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Correio Braziliense

Ilustrador lança HQ sobre história do músico Alceu Valença

'Alceu Valença em colcha de retalhos' foi feito pelo ilustrador Celso Hartkopf, em parceria com André Valença, sobrinho do músico


postado em 28/07/2018 07:15 / atualizado em 28/07/2018 15:44

(foto: Julio Moura/Divulgação)
(foto: Julio Moura/Divulgação)


Entrevistar Alceu Valença é um desafio, porque o cantor e compositor pernambucano de 72 anos costuma emendar um assunto no outro e raramente se ater a um tema específico. Essa retórica pode ser vista na HQ Alceu Valença em colcha de retalhos, do ilustrador Celso Hartkopf, em parceria com André Valença, sobrinho do músico que ficou responsável pelo roteiro da revista.

Inicialmente, a obra iria se basear na vivência de Alceu Valença em Paris no fim dos anos 1970, quando ele começou a fazer o álbum Saudade de Pernambuco, lançado em 1979. Para isso, André Valença resolveu entrevistar o tio. Mas o assunto fez com que Alceu precisasse voltar alguns capítulos da história: “Pra contar a história da França, tem que contar primeiro a do Vivo! (disco de 1976 feito durante uma turnê pelo Rio de Janeiro)”.

“Como conceito, a obra planejava tratar sobre o período que Alceu viveu na França, pelo fato de ser pouco abordado. Porém, como descobrimos, a rota foi alterada durante a viagem. Daí precisamos nos adaptar, mas acho que chegamos a um equilíbrio interessante entre o plano e o resultado”, revela Celso Hartkopf em entrevista ao Correio.

Página da HQ Alceu Valença em Colcha de retalhos de Celso Hartkopf e André Valença(foto: Celso Hartkopf/Divulgação)
Página da HQ Alceu Valença em Colcha de retalhos de Celso Hartkopf e André Valença (foto: Celso Hartkopf/Divulgação)


Dessa forma, a HQ mostra o bate-papo entre tio e sobrinho, que traz uma série de lembranças de Alceu antes da viagem à França, além de histórias engraçadas e pouco conhecidas do grande público, como o fato de que o quarto disco não foi lançado por conta da grande tiragem de uma trilha sonora de novela, que o músico foi às ruas do Rio de Janeiro com um megafone de papel para convidar o público para a turnê que deu origem à Vivo!; e que ele acha que Luiz Gonzaga foi a pessoa que melhor definiu o som dele ao classificar como uma “banda de pife elétrico”.

Sob o título de Alceu Valença em Colcha de retalhos, a história em quadrinhos faz uma referência à música de mesmo nome, que integra o álbum Saudade de Pernambuco, e também a retórica de Alceu Valença. “Mais uma referência à tentativa frustrada de abordar esse tema. Mas principalmente por esse título ser uma ótima analogia à própria estrutura narrativa em que Alceu conta suas histórias: uma série de causos diferentes, recortados e costurados de maneiras improváveis e imprevisíveis. Um verdadeiro emaranhado”, completa Hartkopf.


História da música


A HQ sobre Alceu Valença é o segundo trabalho de Celso Hartkopf misturando quadrinhos e música. Em colaboração com Débora Nascimento, ele produziu um quadrinho sobre Luiz Gonzaga no ano passado. “Sou um músico amador. Cheguei a ter banda, gravar disco, mas terminei me inclinando para as artes visuais. Porém, esse laço nunca se desfez, parte devido ao enorme prazer que sinto em ouvir música e pela relação que criei com o mercado fonográfico através de trabalhos de arte gráfica, como capas de disco, cartazes de apresentações, essas coisas. Pra mim é um dos maiores elementos constituintes da nossa sociedade”, afirma o ilustrador.

Sobre uma outra HQ com a temática, Celso afirma não ter nenhum plano definido. No entanto, o fato de ter uma proximidade com o tema e de já ter produzido dois quadrinhos sobre artistas da música popular brasileira, o leva a pensar em fazer uma trilogia. “Talvez deva fechar a trinca desse formato. Depois imagino me dedicar a uma história maior, mas isso só o tempo vai mostrar”, revela.


Duas perguntas // Celso Hartkopf 


Como você e André chegaram ao conceito específico da obra?
Foi um processo muito fluido, construído a partir de diversas trocas. O ponto de partida foi simples, depois de algumas colaborações pequenas em projetos aleatórios chegamos a essa premissa básica: “devíamos fazer um material juntos. Que tal uma HQ?!”. Depois de considerarmos algumas ideias diferentes sem muito sucesso, dado momento André me diz: “e se fizermos algo sobre tio Alceu? Posso perguntar se ele topa”. A partir daí virou uma ideia impossível de desapegar. 

Você chegou a ter algum contato com o próprio Alceu Valença para fazer as ilustrações e o conceito da HQ?
O ponto de partida do roteiro foi a entrevista que André fez com Alceu, retratada na própria HQ. Eu não estava presente, só escutei as gravações. A intimidade já existente entre os dois favoreceu bastante o ritmo da conversa, afinal André já conhecia o estilo divagante próprio do tio. Para dar o ar realista dos desenhos, usei um arquivo de fotos, além de imagens de entrevistas, de shows, tudo que podia encontrar. Eu só fui encontrar Alceu quando fomos entregar a HQ pronta. Ele pegou os papéis, começou a ler a primeira página, riu enquanto lia em voz alta as falas, daí falou: “isso eu preciso ver com calma!”, colocou os papeis de lado e já emendou com uma história sobre o dia que a rainha da Bélgica jantou em sua casa.

Onde ler
 

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