Diversão e Arte

Festclown chega à 16ª edição a partir desta quarta-feira

Festclown 2018 inicia as atividades e se consagra como um dos eventos mais importantes para a produção e expansão das artes cênicas em Brasília

Isabella de Andrade - Especial para o Correio
postado em 23/05/2018 07:20
Palhaço Xuxu é uma das atrações do festival
Tradição cultural milenar, a riqueza da arte circense se reinventa e resiste através do tempo. Em diálogo constante com público de todas as idades, as cores e o riso da 16; edição do Sesc Festclown ocupam os palcos de Brasília. Vinte e duas companhias nacionais e internacionais realizarão mais de 30 apresentações gratuitas, que se espalham entre diferentes espaços e regiões da cidade. Fitas, acrobacias, tecidos e malabares se expandem através de olhares diversos e mostram a capacidade do circo de se transformar e crescer entre múltiplas linguagens constantemente.


Confira a programação completa no Blog Além da Cena:

O evento será realizado em cinco espaços: Funarte, Sesc Presidente Dutra (Setor Comercial Sul), Sesc Gama, Sesc Ceilândia e Sesc Taguatinga Norte (Módulo de Educação e Cultura). Neste ano, o festival recebe, pela primeira vez, a equipe do Circus Incubetor ; projeto financiado pela União Europeia para o desenvolvimento de novos talentos e soluções para a arte circense contemporânea. A ideia é ampliar as possibilidades de inserir Brasília no circuito internacional. Vislumbram, no circo atual, novas perspectivas e dimensões sutis de diálogo contemporâneo. É uma arte que encanta, passa por mudanças artísticas e estéticas. Muda para resistir.


O festival se consagra como importante espaço de diálogo e trocas artísticas, além de se transformar em ponto de encontro para aqueles que buscam a transformação a través do riso. Aqui, o humor se coloca como ferramenta para proporcionar mudança e permitir que a descontração se transforme em caminhos e ideias. É o que destaca Denis Camargo, que chega ao festival com o espetáculo de palhaço para adultos: Édipo ; O rei dos bobos.
Para ele, a pluralidade ou diversidade de estéticas aliada à quantidade de público presente faz acreditar que a arte do palhaço não morreu e nem vai sofrer esse risco. Durante o dia, apresentações para crianças, jovens e adultos. Enquanto isso, a noite se encerra com o cabaré de palhaços e palhaças, sempre aliado à boa música.

Diálogos


Denis conta que o espetáculo, um dos representantes brasilienses no Festclown, narra a história do herói grego Édipo Rei escrita por Sófocles. Novos diálogos e personagens foram inseridos na versão tragicômica, que conta com 15 palhaços e palhaças em cena ao lado de seis músicos. ;O espetáculo tem uma estética híbrida, uma mistura de teatro com palhaçaria e música;, destaca.

Vale lembrar que a palhaçaria de diferentes partes do mundo se reúne à criação brasiliense nos dias de festival. A capital recebe artistas do México, do Peru, da Argentina, da França, da Suíça, da Inglaterra e de Israel, além de outros vindos de várias regiões do Brasil, como o conhecido palhaço Biribinha, de Alagoas.

Quem também participa do festival é Márcio Douglas, mais conhecido como Palhaço Klauss, de São Paulo. Aos 43 anos, ele completa duas décadas de trabalho na palhaçaria e acredita que a maior força do projeto está na expansão do acesso à arte e apreciação da diversidade cultural, unindo a mistura criativa de diferentes regiões. Se apresenta com o espetáculo Animo festas, que narra a história de um animador de festas decadente.

O técnico de cultura da unidade do Sesc do Gama, Leonardo Braga, lembra que a presença de curadores internacionais é um dos pontos fortes do festival. ;Essa edição conta também com uma mescla importante do circo contemporâneo com a palhaçaria tradicional. Tem muita coisa bacana;, destaca.

Duas perguntas / Denis Camargo

Denis Camargo, palhaço
Como é criar um espetáculo de palhaços para adultos?
Não é fácil porque a maioria dos atores e atrizes palhaças estão acostumados a trabalhar com o público infantil ou misto. Quando estamos reunidos e conversamos sobre o universo da palhaçaria sempre entendemos e aceitamos a sua pluralidade quanto a estética e gêneros. Contudo, quando estamos inseridos num processo criativo, as questões pessoais e os problemas na formação do ator-palhaço começam a entrar em choque e as dúvidas, receios ou certezas absolutas começam a impedir o fluxo do processo criativo. Por isso, vale sempre estar atento sobre a história da arte da palhaçaria e da bufonaria, sobre as teorias da comicidade e, principalmente, sobre os problemas de uma má-formação em palhaçaria. Eu tive a oportunidade de estudar numa escola francesa chamada Le Samovar que possui um programa pedagógico de formação profissional na arte da palhaçaria em dois anos de treino e estudo.

E como é a situação no Brasil?
No Brasil ainda não temos escolas técnicas profissionalizantes com um programa como o da Le Samovar. As poucas que existem ofertam uma formação ainda com muitas restrições na grade curricular, mas, já é um começo. Então, quando estamos num processo criativo, como diretor eu lido diretamente com esse tipo de problema. Eu costumo dizer que gosto de trabalhar com atores e atrizes palhaças, porque eles têm uma formação em teatro e uma complementação na arte da palhaçaria. No Édipo Rei - o rei dos bobos, o elenco é misto, contudo, eu abracei essa diversidade dessa formação e experiência e usei a favor da cena, o que gerou um belíssimo espetáculo e muito me agrada.

16; edição Sesc Festclown
De 23 a 27 de maio. Locais: Funarte, Sesc Presidente Dutra (Setor Comercial Sul), Sesc Gama, Sesc Ceilândia e Sesc Taguatinga Norte (Módulo de Educação e Cultura). A entrada é franca. Confira a programação completa no blog Além da Cena: http://blogs. correiobraziliense. com.br/alemdacena/.

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