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Correio Braziliense

Cannes celebra o filme "Capharnaüm", de Nadine Labaki

Junto com o encantamento por Spike Lee, Cannes cai de amores por "Capharnaüm", da libanesa Nadine Labaki


postado em 17/05/2018 18:46 / atualizado em 17/05/2018 19:11

A libanesa Nadine Labaki dirigiu o longa 'Capharnaüm' e concorre em Cannes(foto: Divulgação)
A libanesa Nadine Labaki dirigiu o longa 'Capharnaüm' e concorre em Cannes (foto: Divulgação)
 
 
Cannes (França) — Nome bíblico referente ao local onde Jesus devolveu os movimento às pernas de um paralítico, Capharnaüm também é o título do filme que pode dar a Palma de Ouro a uma diretora — a libanesa de 44 anos Nadine Labaki — neste ano em que Cannes foi palco de pleitos femininos sobre o fim do assédio e a igualdade de gêneros. Antes concentrado em Spike Lee e seu BlackKklansman, o favoritismo em relação ao troféu mais disputado do festival francês — cuja edição de número 71 termina no sábado — agora se divide com a realizadora do cult Caramelo (2007). É um filme protagonizado por  crianças, o que sempre comove multidões, com o diferencial estético de, em sua estrutura formal, evocar marcos como Os esquecidos (1950), de Luis Buñuel; Os incompreendidos (1959), de François Truffaut; e Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles. 

"Gosto de filmar com não atores pois eles rompem a barreira do convencional, da obviedade na trova com quem atua profissionalmente, abrindo deixa para se explorar a realidade em suas contradições mais inexpressivas do dia a dia", disse Nadine ao Correio, na época da confecção do amargo roteiro de Capharnaüm

Na trama escrita por Nadine (que também atua no longa), há um trajeto da fofura à tragédia, com cenas de humor, de aventura e de muita geopolitica sobre a questão de imigrantes ilegais. No enredo, um menino com cerca de 12 anos, preso por esfaquear alguém, leva seus pais, abusivos e relapsos, à justiça. O motivo: o garoto quer processo o casal por ter dado a vida a ele e não ter se esforçado em zelar por sua saúde física, mental e afetiva. O menino, Zein, é vivido com brilhantismo por Zain Alrafeea. Abusado, corajoso, enraivecido, ele sai de casa, tenta a sorte em todas formas de trabalho e acaba tendo que cuidar de um bebê etíope. O neném e ele, juntos, arrancavam risos, suspiros e choro do público de Cannes.

"Emoção é uma das línguas do audiovisual", disse a cineasta, revelada na televisão ao participar do programa Studio El Fan. 
Com experiência de ter filmado no Brasil (um dos episódios de Rio, eu te amo), Nadine se tornou conhecida no Oriente Médio ao dirigir clipes para a cantora Nancy Ajram, que se tornaram polêmicos por brincar com os padrões de sensualidade no Líbano. Depois disso, ela apareceu no curta-metragem Non métrage libanais (2003), que fez sucesso em mostras na Europa, abrindo caminho para que ela recebesse convites para atuar no exterior. Sua atuação em Capharnaüm, no papel da advogada de Zein, é pequeno, mas agudo. 

Faltam três filmes da competição oficial, que serão exibidos nesta sexta (dia 18 de maio) em Cannes: Un couteau dans le coeur, de Yann Gonzalez (França); Ayka, de Sergey Dvortsevoy (Rússia); e Wild pear tree, de Nuri Bild Ceylan (Turquia). Nadine, Spike  o italiano Matteo Garrone (com Dogman, exibido hoje, dia 17 de maio), o francês Stéphane Brizé (En guerre) e o russo Kirill Serebrennikov (do musical Leto) não saírão de Cannes sem prêmios.

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