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Correio Braziliense

Complexidade das relações afetivas é tema de peça de teatro

O grupo Teatro do Instante reflete sobre o amor em peça de Esteve Soler


postado em 14/06/2018 07:30 / atualizado em 13/06/2018 18:06

Grupo Teatro do Instante apresenta Contra o amor(foto: Diego Bresani/Divulgação)
Grupo Teatro do Instante apresenta Contra o amor (foto: Diego Bresani/Divulgação)

A inventividade e o profissionalismo do Teatro do Instante entram em cena no espetáculo Contra o amor, do espanhol Esteve Soler. As complexas relações afetivas experimentadas nos tempos contemporâneos vêm à prova a partir do ácido olhar do dramaturgo. Para trazer um tempero da criação local à obra, a dupla de diretores, formada por Alice Stefânia e Diego Borges, optou por uma investigação diferente de linguagens. A narrativa é permeada por clássicos do cancioneiro brega brasileiro em versão Karaokê, criando a atmosfera ideal para que o público mergulhe na casa noturna onde os personagens apresentam seus universos.

A peça é composta de sete textos curtos, nos quais o autor investiga os diferentes matizes do que se costuma chamar de ‘amor’: o romântico, o rotineiro, o descartável, o patrimonial, o passional, o familiar, o erótico, escatológico, neurótico, sexista, pornográfico, de procriação, entre outros. Alice Stefânia, uma das diretoras da montagem, lembra que o grupo escolheu trabalhar com a trilogia de Soler por sua forte relação e relevância com temas contemporâneos. “Ele aborda diferentes instituições, diferentes paradigmas que norteiam a civilização ocidental, como modo predominante de ser do homem”, destaca a atriz e diretora.

A poética do texto transita entre o humor através de uma perspectiva satírica, ácida e crítica. Alice destaca que a narrativa se aproxima do espectador e o envolve em uma relação de forte identificação, até que puxa seu tapete e leva a cena para um tom absurdo, surreal e grotesco, promovendo uma reflexão sobre a proximidade cotidiana de cada um com o absurdo retratado. Sem planejamento, o espetáculo marca sua estreia em junho, mês em que se comemora o Dia dos Namorados. A feliz coincidência colabora para que o cenário de crítica e reflexão seja ainda mais forte.

No palco, a estética remete ao universo um pouco brega que envolve o que conhecemos como amor. O colorido das roupas, o som do Karaokê e a decadência se entrelaçam para levar o espectador a mergulhar nos caminhos daqueles personagens. Diego Borges, diretor da montagem, lembra que a ideia é levar para a cena um pouco da perspectiva dos caminhos que trilhamos enquanto humanidade e como desenvolvemos nossos afetos e relações na sociedade atual. O amor é discutido em suas várias facetas.

“No fim das contas, todos somos humanos, sofremos, essas letras bregas doem. É uma maneira de aproximar o público dessas sete histórias, apresentar quadro a quadro, fazer uma costura do texto com a encenação”, destaca Diego, sobre a função da trilha sonora. O público é convidado a entrar em uma casa noturna onde personagens de distintos universos vivem situações que beiram o absurdo. A montagem faz parte de uma trilogia que apresenta discussões a respeito de dimensões públicas e privadas do mundo contemporâneo, transitando com humor em questões políticas, existenciais, sociais e ecológicas.



Contra o amor
No teatro Sílvio Barbato do Sesc (SCS Q. 2), de 7 a 17 de junho, às 20h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira).
 

  

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