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Correio Braziliense

Festival Improvisa Dança traz a Brasília bailarinos da América

Programação do Improvisa Dança inclui oficinas, espetáculos e improvisações. Confira!


postado em 21/07/2018 07:08

Programação do Improvisa Dança conta com oficinas, debates e espetáculos(foto: Blue Tape Media/Divulgação)
Programação do Improvisa Dança conta com oficinas, debates e espetáculos (foto: Blue Tape Media/Divulgação)

 
Há algo de democrático e acessível no contato e improvisação, uma modalidade de dança contemporânea que não trabalha com coreografias e se beneficia quando os praticantes têm pouca educação formal na área. Saber disso é importante para entender a expectativa de Carol Barreiro para as jam sessions do 2º Improvisa Dança: quanto mais gente, melhor para a jam. Esses encontros são abertos ao público e devem ser um dos pontos altos do festival que tem início hoje com um programa de residências artísticas e segue até dia 28 com oficinas, debates e apresentações.

O contato e improvisação chegou à América Latina em uma época complicada, quando muitos países passavam por regimes de governo autoritários, com ditaduras militares violentas e traumáticas. Acabou por se desenvolver por aqui de maneira diferente: ganhou um sotaque próprio e uma significação quase política. Por isso, Carol Barreiro, bailarina e produtora do Improvisa Dança, decidiu nortear o evento pela produção latino-americana.

“A primeira edição teve esse recorte de trazer os primeiros professores, a galera mais velha que iniciou esse movimento”, conta. “Agora, a gente vem com essa abordagem latino-americana porque o desenvolvimento do contato e improvisação no período pós-ditadura na América Latina foi muito significante, principalmente na Argentina.”
 
 
 
Improvisa Dança será realizado em várias cidades do DF(foto: Blue Tape Media/Divulgação)
Improvisa Dança será realizado em várias cidades do DF (foto: Blue Tape Media/Divulgação)

Segundo Carol, as pesquisas dedicadas à dança na América Latina entendem que a falta de liberdade de expressão típica de períodos de repressão teve reflexo na produção de dança do continente. “A pesquisadora argentina Marina Tampini diz que, por conta do silêncio imposto, a gente quis lidar com a comunicação de outra forma, saindo do lugar da censura e da palavra e indo para essa coletivização e essa sociabilização corporal mediada pelo silêncio, que é a dança. Então, na América Latina, essas técnicas se desenvolveram de forma muito diferente da norte-americana”, garante Carol.

Performances

Para explicar um pouco o que é a técnica e para provocar o interesse do público, a equipe do Improvisa dança realizou palestras-performances durante o mês de julho em Taguatinga, na Ceilândia, em São Sebastião e no Paranoá. “Foram palestras bem didáticas, com demonstração, tentando trazer público, porque a dança contemporânea tem um viés meio elitista ainda. A gente tenta sempre extrapolar, porque ela é completamente acessível e inclusiva no contato e improvisação”, avisa Carol.

Hoje, têm início as residências artísticas com bailarinos brasileiros e latino-americanos. Convidados como Catalina Chouhy (Uruguai), Renzo Zavaleta (Peru), Paula Zacharias (Argentina) e Nico Cottet (Chile), estes últimos referência na técnica, vão ocupar as salas do Centro de Dança e mergulhar na investigação colaborativa para produzir o espetáculo Reexistências, cuja apresentação encerra o festival e conta com participação do Coletivo Tectônico.

Diretor do Núcleo de Improvisação em Contato de São Paulo, Ricardo Neves explica que o resultado será fruto de um processo e de uma organização espacial nascidos da própria investigação dos movimentos. “Muitas pessoas dizem que não é possível levar o contato e improvisação como conceito para o palco. Ele nasce da prática e não da teoria e não tem como ser diferente”, diz. Organizar os passos com exercícios pensados no tempo e no espaço sem perder o princípio sensorial é um dos desafios de montar um espetáculo.

Como os bailarinos de contato e improvisação não trabalham com coreografias, Carol não sabe ao certo como será o espetáculo. “A residência tem essa função também de explorar no nível da cena, porque o contato e improvisação, muitas vezes, não é colocado na cena”, explica.

As jam sessions também serão realizadas no Centro de Dança e são abertas a quem estiver interessado.  “O contato e improvisação é mais inclusivo, porque lida com movimentos mais cotidianos, mais pedestres, de cair, levantar, empurrar. Tem muito a ver também com o desenvolvimento motor da criança. Então, se torna mais acessível e a dança pode chegar de uma maneira menos erudita, menos imposta”, explica.

As sessões de improvisação não têm condução e trazem um conceito emprestado do jazz. No caso da dança, é possível apenas sentar e observar ou participar. As sessões são espaços de criação coletiva e exercício da fisicalidade do contato.

Segundo Carol, há uma proliferação de festivais de dança na América Latina nos últimos anos e essa é uma boa oportunidade para discutir o estado da arte.

Janaína Mello, produtora do Improvisa dança contabilizou em 150 os inscritos. São bailarinos profissionais ou amadores vindos da Argentina, do Peru, da Bolívia. do Equador, do Uruguai e de estados como Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre os convidados, há sete professores e pesquisadores do Brasil e de fora. 



2º Improvisa dança


Residência Artística
De 21 a 27/07 no Centro de Dança do DF. Para pesquisadores convidados


Oficinas
De 31/07 a 5/08, no Centro de Dança do DF. Entrada franca para participantes inscritos


Jams (sessões de improvisação)
30/07 e de 1 a 05/08, de 19h às 22h, no Centro de Dança do DF (SAN Quadra 1, Via N2). Entrada franca, por ordem de chegada


Reexistências
Com professores residentes do festival. Dias 28/07, às 20h, e 29/07, às 19h, no Teatro Plínio Marcos (Funarte). Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (meia), à venda uma hora antes no local. Não recomendado para menores de 14 anos


Encontro Explorações
Lançamento de livro Dança Cristal: da Arte do Movimento à Abordagem Somático-Performativa, de Ciane Fernandes, e performance de Cerrado Densidade Ressonância – Montanha, Erica Bearlz . Dia 25/07, às 19h, no Anexo II do Museu Nacional (Setor Cultural Sul Lote 02 - Esplanada dos Ministérios)


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