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Correio Braziliense

Egberto Gismonti celebra os 70 anos em show com convidados

A festa vai reunir grandes instrumentistas no CCBB


postado em 26/07/2018 07:30 / atualizado em 25/07/2018 19:45

Egberto Gismonti já gravou 70 álbuns e fez 32 trilhas sonoras para filmes(foto: André Muzell/Divulgação)
Egberto Gismonti já gravou 70 álbuns e fez 32 trilhas sonoras para filmes (foto: André Muzell/Divulgação)

 

É quase uma unanimidade a admiração que o compositor, multi-instrumentista e arranjador Egberto Gismonti tem dos seus colegas de ofício. Deles recebem também manifestações de respeito e amizade. A musicista e produtora cultural Gaia Wilmer o reverencia de forma concreta e objetiva, ao criar uma série de shows para celebrar os 70 anos do artista fluminense, cuja obra é reconhecida nacional e internacionalmente.

O projeto Egberto 70 ficará em cartaz de sexta-feira a domingo, às 20h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil. Nos três shows que serão apresentados, uma big band formada por 19 músicos e liderada por Gaia, terá como convidados especiais alguns dos mais destacados instrumentistas brasileiros: Jaques Morellembaum (violoncelo), Ricardo Herz (violino), André Mehmari (piano), Yamandu Costa (violino), Mauro Senise (flauta), além do homenageado.

Compositora, saxofonista e pesquisadora, Gaia, catarinense, há algum tempo radicada em Boston (EUA), formou-se em Jazz Composition pelaBerklee College of Music e pelo New England Conservatory e é detentora do prêmio DownBeat Award 2017. Ela vê na obra de Egberto “um retrato da diversidade cultural brasileira, pela beleza e vitalidade de sua música”.

Natural de Carmo, na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, descendente de um encontro de imigrantes — pai libanês e mãe italiana — Egberto tem mais de cinco décadas de carreira. Com 70 álbuns gravados e distribuídos por aproximadamente 50 países. Somam-se a isso trilhas para 32 filmes, 27 balés, 14 peças teatrais e 13 especiais de tevê. Dança das cabeças, Infância, Palhaço e 7 Aneís são alguns dos temas clássicos compostos por ele.

Um projeto de Egberto, por ora engavetado, é o da criação do Museu Ativo, na internet, para entregar gratuitamente tudo o que ele criou aos que amam a música dele. Sobre o tributo que receberá — depois de Brasília, o projeto será levado ao CCBB de Belo Horizonte,São Paulo e Rio de Janeiro — o músico diz: “Estou muito contente com a homenagem à minha música. Se não bastasse a complexidade que tem, ela foi filtrada por arranjos que a Gaia resolveu fazer, que apelidei de Saci Pererê, por ter uma perna só. Parece que cai, mas não cai”.

Lisonjeado com a demonstração de carinho dos companheiros, ele acrescenta: “A homenagem, que Gaia inventou, foi tomando uma dimensão danada de grande. Fico cada dia mais feliz pelo tamanho que o tributo alcançou hoje mas sobretudo porque tudo o que é músico que conheci, vivi, convivi, gosto e tenho amizade, está participando”.


70
Número de álbuns gravados por Egberto Gismonti


50
Países em que a música de Egberto Gismonti circulou


32
Trilhas sonoras para filmes compostas por Egberto Gismonti


27
Trilhas para balé compostas por Egberto Gismonti




Depoimentos

“Tenho uma ligação enorme com Egberto. Estou muiro contente por estar entre os participantes desta homenagem a ele, tocando com uma big band criada pela Gaia, e formada por músicos cheios de energia, com uma visão renovada da obra de Egberto” 
Jaques Morelembum



“É uma felicidade estar entre os músicos convidados pela Gaia Wilmer  para esta homenagem a Egberto, músico e compositor por quem tenho grande admiração. Tocar com o Jaquinho (Jaques Morelembaum) e essa turma da biga band é pura satisfação. O pau vai comer e a gente vai se divertir muito”
Mauro Senise, flautista



“Estou muito feliz por ter sido convidado pela Gaia Wilmer para participar desta homenagem, mais do que merecida, a Egberto Gismonti, músico genial, que escreveu capítulo definitivo em nossa música”. 
Gabriel Grossi, gaitista



Programação
Sexta-feira – Gaia Wilmer Big Band, Jaques Morelembaum, Ricardo Herz e André Mehmari -  Sábado – Gaia Wilmer Big Band, JaquesMorelembaum, Yamando Costa e Gabriel Grossi - Domingo – Gaia Wilmer Bug Band, Jaques Morelembaum, Mauro Senise e Egberto Gismonti - Observação: Todos os shows têm início às 20h.
 

 

 

 Entrevista /  Gaia Wilmer

 

 Quando e em que circunstância você tomou conhecimento da obra de Egberto Gismonti?

Tenho a lembrança da presença da música do Egberto na minha vida desde criança. Meus pais sempre tiveram vários discos dele e tenho uma lembrança remota e, ao mesmo tempo, muito clara do meu pai arrumando seus discos e livros e escutando Mágico. Demorou um bom tempo pra eu começar a ouvi-lo com a consciência de quem era e ligar a música à pessoa. 


Em que época passou a ter ligação profissional com a música?
Demorei bastante pra ter uma ligação com a música que não fosse o simples prazer e amor de ouvinte. Como falei, tenho a lembrança de escutar Egberto em casa desde pequena. A diferença foi que, depois que comecei a estudar saxofone, a minha relação com a música passou de ouvinte para estudante de música e depois para profissional. Aí, fui começando a admirar a música dele por muitos outros ângulos e isso parece não ter fim.


Ao Egberto pessoalmente o que mais a impressionou?
Eu estava morando no Rio de Janeiro há pouco tempo,  e estava tocando com uma orquestra de sopros na Pro Arte, que tem um trabalho com o Egberto. Eu não estava no projeto com ele, mas um amigo não pode fazer o show e me chamou pra substitui-lo. Não lembro de nunca ter estudado tanto. Tivemos um ensaio sem ele e quando o encontrei pela primeira vez, já na passagem de som, minha impressão foi de muito generosidade. Comigo, com o grupo e, acima de tudo, com a música. 


Já utilizou composições dele em seus trabalhos?
As músicas do Egberto são, na minha opinião, maravilhosas para quase todo tipo de formação, desde solos até formações grandes como big bands ou orquestras. Sempre que possível, trago composições dele para meus trabalhos, fora todas as que venho trabalhando nos últimos dois anos para esse projeto. Já toquei a música dele algumas vezes com minha big band nos Estados Unidos.


O fato de Gismonti está  comemorando 70 anos foi que a levou a elaborar o projeto?
Sim, eu tinha feito um primeiro arranjo para big band e resolvi gravar com amigos do Rio, por achar que seria mais bacana tocá-lo com músicos brasileiros. Nessa época o edital do CCBB estava aberto e eu soube que logo Egberto faria 70 anos. Tudo se encaixou! E ainda encaixou mais ainda com a minha vontade de ter um big band no Brasil pra tocar minhas composições ou arranjos.


A escolha dos músicos participantes obedeceu a que critério?
 Critérios como afinidade, amizade e intimidade musical são muito importantes pra mim.  Escolhi músicos amigos ou amigos de amigos, todos próximos de alguma maneira e que, eu sabia, tinham profundo respeito e admiração pela obra do Egberto para que o trabalho, além de sério e responsável, fosse feito com muito amor e envolvimento.


Na sua visão, ter uma big band no palco acompanhando os convidados traz mais peso e brilho às apresentações?
Esse projeto surgiu como uma proposição de show em homenagem ao Egberto com formação de big band trazendo arranjos meus para as músicas dele e com sua participação. A princípio ele Egberto seria o único convidado, depois aumentamos a quantidade de shows e, com isso, a quantidade de convidados.  Não vejo a banda acompanhando os convidados, mas os convidados trazendo um brilho extra e nos maravilhando com sua musicalidade.


Por que a escolha de Brasília para a estreia do Egberto 70?
A escolha da data específica de cada show ficou a cargo do CCBB, mas fiquei muito satisfeita com a ideia de começar por Brasília, uma cidade com grande riqueza musical, com histórico de ótimos músicos, como é o caso do Gabriel Grossi, um dos convidados, e muitos dessa geração, além de um público interessado e caloroso.
 

 

 

Rodrigo Bezerra se apresenta no Espaço Cultural do Choro(foto: Diego Bresani/Divulgacao)
Rodrigo Bezerra se apresenta no Espaço Cultural do Choro (foto: Diego Bresani/Divulgacao)
 

 

As canções de Rodrigo Bezerra 

 

Rodrigo Bezerra é de uma geração de músicos brasilienses que tem o jazz como referência, embora a MPB seja a principal fonte de inspiração para seus trabalhos. Fã de Wine Shorter e Paty Mathyne, sempre esteve atento ao legado de Tom Jobim, Milton Nascimento, Caetano Veloso e João Bosco.

Com carreira iniciada há 15 anos, tocando na banda de Ellen Oléria, o guitarrista, cantor e compositor brasiliense desde 2009 dedica-se à carreira solo. Logo depois fez curso de especialização em jazz guitar no prestigioso conservatório Liceu de Barcelona, na Espanha.

Ali, Rodrigo  redescobriu a paixão pelas canções. Desde então, gravou outros cinco — sendo três instrumentais. Com show hoje e amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Choro, ele lança Lugar no mundo, o sexto álbum — mais um de canções.

“Neste trabalho reuni músicas que compus de 2015 para cá. O CD traz oito faixas, sendo seis de minha autoria, entre elas a balada Arvorecer e a que dá título ao projeto, para as quais fiz melodia e letra, e Vida de pescador é resultado de uma parceria com Carol Barbosa. Há duas regravações, sendo uma delas É de manhã, de Caetano Veloso”, anuncia. No show, ele tem a companhia dos músicos com os quais gravou o disco, o baixista Marcelo Mariano e o baterista Allen Pontes. (IRL)

 

 

Rodrigo Bezerra

 

Show do guitarrista, acompanhado por Marcelo Mariano (baixo) e Allen Pontes (bateria), hoje, às 21h, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes. Não recomendado pra menores de 14 anos.

 

 

 

 

Homenagem a Charlie Brown

 

 

Banda de pop rock, formada em Santos, a  Charlie Brown Jr. teve passagem marcante pela cena musical brasileira. Liderado pelo vocalista e compositor Chorão, morto em São Paulo, em 6 de março de 2013, o grupo deixou como legado 10 álbuns de estúdio e três gravados ao vivo, além do DVD Acústico MTV, além de uma série de hits, entre os quais os clássicos Proibida pra mim e Te levar.

Para homenagear a banda, os músicos Bruno Graveto (baterista), Marcão Britto (guitarrista), ex-integrantes da Charlie Brown, e mais Marcelo Nino (La Familia 019), Gustavo Skilo (ex-Fake Number/ Siperttoy) e Bruno Beltrão (Banda Makai) criaram o projeto Somos Todos Charlie Brown.

O shown será apresentado hoje, às 22h, na Quinta Cultural do projeto Na Praia, com a participação de quatro convidados: Digão (guitarrista e vocalista do Raimundos), Tico Santa Cruz (vocalista do Detonautas), Marcelo Mancini (vocalista da Strike) e Egypcio (vocalista da Thihuanna e da Urbana Legion. A programação artística da Quinta Cultural tem abertura prevista para as 17h, com apresentação de DJs. Na sequência, às 21h, a atração é o stand up comedy do humorista Rafael Cortez. (IRL)

 

 

Somos Todos Charlie Brown

 

Show em homenagem à banda paulista hoje, às 22h, na Quinta Cultural do projeto Na Praia (Orla Norte do Lago Paranoá). Antes, às 21h, stand comedy com Rafael Cortez. Abertura dos portões, às 17h. Ingresso: R$ 51 (meia entrada, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível). Não recomendável para menores de 16 anos.

 

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