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Correio Braziliense

Deadpool 2 não supera o filme de estreia, apesar de muita ação e piadas

No longa, Deadpool tem integração maior com mutantes para combater Cable


postado em 17/05/2018 07:30 / atualizado em 16/05/2018 18:21

Não se tratou de sorte: foi numa verdadeira escalada de identidade junto ao público que o longa Deadpool, há dois anos, emplacou enorme repercussão. Para além dos US$ 783 milhões arrecadados no mundo, em forma de blockbuster, o longa-metragem conquistou feitos de respeito, como as duas indicações ao Globo de Ouro. Disputou com nada menos do que La la land — Cantando estações o título de melhor comédia, enquanto Ryan Reynolds perdeu o título de melhor ator para Ryan Gosling (à frente de La la land). Sem spoiler — até porque, de propósito, o novo filme Deadpool 2 tem um roteiro talhado na imperfeição (que dá chances ao protagonista pedir desculpas ao público, sistematicamente) —, o herói capenga da Marvel se dá o direito de desmerecer parte do universo DC e debochar de Wolvinho (o colega Wolverine).

Com “taxa de mortalidade” mais elevada do que a de Vingadores: guerra infinita, Deadpool 2 se diz um filme “para a família”, pertencente aos moldes de Bambi e de O rei Leão, nos quais pais se despedem precocemente de filhos. Com fundo ligado ao dia a dia num orfanato traumatizante, o enredo do filme — cujo protagonista é extraído dos quadrinhos criados pela dupla Rob Liefeld e Fabian Nicieza — coloca personagens infantis em relações abusivas. Daí até a classificação indicativa bater na casa dos 18 anos.

Povoam o filme elementos como mutilações, comprometedoras posições de “pélvis com pélvis” (textualmente, tidas como “sarrada” entre dois heróis), bulling (há trocadilho com a “negra Viúva Negra”, num racismo acolhido assim, na base da informalidade) e crianças que aplaudem o esmagar de cabeças.

Urinando no balcão de um bar e sem banho há três dias, Wade Wilson (Ryan Reynolds) carrega um destino deprê para a vida pessoal de quem veste o uniforme de Deadpool. Ele promete, na nova aventura, “tocar geral” nos bandidos que atravessarem seu caminho.

Máfias da China, do Japão e da Itália conhecerão o poder de fogo do anti-herói que intervém até mesmo na feitura do filme, dando conselhos aos realizadores, sempre com ar maroto, e soltando conselhos como os de “capricha aí na computação gráfica”. Violento no grafismo, Deadpool 2, na verdade, ficaria melhor chamado de Deadpool ½, pois há momento em que o tronco do herói se aparta dos membros inferiores.

Interagindo com o espectador, Deadpool abre espaço para dividir também suas inquietações afetivas. Ainda muito apaixonado pela amada Vanessa (papel da carioca Morena Baccarin), terá que, literalmente, apagar incêndios. Entre descompromissados passeios pela Mansão X (a base das operações dos X-Men), Deadpool terá maiores preocupações do que encabeçar as recorrentes mãozadas no traseiro do colega Colossus (o “homo superior superior”, na escala de classificação das espécies mutantes). Seguindo a trilha de observações maternais de Vanessa, que vê nas crianças uma “chance de superação”, o protagonista terá de desmantelar uma monstruosa rede de pedofilia.

Ação da pesada

Dirigido por David Leitch — que, saído do departamento de dublês de Hollywood alçou voo de diretor com o filme Atômica —, Deadpool 2 trata de uma integração maior entre os mutantes de X-Men e o herói, e uma ameça intrigante na forma de Cable (personagem de Josh Brolin). Brolin, que estreou nos cinemas em meados dos anos de 1980 (com Os goonies), é dos espectadores privilegiados, pelo arsenal de referências que incluem RoboCop e citações a George Michael e David Bowie. Mas, alvo das mais escrachadas paráfrases, Yentl (sob direção de Barbra Streisand, em 1983) está na berlinda, com gracejos feitos em cima da popular música Papa, can you hear me?

Trazendo para si ações fogosas, o gorducho mutante Russell (interpretado pelo adolescente Julian Denisson, de A incrível aventura de Rick Baker), que tem o poder de soltar labaredas pelas mãos, encarna grande revolta, no enredo de Deadpool 2, por nunca presenciar a celebração de um herói de tamanho GG (o porte dele). Daí, para além de encabeçar a formação bem desastrosa de um grupamento especial de companheiros poderosos, na chamada X-Force, Deadpool terá como missão apaziguar ânimos de parceiros como Russell. Fumando e despreocupado com situações como a do gás aberto, o explosivo herói terá, ao menos, o conforto da companhia de Dominó (Zazie Beetz), mutante que é um achado, no enredo criado pela dupla de roteiristas de filmes como Vida e G.I. Joe: Retaliação, Rhett Reese e Paul Wernick.
 
Outras estreias 
 


Querida mamãe
• O veterano Jeremias Moreno adapta para as telas um texto de conflitos familiares, sob a ótica de Maria Adelaide Amaral. No elenco, Letícia Sabatella e Selma Egrei.


A abelhinha Maya: o filme 
• Animação alemã mostra o empenho de uma abelha, nos chamados Jogos de Mel, que podem vir a salvar a colmeia em que ela vive.



Entre-laços
• Uma família japonesa pouco ortodoxa serve de esteio à pequena menina que foi abandonada pela mãe.



A natureza do tempo
• Karim Moussaoui lidera o filme em que a cultura árabe se vê arejada na realidade contemporânea da Argélia.



O processo
• A brasiliense Maria Augusta Ramos reconta, em documentário, o país que viveu uma crise política, desde 2013, quando das primeiras denúncias contra o governo da presidente Dilma Rousseff.



Paris 8
• O diretor Jean-Paul Civeyrac mostra as escolhas de um jovem estudante de cinema de Sorbonne, dividido entre o amor, os estudos e as amizades.

  

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