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Correio Braziliense

Em entrevista, João Cavalcanti fala da saída do Casuarina e planos futuros

O artista aproveita para falar do novo CD, 'Garimpo'


postado em 11/07/2018 07:30 / atualizado em 11/07/2018 11:34

João Cavalcanti com Marcelo Caldi, parceiro em duas canções do álbum 'Garimpo'(foto: Eduardo Martino / Zuppa Filme)
João Cavalcanti com Marcelo Caldi, parceiro em duas canções do álbum 'Garimpo' (foto: Eduardo Martino / Zuppa Filme)

Trecho da letra de Consumido, canção que abre o repertório de Garimpo, o segundo álbum solo de João Cavalcanti, escrita por ele e pelo uruguaio Jorge Drexler, diz: “No hay artista consumado que no haya sido consumido”. Pelo visto é tudo o que deseja o cantor, compositor e poeta carioca que, com esse trabalho, inaugura nova etapa em sua carreira, após deixar o Casuarina, grupo do qual foi um dos fundadores.

Nesse disco, gravado com o acordeonista e pianista Marcelo Caldi, João deixou claro que, para ele, não existem limites ou fronteiras em seu processo criativo. Fugindo de rótulos, aposta em diferentes estilos nas 14 músicas do repertório feitas com parceiros diversos, duas com Caldi e duas totalmente autorais. Garimpo, título do CD, dá nome também à parceria com Antônia Adnet.

João trouxe para o projeto seminal da nova fase da trajetória artística compositores de várias gerações, por quem tem admiração. Com a veterana Joyce Moreno, por exemplo, fez a bela Dia lindo. Zé Renato (Boca Livre) marca presença em Domingos, uma homenagem a Dominguinhos; enquanto na híbrida Valsa de baque virado a melodia é de Mário Adnet.

Ele e o sambista Cláudio Jorge fizeram Pêndulo. Já A causa e o pó foi composta a seis mãos com o pai Lenine e o português Antônio Zambujo; assim como Varanda, que tem a assinatura também de Tiê e Plínio Profeta. Indivídua, de João e Pedro Luis (Monobloco), que descreve a busca do autor pela palavra perfeita, ganhou clipe, dirigido pelo ator Alexandre Nero e tem a participação da atriz Camila Pitanga.

Com Galdi, João Cavalcanti compôs Bem melhor e o xote Sercidade, que fala do fluxo migratório da população nordestina; e sozinho é o autor de O nego e eu e Não sós. Nesta, uma salsa, ele presta uma homenagem “não convencional” ao Rio de Janeiro. Há ainda a carnavalesca e psicodélica Serpentina, de Marcelo Caldi e Ed Krieger.

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

Garimpo
CD de João Cavalcanti e Marcelo Caldi, 14 faixas. Lançamento da MP,B/ Som Livre. Preço sugerido: 24,90
 

Entrevista João Cavalcanti 

 
Garimpo é o seu primeiro disco, após a saída da Casuarina. Como encara a carreira daqui para a frente?
A única coisa que tenho certeza é de que vou seguir compondo e sendo meu próprio veículo, por meio da minha voz. Seguir meus desejos e pautar minhas escolhas pelo afeto são diretrizes que eu assumi para mim de forma irrevogável!

Por que Garimpo?
Garimpo é o nome de uma canção feita em parceria com Antonia Adnet, que serviu perfeitamente para batizar esse disco. No final das contas, foi a escolha das mais preciosas — e urgentes —  entre as canções que compus, de 2010 para cá, e que ainda não tinha gravado.

Ser considerado um dos melhores letristas da nova geração — comparado a medalhões da MPB — soa como para você?
Tenho ídolos, seja no trato com as palavras, com a melodia ou com a voz, e toda vez que alguém me relaciona a um deles eu reafirmo o porquê de serem meus ídolos. Me espelho neles. Minhas letras, naturalmente, são carregadas de Chico Buarque, Aldir Blanc, Nei Lopes, Paulo Cesar Pinheiro, Caetano, Gil, Délcio Carvalho, Tom Zé e Sérgio Sampaio, mas também de Mauro Aguiar, Vinicius Calderoni, Alfredo Del-Penho, Moyseis Marques, Criolo e outros contemporâneos que não são menos ídolos.

Fazer música com parceiros diversos  sem se prender a único estilo  é uma necessidade de mostrar as múltiplas possibilidades do seu trabalho?
É menos uma necessidade e mais uma demonstração da quantidade de coisas que me interessam. Tenho muitos parceiros, porque gosto de muita gente, de muitas maneiras de fazer música. E, para minha sorte, música é, irremediavelmente, um ambiente transgeracional.

A parceria com Marcelo Caldi vem de quando?
Somos amigos desde os tempos da escola. Marcelo, quando nem tocava sanfona, fez parte da minha primeira banda, o Rodagente, ainda nos tempos de faculdade.

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