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Correio Braziliense

Com segunda temporada confirmada, Samantha! se consolida na Netflix

Confira entrevista com Emanuelle Araújo e Douglas Silva, os protagonistas da comédia nacional, que se inspira nos anos 1980 para fazer humor


postado em 22/07/2018 07:30

Emanuelle Araújo é Samantha, uma estrela dos anos 1980 em busca da fama(foto: Fabio Braga/Netflix)
Emanuelle Araújo é Samantha, uma estrela dos anos 1980 em busca da fama (foto: Fabio Braga/Netflix)

Cores — muitas cores —, um humor politicamente incorreto, entrevistados e apresentadores desbocados, e uma centena de programas infantojuvenis. Essas são algumas características marcantes da televisão brasileira nos anos 1980. E esse tempo, considerado muito louco, é a inspiração da série de comédia Samantha!, a primeira do gênero produzida no Brasil, lançada pela Netflix em 6 de julho na plataforma. Com menos de duas semanas, a atração já tem uma segunda temporada garantida.

“Os anos 1980 chamaram atenção por si, essa década tão complexa e politicamente incorreta, que entra em choque esse nosso momento atual”, explica Emanuelle Araújo, que dá vida à protagonista Samantha. “Nasci no final dos anos 1980, mas é engraçado que é uma época que todo mundo tem algo a falar, todo mundo gosta, tem algo bem nostálgico e os anos 1990 também tiveram uma influência dessa época. É um universo muito alegre, em que dá para falar de tudo sem julgar e isso é engraçado”, analisa Douglas Silva, que interpreta o par romântico de Samantha, o ex-jogador de futebol Dodói.

Contemporânea


Apesar de ter os anos 1980 como mote, a série é contemporânea ao acompanhar a vida adulta de Samantha,  mulher que foi uma estrela mirim à frente do grupo fictício Turminha Plimplom que, como o Balão Mágico na tevê brasileira da década, comandava um programa televisivo para crianças. “O que eu acho mais interessante da série é exatamente isso. Ela é contemporânea. Então, como é o choque de uma pessoa que ainda vive como naquela época nos dias de hoje?”, questiona ao explicar o contexto da personagem que, certa forma, ficou presa ao período em que vivia o estrelato, algo que tenta reconquistar a qualquer custo na vida adulta.

Samantha! começa a primeira temporada a partir do momento em que Dodói deixa a prisão e volta para a casa em busca de se reconciliar com a ex e com os filhos Brandon (Cauã Gonçalves) e Cindy (Sabrina Nonata). 

“Ele é um jogador de futebol, um universo que tem vários perfis e o Dodói se enquadra em vários. Já foi um cara da farra, acabou tendo problemas e ficou uma década preso e agora está em outra fase, tentando recuperar o tempo perdido com a família. Então, não foi difícil me preparar e também emprestei muito do meu lado pai”, revela Douglas Silva. 

A narrativa familiar é um dos destaques da produção da Netflix(foto: Fabio Braga/Netflix)
A narrativa familiar é um dos destaques da produção da Netflix (foto: Fabio Braga/Netflix)


O retorno do marido, um ex-jogador de futebol famoso, faz com que Samantha volte aos noticiários e faça de tudo para se manter neles, contando com a ajuda do empresário Marcinho (Daniel Furlan) e dos próprios filhos. A família, inclusive, é o grande enredo da série, mesmo a produção tendo o nome da protagonista no título. “É uma série familiar e acho que isso conquista todas as culturas”, analisa Emanuelle. Douglas também concorda que esse é um dos trunfos da série, que foi renovada pela plataforma em tão pouco tempo depois da estreia: “Como todos estavam na mesma vibe de tornar a série em algo bem familiar, acho que deu certo”.

Samantha! é um humor diferente do que estamos acostumados a ver aqui no Brasil”, define Douglas Silva. Para ele, a série traz uma linguagem diferenciada e mais profunda, além de propor debates com bom humor, como a busca incessante pela fama, o machismo e a diversidade. “É uma comédia, então, o assunto principal não é debater os problemas, mas a gente acaba abordando esses temas. Amo a série justamente por isso, porque ela aborda esses assuntos”, classifica.

Emanuelle acredita que essa é uma das características da série que dialoga com o momento atual do mundo. “Mesmo tendo essa coisa do politicamente incorreto, que existe na personagem, a série fala muito de diversidade, de questões atuais e contemporâneas e o olhar que se tem hoje para colocar de forma intensa em todos os episódios, com ironia e com foco”, defende a atriz.

Universo da série

(foto: Fabio Braga/Netflix)
(foto: Fabio Braga/Netflix)


Apesar de se inspirar nos anos 1980, diferentemente de outras produções, como o filme Bingo — O rei das manhãs, que tinha como base a história do palhaço Bozo, a série não retrata algo específico do período. Pelo contrário, cria um universo dentro dessa década em que Samantha é a maior estrela brasileira. 

Nos flashbacks, a série mostra Samantha em sua versão jovem, vivida pela atriz mirim Maria Eduarda, à frente da Turminha Plimplom e, para que isso ficasse mais crível, a produção criou músicas, como Abraço infinito e Estrela da manhã — lançadas nas plataformas digitais —, cenário do programa e até propagandas. 

Duas perguntas / Emanuelle Araújo  e Douglas Silva


Uma das coisas bacanas de Samantha! é como a relação entre a família parece real na tela. Como foi criar isso?
Douglas Silva: Nunca tínhamos trabalhado juntos, então, foi fundamental as preparações profissionais, as reuniões, as leituras, para todo mundo ir se tornando mais próximo. Mas como todos estavam na mesma vibe de tornar a série bem familiar, acho que deu certo. Estávamos todos com o mesmo pensamento. E os atores jovens são supercompetentes. Eu tinha muita afinidade com o Cauã e a Sabrina.

Como toda produção da Netflix, Samantha! foi lançada no catálogo mundial. Como você acha que o público de fora pode se relacionar com a série?
Emanuelle: Essa era uma dúvida mesmo, porque a gente tinha muita piada interna. Mas está sendo maravilhoso, tivemos boas críticas da Alemanha, dos Estados Unidos, porque acho que vários aspectos são completamente universais. Primeiro, a coisa da criança famosa. Isso não aconteceu só no Brasil, temos vários artistas mundiais que fizeram história quando crianças. Outra coisa é o drama da Samantha, que age de forma inadequada e tem um comportamento universal. E, principalmente, a família. É uma série familiar e acho que isso conquista todas as culturas.

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