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Correio Braziliense

Visitas a bibliotecas em Brasília superam a média nacional, mostra pesquisa

Moradores do DF vão mais também a shows e festas populares, mas frequentam pouco museus, teatro e concertos


postado em 25/07/2018 07:30 / atualizado em 25/07/2018 13:46

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Os brasilienses vão a shows, visitam festas populares e feiras de artesanato com mais frequência que a média em 12 metrópoles brasileiras. Na capital, as pessoas também visitam mais as bibliotecas e 41% da população já esteve no Museu Nacional da República. Por outro lado, os brasilienses ficam abaixo da média quando se trata de dança, museus de forma geral, concertos, teatro, circo e carnaval.

Os dados foram colhidos para a pesquisa Cultura nas capitais — como 33 milhões de brasileiros consomem diversão e arte, realizada em 12 cidades pela empresa de consultoria JLeiva Cultura & Esporte (confira aqui a pesquisa completa). No total, foram ouvidas 10.630 pessoas com idades a partir de 12 anos. Entre junho e julho de 2017, eles responderam a questionários com 55 perguntas.

Em Brasília, o total de entrevistados foi de 606. Entre as 12 cidades pesquisadas, a capital é a com maior percentual de quem foi ao circo, com 24%. Os índices também são altos na área de games, 58%, cinema, com 62%, festas populares, com 45% e consumo de livros, com 68%.

A intenção da pesquisa foi compreender como o brasileiro consome cultura e de que forma as variáveis socioculturais influenciam a demanda e a oferta. “Essa é nossa maior pesquisa”, avisa o consultor João Leiva. “Pela primeira vez, conseguimos pegar cidades de todas as regiões do Brasil fazendo só as capitais. Não tínhamos recurso para fazer o Brasil geral, então fizemos em 12 capitais, gerando informação que possa ser útil para o poder público ou para a iniciativa privada e para produtores e pesquisadores que se interessam em estudar isso.”

Para compreender e refletir sobre os dados, a JLeiva Cultura & Esporte organizou um seminário a ser realizado em seis capitais. Em Brasília, o encontro com os idealizadores da pesquisa está marcado para 1º de agosto, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Os resultados estão disponíveis no site www.culturanascapitais.com.br e trazem análises de especialistas dos 15 temas abordados pelo projeto.

A pesquisa procura estabelecer as relações entre os níveis de escolaridade e renda e o acesso à cultura de forma geral. Os dados confirmam que, quanto maior a escolaridade, maior o consumo de cultura. Segundo a pesquisa, 11% dos entrevistados com nível superior nunca assistiram a uma peça de teatro. Entre aqueles que não passaram do ensino fundamental, esse número chega a 58%. Da mesma forma, 86% dos entrevistados com nível superior tiveram acesso a livros nos 12 meses que antecedem a pesquisa, enquanto 69% daqueles com ensino médio nada leram no mesmo período.




Educação

A escolaridade tem enorme impacto no acesso à cultura. Segundo a pesquisa, os índices de exclusão chegam a 79% entre os entrevistados com apenas ensino fundamental. Nesse grupo, 52% nunca esteve em um espetáculo de dança, 58% nunca foi ao teatro e 79% jamais assistiu a um concerto. A pesquisa também conclui que o acesso é maior entre aqueles com hábitos de consumo de cultura e que a renda tem grande impacto no acesso a museus, teatros e concertos.

Entre as classes D e E, os índices de exclusão superam 40% e um terço da população frequenta apenas atividades gratuitas. A pesquisa propõe ainda o cruzamento de dados entre escolaridade e renda ao comparar o acesso entre pessoas com níveis educacionais diferentes dentro de uma mesma classe. Uma das conclusões é que pessoas da classe C com curso universitário frequentam mais atividades culturais do que integrantes das classes A e B com ensino médio.

A pesquisa propõe um recorte por gênero e cor da pele. Mulheres têm mais interesse por atividades culturais do que homens, porém, têm menos acesso. Preconceito e desigualdade de gênero são algumas das explicações para os dados. As mulheres superam os homens em apenas duas áreas culturas: elas leem mais livros e frequentam mais as feiras de artesanato. Em todas as outras 11 áreas avaliadas, os homens estão à frente. Os dados medem a diferença de pontos entre o desejo declarado e o realizado. Nos gráficos, 71% das entrevistadas disseram querer ir ao cinema, mas apenas em 62% dos casos a vontade se realiza. Entre os homens, não há diferença significativa entre o desejo e sua realização, no caso do cinema.

Cor e raça também se refletem no consumo de cultura. Brancos vão mais a museus, teatros e cinema enquanto o número de pretos (segundo nomenclatura do IBGE, a mesma utilizada pela pesquisa, negros é a soma de pretos e pardos) é maior em shows de música e espetáculos de dança. Entre os que frequentam os cinemas, 69% são brancos e 63%, pretos. Essa diferença é um pouco menor quando se trata da leitura de livros: 70% de brancos e 68% de pretos. A pesquisa se debruça ainda sobre dados relacionados à cultura e religião, gêneros de música e plataformas mais usadas, perfil do público de artes visuais e audiovisuais, além de dados sobre as atividades de lazer mais praticadas.

No total, foram escolhidas 14 atividades de lazer e cultura em um universo que corresponde a 33 milhões de pessoas. Para João Leiva, os resultados mostram a importância da cultura na vida da população, mas também revelam uma enorme exclusão, fruto, principalmente, da desigualdade social. “De fato, a cultura tem uma presença muito grande na vida das pessoas. Traduzindo isso em números, estamos falando de 33 milhões de pessoas. Mais de 20 milhões foram ao cinema, mais de 15 milhões foram a shows de música, 2 milhões foram ao teatro, 2 milhões foram a museus. Se você considerar o conjunto das atividades culturais, fica evidente que elas têm uma importância muito grande na vida da sociedade. Esse é o lado positivo. O lado negativo é que, apesar disso, a exclusão ainda é muito grande”, diz Leiva.

“ Se você considerar o conjunto das atividades culturais, fica evidente que elas têm uma importância muito grande na vida da sociedade”

João Leiva, consultor
 
 

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