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Correio Braziliense

Conheça os artistas que levam o rap de Brasília para o restante do país

Artistas de cidade lutaram para tornar o gênero respeitado e conhecido


postado em 11/06/2018 07:30 / atualizado em 11/06/2018 10:47

Gustavo da Hungria Neves tem 1 bilhão de visualizações no YouTube(foto: Access mídia/Divulgação )
Gustavo da Hungria Neves tem 1 bilhão de visualizações no YouTube (foto: Access mídia/Divulgação )
 
A relação de Brasília com o hip-hop é antiga. Nomes como Gog, Viela 17 e Câmbio Negro são  precursores de um gênero que, entre os anos de 1980 e 1990, trouxe em suas letras denúncias das dificuldades dos jovens na periferia, da violência e do tráfico de drogas. Esses artistas lutaram  muito tempo por um rap com mais expressão e visibilidade, não só dentro da capital federal, mas no Brasil.

“Existiam alguns fatores que dificultavam para os rappers realizar e propagar os trabalhos, que, na época, era a questão das gravadoras, da visibilidade e do olhar das pessoas para a cena do rap daqui. Mas nunca desistimos e, hoje, todos nós estamos colhendo esses frutos, sendo merecedores de estarmos vivendo esse momento e exportando um som de qualidade para o Brasil todo”, explica o rapper Japão, do Viela 17.

Os frutos a que Japão se refere são vistos no respeito e na admiração que o rap de Brasília ganhou nos últimos anos, além da força de uma geração de artistas, como Hungria, Pacificadores, Tribo da Periferia e Misael, nomes brasilienses que representam a cena candanga, com uma roupagem e um estilo diversificado do cenário do hip-hop local.

1 bilhão 
Quantidade de visualizações no YouTube

3 milhões 
Número de seguidores no Instagram, Receptividade alcançada por 
Hungria Hip-Hop, rapper da Ceilândia 

Tribo da Periferia, grupo de Planaltina, é um dos mais importantes da nova geração do rap na cidade(foto: Arquivo Pessoal)
Tribo da Periferia, grupo de Planaltina, é um dos mais importantes da nova geração do rap na cidade (foto: Arquivo Pessoal)


Hungria

“Preciso de tão pouco pra sorrir / Mesmo sem visitar a Disneylândia / Eu não troco por duas Miami ou Paris / A metade da minha Ceilândia”. São letras como essa, de valorização, superação na vida suburbana, conquistas e ostentação que o rapper brasiliense Gustavo da Hungria Neves, nascido na Cidade Ocidental, mais conhecido como Hungria Hip-Hop, constrói. Ele é considerado um dos principais nomes da nova geração do rap nacional.

Com mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube, e praticamente 3 milhões de seguidores no Instagram, o brasiliense é um fenômeno nas redes sociais e contabiliza parcerias com cantores de outros gêneros como Gusttavo Lima, Lucas Lucco e Mano Brown. O rapper une inspirações de trabalhos de cantores como Snoop Dogg e Eminem, aliado a composições que retratam a vida dos jovens, baladas e relação com dinheiro.

“O rap está alcançando um patamar, principalmente na mídia, que antes não tinha. Os programas de tevê, rádio e a mídia impressa abrem mais espaço hoje para os artistas do rap falarem sobre as músicas de uma forma mais ampla. Brasília realmente vem se destacando nesse cenário com uma musicalidade bem particular. Curto demais isso, sendo que nunca deixo de beber na fonte daqueles que lutaram bastante para gente poder ter essas conquistas. Teve muita gente que lutou bastante antes para isso tudo acontecer também”, comemora Hungria.

Recentemente, o rapper lançou A Reunião, um festival de música que promete rodar o Brasil reunindo artistas locais e nacionais de diversos gêneros. O projeto tem como proposta valorizar a cena do rap local das cidades por onde vai passar, além de transmitir uma mensagem de união e respeito entre todos os estilos musicais.
Principais músicas 
» Não troco 
» Coração do aço
» Lembranças
» Eu vou te buscar 



Pacificadores

Com quase 20 anos de carreira, o grupo Pacificadores está entre os artistas locais que, até hoje ,colocam a capital federal no cenário nacional do hip-hop. Para isso, o grupo, hoje formado por Neguim e Manomy, teve que enfrentar algumas barreiras. A primeira do preconceito do público. “O rap é um estilo difícil, simplesmente, por ser rap. As pessoas sempre tiveram o preconceito de achar que cantor de rap era marginal, bandido e usava droga. Hoje em dia isso está mudando muito”, analisa Neguim.

Na visão do rapper, o gênero na capital é bem diferente, por exemplo, do que é feito em São Paulo. “Antigamente, tinha essa coisa mais gângster, mais pesado. Hoje em dia a galera está vindo com um rap mais tranquilo. O rap de Brasília mesmo vai mais nesse segmento, fala mais de autoestima, ostenta um pouco. O ritmo veio se adaptando, porque não tem como você tocar numa balada e deixar a galera pra baixo. A rapaziada quer ir numa festa e ouvir algo que dê autoestima. O rap de Brasília faz isso, levanta a autoestima”, afirma.

O próprio Pacificadores passou por essa transformação em suas músicas. A criminalidade e o drama da periferia foram deixados de lado, por exemplo, no single mais recente Dá nada, lançado em 29 de maio e que fala de uma pessoa que está tentando esquecer um antigo amor. Outra mudança pela qual o grupo passou nos últimos anos foi a forma de divulgação do trabalho. Antes, o rap de Brasília se aproveitava das rádios piratas e dos CDs. Agora, é a internet que ajuda na carreira. “O Brasil todo hoje escuta o rap de Brasília. Fazemos shows no sul do país e em Brasília mesmo passamos por todas as regiões administrativas”, revela Neguim.
Principais músicas 
» Dá nada
» Agradecer
» Amor cigano
» Perdido

Tribo da Periferia, grupo de Planaltina, é um dos mais importantes da nova geração do rap na cidade(foto: Arquivo Pessoal)
Tribo da Periferia, grupo de Planaltina, é um dos mais importantes da nova geração do rap na cidade (foto: Arquivo Pessoal)


Tribo da Periferia 
Quem ouvia Carro de malandro em 2005 não imaginava o sucesso que estava por vir para o grupo Tribo da Periferia. Formado no bairro Jardim Roriz, em Planaltina, Duckjay e Look, atualmente carregam a bandeira de um dos grupos de rap mais importantes da nova geração na cena nacional.
Com canções que retratam desde a violência nas periferias, a conquista e o luxo, com rimas e um estilo “gângster”, o grupo soma mais de meio bilhão de visualizações no YouTube, além de mais de 2 milhões de inscritos em seu canal, somando parcerias com Marília Mendonça e Cleber & Cauan.
Principais músicas 
» Insônia  
» Alma de pipa 
» Valores 
» Efeitos do longe  

Com dois singles lançados, Misael define sua sonoridade como de pegada alegre(foto: Facebook/Reprodução)
Com dois singles lançados, Misael define sua sonoridade como de pegada alegre (foto: Facebook/Reprodução)


Misael
Há dois anos e meio, o rapper Misael se lançou em carreira solo e vem colhendo os frutos. Só neste ano, os dois singles lançados, Longe do fim e Mente louca, renderam mais de 8 milhões de visualizações no YouTube. “Por enquanto, estou preparando um single por mês. Creio que no ano seguinte a gente vem com o disco, até porque hoje o público está mais na internet”, afirma o cantor.

Antes de apostar na carreira solo, Misael começou no rap ao lado do irmão no grupo Pacificadores. Lá, aprendeu tudo que coloca hoje em seu trabalho, que tem tido destaque para além do Distrito Federal. “Sempre houve uma barreira. Existia uma dificuldade do rap do DF entrar no rap de SP e no Rio. Mas hoje em dia isso está acabando, está sendo mais fácil entrar. Temos um público imenso em São Paulo e no Rio de Janeiro”, explica.

Misael define sua sonoridade como um rap com uma pegada mais alegre: “Fala do cotidiano dos jovens de hoje em dia, mas com alegria”. Algo que, segundo ele, também é uma característica do rap candango. “O rap de Brasília tem uma batida mais parecida com o trap dos gringos. E nas letras também se vê uma diferença, aqui a gente fala sobre carro e baladas, que são da cultura da gente”, completa.

Principais músicas 
» Mente louca
» Longe do fim
» Sem roteiro
» Deixa baixo  
 
*Estagiário sob supervisão do subeditor Severino Francisco 

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