[an error occurred while processing this directive] Pós-terror: Entenda o gênero e conheça exemplos de filmes - Diversão e Arte
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Correio Braziliense

Pós-terror: Entenda o gênero e conheça exemplos de filmes

O crítico de cinema do The Guardian, Steve Rose, batizou os exemplares sofisticados de pós-terror quando escreveu sobre Ao cair da noite (2017)


postado em 04/07/2018 07:25 / atualizado em 03/07/2018 20:37

Filme Hereditário(foto: Sergio Lacerda/Johil Carvalho/Di)
Filme Hereditário (foto: Sergio Lacerda/Johil Carvalho/Di)


O recém-lançado filme de terror Hereditário, assim como o também recente Um lugar silencioso, são dois dos poucos exemplos de filmes de terror elogiados pela crítica cinematográfica em meio a dezenas de lançamentos do gênero. “Terror sério”, é como são chamados os filmes que não recorrem a reações fisiológicas acionadas por forte trilha ou a temas convencionais. Extrair um comentário crítico à sociedade é outro atributo que contribui para que o longa seja chamado assim.

O crítico de cinema do The Guardian, Steve Rose, batizou os exemplares sofisticados de pós-terror quando escreveu sobre Ao cair da noite (2017). A sensibilidade disposta nos filmes pós-terror os colocariam em saco diferente ao de filmes de terrores habituais, com litros de sangues, vampiros que não refletem em espelho, a senhora cuja maldição é ignorada, e por aí vai. Veja exemplos de filmes que se encaixam no novo rótulo cinematográfico:

O bebê de Rosemary (1968)
•Antes de O exorcista reconfigurar a forma de se retratar entidades malignas sobrenaturais, O bebê de Rosemary apavorou as plateias em 1968 com vizinhos excessivamente solícitos, a sujeição da esposa ao marido e, é claro, rituais satânicos. O clássico de Polansky leva a audiência a encarar o inevitável e cruel destino e as surpresas desagradáveis que encontram Rosemary com calma  e tensão aguda quando se faz necessária. 

A bruxa (2016)
•Na Nova Inglaterra do século 17, uma família expulsa da comunidade onde vivia enfrenta dificuldades na nova e isolada morada. A infertilidade da colheita é atribuída à jovem filha adolescente Thomasin (Anya Taylor-Joy), acusada de bruxaria pela família fundamentalista. O diretor e roteirista estreante Robert Eggers promove terror de duas formas: a psicológica, em função da histeria religiosa dos personagens, e a sobrenatural.

Corra! (2017)
•A imaginativa alegoria racial dirigida por Jordan Peele fez sucesso entre público e crítica e é um dos poucos do gênero a concorrer na categoria de melhor filme do Oscar. A objetificação dos corpos negros é retratada de forma quase literal, e os personagens brancos provocam temor. O filme pontua o terror com momentos de alívio cômico certeiros — um dos mais memoráveis usos do recurso.

O nó do diabo (2018)
•Pensado primeiramente como uma série, o longa apresenta várias partes em cronologias diferentes — cada uma atribuída a um realizador. Assim como Corra!, este terror brasileiro promove discussão racial. Aqui os elementos sobrenaturais assustam menos do que horrores provocados pela escravidão. Em determinado momento, torcemos para que os habituais “monstros” — ao menos em outros filmes — saiam vencedores da história.

As boas maneiras (2018)
•Depois do intrigante e sutil terror Trabalhar cansa (2011), em que não se sabe exatamente de que vem a tensão, Juliana Rojas e Marco Dutra tornam a se reunir na fantasia As boas maneiras. Assim como o primeiro trabalho da dupla, o elemento fantástico é justaposto com a crítica social e inserido em meio à ordinária rotina dos personagens.

Os outros (2001) 
•Dentre os filmes lançados nas últimas décadas que não se valem de sustos para provocar medo, Os outros é um dos principais destaques. Neste último, os filhos de Grace (Nicole Kidman) sofrem de severa alergia à luz, o que fez com que a casa onde vive esteja sempre escura. Sombras, claustrofobia e esconderijos criam ambiente perfeito para envolver.

*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco

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