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Correio Braziliense

Prestes a começar a Copa do Mundo da Rússia, conheça filmes do país-sede

O drama Anna Karenina: A história de Vronsky e a comédia A morte de Stalin estão em cartaz em três cinemas. Confira!


postado em 13/06/2018 07:30

Anna Karenina: narrativa de trama intrincada e dramática(foto: Reprodução/Internet)
Anna Karenina: narrativa de trama intrincada e dramática (foto: Reprodução/Internet)

Os dois lados de uma mesma moeda — leia-se aspectos positivos e negativos de propaganda de um país — estão estampados nas telas de cinema da cidade, quando o assunto é a anfitriã da Copa 2018, a Rússia. Em cartaz, em Brasília, os longas Anna Karenina: A história de Vronsky e A morte de Stalin são antagônicos, desde o gênero de cinema explorado: o primeiro traz uma clássica tragédia (com novas nuances de pontos de vista dos personagens), enquanto o outro se afirma como sátira escancarada. Não à toa, o primeiro serve como veículo de promoção do país, enquanto o outro sequer recebeu certificado de distribuição do Ministério da Cultura da Rússia, para circular naquele país, sob o argumento de ofender “símbolos nacionais’.

Emancipada, especialmente para os padrões da época, e lindíssima na pele da intérprete Elizaveta Boyarskaya, Anna Karenina ganha contornos de fantasma, na trama de A história de Vronsky (conde interpretado por Maksim Matveev). No longa, que tem roteiro, produção e direção de Karen Shakhnazarov, prevalece um enredo em 1904, com visão de um campo de batalha na Manchúria, em que dois homens, sem muito afeto, ficam cara a cara. Por duas horas e vinte minutos, Sergei Karenin — ninguém menos do que o filho de Anna, a reconhecida personagem saída da literatura de León Tolstói — exumará o peso de filho enlutado, pela disposição de escutar o antigo amante da mãe, o conde Vronsky.

Criado no esquema da produtora Mosfilm — a maior empresa europeia de audiovisual, em termos de volume —, Anna Karenina se apoia em escritos de Vikenty Veresaev chamados Notas sobre a Guerra Russo-Japonesa. Traição em escala social, amores refugados, bailes com cortejos e flancos de um campo bélico estruturam grande parte do enredo. Sensualidade, telegramas e o conteúdo de cartas trocadas entre amantes, em 1872, repercutem no tempo real da história contada (o início do século 20).

A trajetória de Anna, do amante e do filho dela vem balizada por uma consistência narrativa forte, além de ter recebido embrulho primoroso: impecáveis são os figurinos, os cenários e as caracterizações. O mesmo apuro estético rendeu o prêmio de melhor contribuição artística (figurinos e design) no último Festival de Berlim para Dovlatov, outra produção russa que, em breve, chegará a Brasília. Coprodução entre Rússia, Sérvia e Polônia, o filme de Alexey German Jr. relata a censura nos anos de 1970 sofrida pelo escritor Sergei Dovlatov, jornalista que, na companhia do amigo e poeta Joseph Brodsky, se recusava a seguir o exílio, forma encontrada por colegas para que fugissem da pesada mão do Estado Russo.

Sem perdão


Pouco adiantaram as 13 indicações em prestigiado prêmio reservado a filmes independentes britânicos e tampouco as indicações no Bafta (considerado o Oscar inglês), nas categorias de melhor filme inglês do ano e melhor roteiro: a comédia franco-inglesa A morte de Stalin, outro filme em cartaz em Brasília, não obteve meios para ser mostrado na Rússia. Alinhando personagens como Nikita Khrushchev (Steve Buscemi), um dos líderes comunistas que sucedeu Stalin; os filhos do ditador Vasily e Svetlana (respectivamente, Rupert Friend e Andrea Risenborough) e o Chefe do Estado Maior, o general Zhukov (Jason Isacs, excelente em cena), A morte de Stalin (de Armando Iannucci) foi considerado “extremista”, por uma junta de intelectuais como o cineasta Nikita Mikhalkov (de O sol enganador), tendo a distribuição impedida na Rússia.

A morte de Stalin: sátira escancarada aos desmandos do líder autoritário(foto: Reprodução/Internet)
A morte de Stalin: sátira escancarada aos desmandos do líder autoritário (foto: Reprodução/Internet)


Além das figuras de Stalin (Adrian McLoughlin, que pouco dura no filme) e do líder do Partido Comunista Georgy Malenkov (Jeffrey Tambor), situações de velório, traições avolumadas e, claro, burocracia ficam na linha de frente de piadas. Protocolos de luto relacionado ao líder da União Soviética aparecem em cartelas usadas na comédia. Com trama iniciada na Moscou de 1953, o longa de Iannucci traz pérolas adotadas na oratória e mesmo nas ações dos diligentes comunistas que pretendem tomar o trono deixado por Stalin. Numa das melhores tiradas irônicas, um dos personagens dispara: “Sectarismo não é bom para ninguém”.

Recursos da tirania stalinista, abusos de poder e estereótipos de bebedeiras nas terras frias entram no ciclo cômico de A morte de Stalin. Além do sistema de votações imperativo ridicularizado na alta cúpula comunista, citações de cinema (os políticos assistem, às escondidas, aos clássicos americanos de John Ford e John Wayne), calamidades divertidas (a melhor delas é a encenação de um segundo concerto musical, em que o público é arregimentado das ruas, com a finalidade de agradar ao camarada-mor) como a do desastrado discurso do filho de Stalin ganham relevância na potente comédia de Armando Iannucci.

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