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Correio Braziliense

Produções LGBTs de Brasília estão em mostra na CAL e em evento no Calaf

Saiba mais sobre a exposição 'O tempo de nossas vidas' e a primeira edição do festival de música Quanta! Paixão


postado em 06/06/2018 07:30 / atualizado em 06/06/2018 10:33

Gê Orthof(foto: Caio Sato/Divulgação)
Gê Orthof (foto: Caio Sato/Divulgação)

A ideia de mostrar a produção de artistas LGBTs e LBTs guiou duas curadorias que levam artes visuais e música a espaços da cidade nos próximos dias. Na Casa da Cultura da América Latina (CAL), o curador Clauder Diniz reuniu trabalhos de 18 artistas do Brasil e da América Latina em O tempo de nossas vidas com a intenção de refletir sobre o envelhecimento entre a população LGBT.

Diniz procurou compreender como a produção dos artistas mais velhos retratavam o universo do envelhecimento, mas também queria ver o que os mais jovens pensavam sobre o tema. Inseriu então diálogos entre gerações que resultaram em uma mostra que fala de desejos, afetos e felicidade, mas também de novas mídias, mundo digital, gênero e sexualidade. “Eu não queria cair na mesmice de falar da solidão e dos problemas sociais dos gays e lésbicas”, explica Diniz. “E encontrei dificuldade em encontrar artistas do universo LGBT que retratassem esse universo. Não foi fácil.”

Temas como desejo e afeto aparecem no trabalho de Gê Orthof, uma instalação confeccionada com baralhos eróticos e imagens em miniatura. Leci Augusto trata de violência contra a mulher enquanto Bia Medeiros mergulha no mapeamento do corpo com imagens ampliadas de detalhes como rugas e dobras. A doença ganha uma carga dramática grande na instalação feita com bulas de remédios pelo mineiro Célio Braga, que trabalha com datas de vencimento de medicamentos utilizados por amigos portadores do vírus HIV.

Nos trabalhos dos mais jovens, há desde o engajamento – evidente em obras como o manifesto queer de Francisco Hurtz – até a influência das redes sociais – caso dos memes que orientam o trabalho de Pamela Soares e das frases absurdas extraídas do Grindr por Caio Jinkings. Do México, o curador trouxe Nelson Morales, autor de uma série de registros fotográficos sobre os muxes, etnia que não se identifica nem como homem nem como mulher e é considerada o terceiro gênero. Fredman Barahona, da Nicarágua, vai trazer suas performances de rua e Rocio Garcia, de Cuba, apresenta uma produção engajada e militante dentro da arte queer cubana.

Autoral

No próximo domingo, é a vez da música autoral feita por mulheres lésbicas, bissexuais e trans ganharem o palco do Outro Calaf na primeira edição do Quanta! Paixão – Festival de artistas LBTs. Uma roda de conversa, venda de livros, adesivos e comidinhas e um line up com sete artistas estão programados para durar a tarde inteira.

Escritora e cantora Tatiana Nascimento(foto: Arquivo Pessoal)
Escritora e cantora Tatiana Nascimento (foto: Arquivo Pessoal)


O projeto Quanta! teve quatro edições entre 2016 e 2017, mas sempre em um formato de apresentações mensais e pontuais. Agora, Tatiana Nascimento, uma das idealizadoras do projeto, achou que era hora de transformá-lo em um festival com o cuidado de divulgar artistas novas ou que ainda não tivessem se apresentado. “Comecei o Quanta! porque percebi muito silêncio sobre orientação sexual e identidade de gênero na produção cultural de música autoral de mulheres no Distrito Federal”, explica. Ela queria criar um evento que tivesse essa bandeira desde o início, declaradamente. No palco e na carreira, as artistas LBTs costumam assumir uma postura engajada, mas Tatiana sentia falta de um festival que também se colocasse nesse papel. “Tem tido festivais e encontros, mas a proclamação da sexualidade é sempre um pouco velada, embora esteja muito presente nas carreiras individuais”, explica.

No Quanta!, a ideia é contratar principalmente mulheres em todas as fases de montagem e produção. No palco, a performer Kika Cena vai costurar as apresentações com poesia para receber as artistas. Tatiana escalou nomes de Brasília cujo trabalho autoral tem se destacado. A trans Pietra Sousa sobe ao palco com o grupo Cosmologia Preta, formado por músicos da Ceilândia e Riacho Fundo, para cantar um funk melódico que fala de racismo e faz críticas à heterossexualidade.

A MPB acompanhada de baixo e sintetizadores de Bia Águida terá a companhia da própria Tatiana na apresentação de canções mais recentes e Moara vai mostrar faixas do disco recém-lançado, De peito abertoVera Veronika terá uma participação especial na apresentação da compositora. Com guitarra, percussão, violão e cavaco, a banda Contém dendê faz música dançante com mistura de ritmos brasileiros e releitura de clássicos comandada por sete mulheres negras. O rock tradicional, com pegada blues, de Haynna & Os Verdes fecha o festival e merece, segundo Tatiana, uma atenção especial. “Ela tem um sotaque que a coloca em outro lugar: é preta, sapatão, nordestina e é vocalista de uma banda de rock. E tudo isso tá na voz dela”, avisa.

O tempo de nossas vidas
Exposição com 18 artistas. Curadoria: Clauder Diniz. Abertura hoje, às 19 h, na Casa da Cultura da América Latina (CAL - Setor Comercial Sul Q. 4 Ed. Anápolis). Visitação até 17 de julho, de segunda a sexta, das 9h às 20h, e sábado, das 9h às 17h

1º Quanta! Paixão — Festival de Artistas LBTs
Domingo, 10 de junho, no Outro Calaf (Setor Bancário Sul, Quadra 02, Bloco Q ), a partir de 14h44. ingressos: R$ 12 (antecipado) ou R$ 20 (lote na hora).

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