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Correio Braziliense

Brasília, Paris e Bruxelas são temas de exposições em galerias da cidade

Fotos de José Roberto Bassul e vídeos de Karina Dias dialogam com a poesia das cidades


postado em 17/05/2018 07:30

O título da exposição Rasurar arquiteturas é uma delicadeza para falar de um olhar minucioso e poético. Refere-se às 22 fotografias apresentadas por José Roberto Bassul na Referência Galeria de Arte a partir de sábado. É um lote de imagens especiais, pequeninas poesias visuais que falam de uma cidade na qual os detalhes desafiam o olhar em paisagem marcada pelo monumental.


Em relação a trabalho apresentado na Alfinete Galeria em 2017, Bassul está mais minimalista. “É como se fosse uma radicalização em relação ao minimalismo, que se afasta do objeto da fotografia, que são os edifícios”, avisa. “É um edifício, mas poderia não ser. A ideia é usar o percurso do acaso para mostrar que qualquer um pode perceber arte em qualquer lugar”


Reunidas pela curadora Graça Ramos, as fotografias de Rasurar arquitetura foram feitas ao longo de caminhadas fortuitas, mas atentas, por áreas da cidade que nada têm a ver com os monumentos. Procurar lugares comuns, cujas imagens não fazem parte do imaginário arquitetônico que assombra a cidade, foi um compromisso de Bassul. Ele queria conseguir extrair beleza e poesia do banal. “Estou me valendo dos edifícios comuns de Brasília”, garante. “Mas são composições que se afastam do edifício, que colocam em causa a própria linguagem fotográfica.”


Como se fossem desenhos ou gravuras, as fotografias podem ser organizadas em composições que, muitas vezes, lembram sequências geométricas. Duas delas, inclusive, ganharam uma menção honrosa no Moscow International Foto Awards, na semana passada. A forte aparência concretista das imagens conquistou o júri formado por fotógrafos, galeristas, acadêmicos e críticos do mundo inteiro.


Premiado em festivais como o de Tiradentes e Paraty em Foco, menção especial no Magnum Caravan Brasil 2017 e menção honrosa no International Photography Awards IPA de 2016, Bassul é um fotógrafo que dormiu analógico e acordou digital. Arquiteto de formação, fotografou intensamente entre 15 e 22 anos, ganhou alguns prêmios da revista Realidade e da Funarte e abandonou a prática para retomá-la há quatro anos. “Foi paixão renascida, virou mesmo uma pulsão, uma necessidade. E é um fazer prazeroso”, explica o fotógrafo.

 

 

Uma cidade, vários olhares


A história de Karina Dias com a paisagem é um baú de preciosidades colecionadas graças à observação. Também é o fruto de um olhar que se debruça sobre cidades capazes de provocar em Karina uma sensação de acolhimento e reconhecimento. As vídeo-projeções de Ao redor nasceram desse afeto e reúnem imagens realizadas entre 2003 e 2007 em Paris e Bruxelas, quando a artista fazia o doutorado. Ficaram guardadas para ganhar agora a releitura que ela apresenta a partir de sábado na Alfinete Galeria.

Instantes fugidios das duas cidades, agrupados como se nascessem de uma contemplação, não chegam a ser uma narrativa, mas são reflexões sobre o ato de olhar. A luz que embaça uma fachada, horizontes construídos e até o movimento das folhas no outono pontuam as sequências, originalmente curtas, porém transformadas em vídeos de quatro minutos depois da montagem.

Karina conta que experimentou um certo distanciamento ao trabalhar sobre as imagens. Feitas há mais de uma década, elas acabaram ganhando novas leituras. No imaginário da artista, a cidade se transformou ao longo do tempo e Ao redor é uma maneira de se questionar sobre as formas de encarar as paisagens. “Fiz o exercício de olhar para essa cidade vivida e isso trouxe duas questões. Primeiro, quando é que a cidade se eleva perto dos nossos olhares. Depois, que cidade é essa e quantas cidades gravitam ao redor de nós. São várias. Para mim, esses vídeos são paisagens com detalhes e o que há ao redor desses detalhes”, explica Karina.


Insert

Pinturas e instalações


Na Referência, Adriana Vignoli apresenta uma série de instalações, pinturas, desenhos e esculturas reunidos sob o título de Verter. São trabalhos inéditos que refletem sobre a ideia de movimento e transformação, condição ditada pelo meio dos materiais.

Na Alfinete, Camilla Antunes, que assina como Courinos, reuniu uma série de pinturas marcadas pelo gestual e pela abstração.


Verter

Exposição de Adriana Vignoli. Curadoria: Cinara Barbosa. Abertura: 19 de maio, das 17h às 21h, na Referência Galeria (CLN 202, Bloco B). Visitação até 7 de julho, de segunda a sexta, das 12h às 19h, e sábado, das 10h às 15h


Rasurar arquiteturas

Fotografias De José Roberto Bassul. Curadoria: Graça Ramos. Abertura 19 de maio, das 17h às 21h, na Referência Galeria (CLN 202, Bloco B) Visitação até 7 de julho, de segunda a sexta, das 12h às 19h, e sábado, das 10h às 15h,


Exercício

Pinturas de Courinos.

Ao redor

Vídeoinstalação de Karina Dias

Abertura sábado, 19 de maio, às 18h, na Alfinete Galeria (CLN 103, Bloco B). Visitação até 16 de junho, quinta e sexta, das 14h30 às 18h, e sábado, das 15h às 20h. 

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