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Correio Braziliense

Festival regional reúne 20 repentistas na Casa do Cantador

Ceilândia recebe o festival regional que mostra a força do repente brasileiro


postado em 26/07/2018 07:30 / atualizado em 26/07/2018 10:47

Caju e Castanha são os convidados especiais de amanhã na programação do festival de repentistas(foto: Assessoria Margot Prado/Divulgação)
Caju e Castanha são os convidados especiais de amanhã na programação do festival de repentistas (foto: Assessoria Margot Prado/Divulgação)
 

 

“O rico é quem come tudo. Tudo que quer ele come, mas o pobre que trabalhar. Ele ganha pouco e passa fome”. As rimas rápidas, constantes, disparadas sem muito filtro e carregadas de sinceridade. O trecho da faixa O pobre e o rico, da dupla de repentistas de Pernambuco Caju e Castanha é um exemplo de como o repente consegue ser assertivo. Se você é fã do gênero, reserve um espaço na agenda para curtir muito mais versos. Amanhã e sábado, a Casa do Cantador do Brasil (Q. 32, AE G, Ceilândia Sul; 3378-5067), a partir das 20h, promoverá o Festival Regional de Repentistas 2018.

Com mais de 20 repentistas, o festival promete ser uma verdadeira ode ao gênero tipicamente nordestino, como explica Francisco de Assis, diretor da Casa do Cantador do Brasil: “O festival é uma atividade tradicional aqui para a gente, é verdade que não fazíamos há um tempo, a última vez foi em 2014. Mas se trata de uma oportunidade para que os repentistas de Brasília tenham um palco e que possam interagir com outros repentistas de notoriedade nacional”.

Realizado por chamamento público, Assis ainda defende a importância do festival como um verdadeiro suspiro para a expressão de um gênero que denota tanta referência cultural: “Ceilândia hoje vive uma realidade distinta do que tinha quando a Casa foi inaugurada. Talvez não tenha tantos nordestinos aqui, mas sempre quando existe uma atividade desse tipo, eles retornam. A Casa se tornou um polo de cultura muito forte. Principalmente para Ceilândia, que tem uma pluralidade cultural ímpar”.

Presença no gênero

A dupla Chico de Assis, 55 anos, e João Santana, 36, é uma das que estarão no palco para competir no desafio do festival. Com 17 anos de carreira, os repentistas — que também se classificam como militantes culturais. “Para mim, é uma disputa muito natural, a gente viaja muito e tem essas apresentações, é uma disputa muito saudável, não estou nervoso, não. O prêmio é simbólico, acho que para mim o desafio é se preparar para cantar bem e se apresentar bem. A única preocupação é fazer o nosso melhor”, admitiu.

Lendas do repente

Amanhã, a grande atração  do festival é a dupla Caju e Castanha. Com 43 anos de carreira baseada no repente, os artistas talvez sejam um dos representantes mais populares do gênero no país. “Eu tinha cinco anos e meu irmão, nove, a gente se apresentava em uma feira da cidade de Matriz da Luz, em Pernambuco, até que um dia o prefeito viu a gente, e apelidou como Caju e Castanha. Mais tarde, com cada vez mais apresentações nesse meio, participamos de um documentário sobre repente e começamos a ganhar mais espaço até o primeiro disco, lançado em 1979. Mesmo depois de meu irmão falecer, e meu sobrinho passar a formar comigo a dupla, a gente só tinha tanto amor pelo repente que enfrentamos todas as dificuldades para seguir em frente”, relembrou Castanha.

Os dias dormidos debaixo do viaduto na chegada a São Paulo no início da carreira parecem ter compensado. Mais de quatro décadas depois, Castanha apresenta o saldo do sucesso com orgulho: “Foram 26 discos gravados, 10 indicações ao Grammy Latino, sendo uma ganha, 12 indicações ao prêmio da música brasileira, sendo sete ganhas, cinco filmes gravados, apresentação no Rock in Rio na versão de 2000, turnê mundo afora. Fizemos umas coisas muito boas nesses anos todos”.

E claro que o sucesso levou a relevância, o que permitiu a dupla promover uma verdadeira evolução do gênero. “Quando a gente começou a embolada, essas apresentações de repente, era só aquele pandeiro vazio, e a gente foi estudando mais formas de tocar mais harmoniosamente, fazer mais musical, mais urbanizada, até porque as rádio cobravam para ter mais instrumentos, um ritmo mais dinâmico”, comenta Castanha.

“São anos que a gente não vai a Brasília, é olha que foi o lugar onde mais tocamos em 1993, com o lançamento de uma música chamada Ladrão besta e o ladrão sabido, e a expectativa é a melhor possível, vamos encontrar muitas pessoas que admiramos, o pessoal vai curtir e se divertir muito, tenho certeza”, conclui Castanha ,sobre a apresentação de amanhã.

* Estagiário sob a supervisão do subeditor Severino Francisco




Festival Regional de Repentistas
Casa do Cantador do Brasil (Q. 32, AE G, Ceilândia Sul; 3378-5067). Amanhã e sábado, a partir das 20h. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 

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