgiram nomes como Chacal, Francisco Alvim, Torquato Neto e Capinam. Em Brasília, o movimento teve início com Nicolas Behr, em 1977. Paulo Tovar veio do interior de Goiás para Brasília em 1972. Estudava no Elefante Branco e, ao lado de outros adolescentes, inventava formas de publicar a própria produção. Com Soter, criou o selo Semim, que reedita seus livros.

Além de A feira, o kit idealizado por Soter tem ainda Furo na lona (1979) e Tiro ao alvo (1980). “O primeiro tem a temática do circo e é uma referência à peraltice de assistir espetáculos pela lona rasgada”, conta o editor e poeta. Os livros eram impressos em casa em um mimeógrafo eletrônico, o que permitia usar cores. As capas costumavam ser feitas em serigrafia ou com carimbos. Havia até artistas plásticos que desenhavam a capa no momento da venda, de acordo com o cliente. “Como eram autorais, cada poeta botava para fora o que queria. E era época de censura, então havia uma coisa de política também. E essa poesia tinha a cara da diversidade”, conta Soter.


A feira Furo na lona Tiro ao alvo
De Paulo Tovar. Editora Sem mim, 130 páginas. R$ 25. Lançamento hoje, às 18h30, no Beiture Sul (SCLS 109, Bloco A)



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