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Correio Braziliense

Festival de Brasília pode ganhar duas novas mostras em 51ª edição

O objetivo é contemplar parte dos 700 inscritos. Um ambiente de mercado mais amplo também foi anunciado


postado em 22/07/2018 07:20

A edição do ano passado foi um marco no processo de renovação do festival(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
A edição do ano passado foi um marco no processo de renovação do festival (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

As mostras Competitiva e Brasília do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro receberam durante um mês inscrições de 724 filmes. Um número tão expressivo quanto da edição comemorativa realizada no ano passado é suficiente para levar a organização do evento a pensar na criação de mais duas mostras, além das quatro anunciadas até agora — Competitiva, Brasília, Futuro Brasil e FestUni (Festival Universitário de Cinema de Brasília).

A ideia é criar uma mostra paralela também competitiva e uma mostra que contemple produções com a temática afrobrasileira. “A gente vem estudando a possibilidade de criar uma mostra, que, talvez, traga para dentro do festival uma nova premiação. Uma mostra paralela competitiva. Por quê? Porque hoje a gente tem mais de 700 filmes de qualidade inscritos. Dali você tira alguns para a mostra competitiva de longa e de curta (é muito pouco)”, explica o secretário de Cultura do DF Guilherme Reis.

Só neste ano são mais de 150 longas-metragens inscritos que serão transformados em até 10 para disputar o candango. “Com certeza, se a gente quiser fazer um recorte de iniciativas inovadoras, de juventude, de novos olhares, você tem conteúdo para fazer uma outra visão, que merece ser premiada”, completa.

A possibilidade da criação de mais uma mostra competitiva que ocorreria paralelamente à principal será analisada pela secretaria nos próximos 15 dias. “Precisamos avaliar se temos dinheiro para fazer. Mas cabe dentro da programação. Isso seria uma grande novidade”, garante Reis.

A outra mostra seria uma forma de o festival refletir o contexto social contemporâneo, que está sendo incluído no evento e nas ações culturais da secretaria: as políticas afirmativas. “Estamos preocupados nesse momento em trazer uma inovação. Não sei até que ponto conseguimos avançar. Mas estudamos lançar um novo prêmio dentro do festival para produções que olhem para a questão afrobrasileira e que incluam a temática racial”, revela o secretário.

Dessa forma, o festival ampliará o debate de temas que estavam em discussão em edições anteriores, mas que ganham uma nova dimensão: “Acho que o Festival de Cinema está refletindo um momento de discussão do país, isso é bom. Sem perder de vista a tradição e os outros olhares do cinema brasileiro. Mas é inevitável refletir essas ações afirmativas que a sociedade vem trazendo”.

"Acho que o Festival de Cinema está refletindo um momento de discussão do país, isso é bom" (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Apesar das duas novas mostras ainda não estarem confirmadas, a ampliação do Ambiente de Mercado é uma realidade no 51º Festival de Brasília. Em sua segunda edição, a programação passa a ser abrigada, durante os três dias de calendário, no Complexo Cultural da República (Esplanada dos Ministérios), que consiste no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional. “A gente espera que trazer para esse espaço signifique, na prática, facilidade para participação da juventude, dos estudantes, porque é o público desses espaços de debate”, avalia Guilherme Reis.

Participações

Neste ano, estão confirmadas as presenças de representantes de festivais internacionais de cinema, como Berlim, Roterdã, Cannes e Guadalajara, assim como de players que serão convidados pela Apex, como FOX, Viacom, History Channel e Discovery Channel para participar das rodadas de negócios. “A gente não tem a intenção de fazer nada parecido com o Rio Content Market (Rio2C). A gente quer ter uma pegada diferente”, afirma o secretário. Sara Rocha, coordenadora do audiovisual da Secretaria de Cultura, também completa: “O Festival de Brasília agrega, diferentemente desses outros espaços, a reunião de realizadores, que pensam para além dos aspectos mercadológicos e da promoção, os aspectos estéticos, narrativos e de linguagem”.

Outra novidade é a Sessão no Ambiente de Mercado. O espaço será destinado à exibição de três pilotos de séries que vão estrear na grade de programação dos canais participantes do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Estão confirmadas as participações da Viacom e do Canal Brasil. “Para os canais, é uma discussão muito valiosa e que apenas o Festival de Brasília tem. Estamos querendo debater linguagem, estética, conteúdo e audiovisual”, destaca Sara Rocha.

As inovações no Festival de Brasília como um todo são justificadas por Guilherme Reis pelo conceito proposto para o evento: “A encomenda foi essa: olhar para o passado e olhar para frente, conjugar esses dois olhares e tentar redesenhar um evento que dialogue cada vez mais com a cidade, que incorpore outros setores do pensamento e das artes do DF e que volte a dialogar com as universidades da forma mais efetiva possível e com o mundo e o mercado”.

Audiovisual de Brasília

Cine Brasília
• Como é tradição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro será realizado no Cine Brasília de 14 a 23 de setembro, com programações paralelas como o Ambiente de mercado. Para o espaço em si, a novidade fica por conta da praça que fica atrás do cinema. O objetivo é ampliar essa área, com ilhas de alimentação e com projeções, além de um projeto de jardinagem, que seria um legado para o local após o fim da 51ª edição. “Sempre respeitando a vizinhança, que sempre foi parceira do Cine Brasília”, destaca Guilherme Reis. Também está sendo construída a estação de metrô Cine Brasília, que, infelizmente, não deve ficar pronta para a edição deste ano.

Polo de Cinema e Vídeo
• Como anunciado no ano passado, o espaço, antes situado em Sobradinho, foi desativado para a criação do Parque Audiovisual de Brasília, localizado no Setor de Clubes Esportivos Sul, em frente ao CCBB. O espaço de 147 mil metros cedido pela Terracap abrigará estúdios, locais para produção, a Brasília Film Comission (um projeto que visa aumentar a competitividade das produções de cinema e vídeo de Brasília) e uma possível cinemateca. No momento, o governo tem acionado a Terracap e a Unesco para consultoria e construção de um projeto em parceria com a iniciativa privada.

Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul 
• Reaberto neste mês, o local pretende reafirmar a vocação formativa, e o audiovisual está entre os planos. O espaço agora passa ter a Sala Marco Antônio Guimarães, um cineteatro. Atualmente, a programação da 508 Sul tem a mostra Cineclube com sessões gratuitas ao domingo, como Flor de moinho, de Erika Bauer, que será exibida hoje (22/7), a partir das 17h. O encerramento será com Branco sai, preto fica, de Adirley Queiroz.

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