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Correio Braziliense

O popular cinema de Hong Kong nas telas do CCBB, em mostra

Cidade em chamas é a mostra que trará meia centena de sessões dos sucessos de Hong Kong à telona do CCBB


postado em 12/06/2018 07:33 / atualizado em 11/06/2018 16:56

Police Story %u2014 A guerra das drogas tem no elenco Jackie Chan: atração da mostra Cidade em Chamas, no CCBB(foto: CCBB / Divulgação)
Police Story %u2014 A guerra das drogas tem no elenco Jackie Chan: atração da mostra Cidade em Chamas, no CCBB (foto: CCBB / Divulgação)

 

Em praticamente 50 sessões, a programação da mostra Cidade em chamas: O cinema de Hong Kong, a partir de hoje (e até 8 de julho, no CCBB), trará filmes criados entre 1963 e 1997. O apanhado apresenta 23 produções com figuras populares como o lutador Chow Yun-Fat (de filmes como Alvo duplo e O monge à prova de balas), estilos de narrativas e gêneros muito diversos, além de inesperada representação de artistas femininas. Na grade da mostra, entre os dias 20 e 22 de junho, Filipe Furtado, que é autor do blog Anotações de um cinéfilo e ainda curador dos títulos escolhidos, dará um breve curso sobre o tema da mostra do CCBB.

 

“O objetivo do curso é traçar um perfil histórico do cinema de Hong Kong e permitir aos alunos um contexto mais amplo sobre a produção. Vou lidar muito com questões de identidade, da relação de Hong Kong com Ocidente e com a China, e também dos desenvolvimentos estéticos do cinema local”, explica Filipe Furtado. 

 

Para amanhã, há duas sessões com entrada franca: a serem exibidas às 15h e às 19h30, Pedicab driver (1989) se destaca pelas coreografias de luta empregadas pelo astro Sammo Hung, num enredo sobre condutores de bicicleta-táxi; enquanto, às 19h30, em Companheiros, quase uma história de amor (1996), o diretor Peter Chan desenvolve, ao longo de uma década, a profunda vivência de Quiao (Maggie Cheung) com um chinês do interior, ao longo do período da devolução da colônia à China.

 

Hoje (dia 12 de junho), uma dobradinha de títulos — Sonhos da ópera de Pequim, às 17h, e O amor eterno, às 19h30 — dá a largada na programação da mostra Cidade em chamas. O primeiro filme, de 1986, é assinado por Tsui Hark e conta uma batalha por poder, empreendida no começo do século 20, em que três mulheres esbarram no destino de um revolucionário e de um desertor que pretendem modificar o quadro político de uma China entregue à corrupção. Já O amor eterno (1963), de Hang Hsinag Li, recorre ao painel da China do século 4, com as mulheres proibidas ao acesso de educação de nível. No longa, uma mulher desafia convenções ao se infiltrar numa universidade, disfarçada de homem. Segue-se parte da opereta Amantes da borboleta, no roteiro de cinema.

 

Comédia e intrigas alimentam a trama de Os detetives (1976), outro título da mostra do CCBB. Diretor e astro de cinema, Michael Hui se reúne aos irmãos Sam e Ricky Hui, para contar de uma agência de detetives que desvenda casos de adultério e de roubos sequenciados. Police Story (1985), a ser mostrado dia 24 de junho coloca o astro Jackie Chan em primeiro plano, mesmo caso de Projeto China (1983), filme em que Chan interpreta Dragon Ma, combatente de pirataria, em fins do século 19. Cheng Pei-Pei, a estrela que hoje tem 72 anos de idade, estrela O grande mestre beberrão (1966) e Golden Swallow (1968), respectivamente, centrados no treinamento de um espadachim e na tentativa de uma guerreira se livrar dos traços de difamação arquitetados depois que ela se aposenta.

 

 

Filipe Furtado, o curador da mostra que será apresentada no CCBB(foto: Arquivo pessoal)
Filipe Furtado, o curador da mostra que será apresentada no CCBB (foto: Arquivo pessoal)
 

 

Três perguntas // Filipe Furtado, curador

 

Há muita autonomia na linguagem do cinema feito em Hong Kong?

 

Nas peculiaridades muito próprias, há um gosto por intensidade, uma despreocupação com o que seria de bom tom e uma criatividade e economia de recursos. Estes são todos elementos que acredito ser dos mais variados presentes na mostra. Há ainda o fator de ser justamente uma cinematografia nacional de um não-país, uma colônia que, ciclicamente, persegue questões da identidade, suspensa entre Ocidente e Oriente.

 

Que diretores apresentam maior consistência de obra?

 

É uma questão complexa porque o cinema de Hong Kong é tão industrializado que mesmo os melhores diretores, ocasionalmente, produziam fitas menores para agradar expectativas da indústria. Chang Cheh é um dos meus favoritos — filmava seis produções, por ano, nos anos de 1970, mas nem sempre em alto nível. Na mesma lógica, acho que há regularidade na obra de Sammo Hung e de Tsui Hark. Na pele dos próprios chefes faziam concessões comerciais, mas para si mesmos.

 

Para onde migrou o cinema feito em Hong Kong?

 

Hoje em dia, o cinema de Hong Kong existe divorciado em dois blocos de produção muito distintos: um cinema barato, ágil, feito para consumo local e outro, de alto orçamento, feito para a China continental. Foi um processo lento, mas, aos poucos, a indústria chinesa absorveu talentos de Hong Kong, por exemplo, ano passado, se mencionou muito o sucesso do Wolf warrior 2, e o Wu Jing (diretor) começou a carreira dele naquela ilha.  

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