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Correio Braziliense

Confira os filmes que irão participar do Festival de Brasília do Cinema

Foram definidos os 21 filmes que estarão na disputa pelo prêmio Candango na festa do cinema. Questões sociais e políticas são temas fundamentais do evento


postado em 31/07/2018 07:25 / atualizado em 30/07/2018 20:44

O filme documental Bixa travesty(foto: Nube Abe/Divulgação)
O filme documental Bixa travesty (foto: Nube Abe/Divulgação)


Uma seleção temperada por problemáticas sociais e pelo reflexo das dificuldades do Brasil contemporâneo marca a lista dos nove longas-metragens anunciados para estarem no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorrerá entre 14 e 23 de setembro, no Cine Brasília (EQS 106/107). Sob a direção artística de Eduardo Valente, duas comissões foram alinhadas, na escolha de 21 títulos, entre curtas e longas, dentro de um universo de 742 habilitados para o evento. Para além dos cachês de seleção, fixado em R$ 15 mil para longas e R$ 5 mil para curtas; o melhor longa-metragem (pelo júri popular) receberá o Prêmio Petrobras de Cinema, com benefício de R$ 200 mil em contratos de distribuição.

Uma das produtoras do longa Bloqueio, Thais Vidal (ao lado de Dora Amorim) destaca o olhar diferenciado, alimentado na França dos dois realizadores do longa (assinado por Quentin Delaroche e Victória Álvares), que trata da recente greve dos caminhoneiros. O documentário chega sob o lastro de qualidade do cinema pernambucano. “Eles trazem um cinema de guerrilha. Os diretores foram para um bloqueio nas estradas cariocas. Nesses momentos de crise política, eles adotaram método observativo sobre reivindicações que pediam intervenção militar”, conta a produtora.

“Tenho uma ligação afetiva e vejo o Festival de Brasília, na cidade em que morei por cinco anos, como o mais importante do país. Culturalmente, o público se manifesta de maneira maravilhosa. Há um diálogo atraente mantido com os espectadores”, observa o produtor Rodrigo Werthein, à frente de A sombra do pai (de Gabriela Amaral Almeida). Sob orçamento de R$ 2,2 milhões, o filme selecionado tem no elenco atores como Julio Machado (do premiado Joaquim) e Luciana Paes, espécie de amuleto para a diretora.

Diversidade

Dez anos depois de multipremiado com o híbrido FilmeFobia, o diretor paulista Kiko Goifman (ao lado da mulher e codiretora do longa, Claudia Priscilla) retorna à disputa por prêmios Candango, com o filme documental Bixa travesty. “No filme, tratamos de uma cantora trans. Chamada Linn da Quebrada, ela sofre ainda pelo preconceito de ser negra. Autora de músicas de enfrentamento, ela protagoniza um filme basicamente antimachista”, observa o diretor. O filme obteve prêmios no Festival de Berlim (ganhou o Teddy Bear, dedicado a fitas LGBT), e de Cartagena.

“Cresci dentro do Festival, o Cine Brasília foi minha escola de cinema, minha formação e paixão pelo cinema passam por ele. Além disso, o Festival é um dos mais importantes para o cinema brasileiro. Tem uma longa tradição, faz parte incontestável da história e cultura cinematográfica do país”, celebra o diretor brasiliense André Carvalheira, do longa New Life S/A., único concorrente local na lista de selecionados.

"O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é a prova de que é possível continuidade na gestão pública", afirma Guilherme Reis, secretário de Cultura do DF (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Conhecido pela direção de fotografia de curtas e longas, Carvalheira se aproxima de uma trama de dilemas éticos, num mundo de lucro excessivo. No enredo, um jovem arquiteto planeja um condomínio arrojado. Há embate, porém, entre as utopias dele e a realização alcançada. Um sistema corrompido e tons de sarcasmo prometem povoar a produção. Sob orçamento de R$ 793 mil e com filmagens feitas em 2016, a obra obteve aperfeiçoamento de projeto em esquemas do Festival de Brasília (por meio da mostra Futuro Brasil) e do festival de cinema de Guadalajara (México).

Expectativas

“O Festival de Brasília é muito tradicional, e talvez o que tenha um público mais exigente e político. Espero encontrar um espaço qualificado para debater o filme”, comenta o concorrente mineiro Cris Azzi, que dirigiu Luna. O filme trata de um momentâneo isolamento da personagem Luana, que, após conhecer Emília, na escola, explora uma amizade intensa, capaz de ser interrompida pelo vazamento de uma imagem dela nas redes sociais.

Participante da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, o longa Los silencios, premiado em Toulouse (França), demarca uma coprodução inserida no certame candango. Brasil, Colômbia e França serviram de plataforma para a fita de Beatriz Seigner. “Estou feliz por compor uma seleção em que mais da metade é integrada por filmes dirigidos ou codirigidos por mulheres, assim como com grandes cineastas negros contemporâneos”, observa a realizadora. No filme dela, dois irmãos fogem com a mãe para ilha fronteiriça brasileira. No encalço, estão as consequências de conflitos armados na Colômbia.

Seleção

Já premiado em outras ocasiões, o mineiro André Novais Oliveira foi selecionado por Temporada, filme de ficção. A seleção dos longas coube à pesquisadora Beatriz Furtado, à cineasta Érika Bauer, ao escritor e cineasta Erly Vieira Jr e ao crítico Heitor Augusto. Já os curtas foram definidos pela professora Amaranta Cesar, pela curadora Janaína Oliveira, pelo programador Leonardo Bonfim e pela produtora Thay Limeira. Ainda entre os longas, Susanna Lira comparece com o documentário Torre das donzelas (RJ). Depois de assinar 10 longas, entre os quais Clara estrela e Intolerância.doc, ela faz a estreia mundial do novo filme, na capital.

“Já tratei de questões como as das mães de maio (na Argentina) e das mães solteiras (em Recife). Minha formação preza os direitos humanos. Há sete anos, comecei a mergulhar na memória da ditadura, para o novo filme. É importante lembrar que, atualmente, temos 23 manifestantes presas por causa da expressão em 2013. Trato no filme de sistema de governo que oprimiu mais de 30 protagonistas mulheres. É um filme reflexivo, que traz a acidez de 45 anos de silêncios”, explica.

Retornando ao páreo, depois do sucesso de Café com canela, ano passado, a dupla Ary Rosa e Glenda Nicácio compete com Ilha (BA). Orçada em R$ 800 mil, o filme dá continuidade ao modesto meio de produção dos diretores. Vencedores de Candango de júri popular, roteiro e atriz, por Café com canela, a dupla traz, em Ilha, um encontro forçado entre um bandido e um cineasta.

“Emerson (Renan Mota, do Bando de Teatro Olodum) e Henrique (o veterano Aldri Anunciação) trazem uma atualização das nossas visões. Nem pesa tanto a diferença de gênero em relação ao filme anterior. O peso está na época: numa atmosfera agressiva, vemos o que é inóspito na trama filmada em Ilha Grande (Bahia). O outro filme foi mais doce e otimista”, adianta a diretora. Em 8 de agosto, no Cine Brasília (sede do Festival, na EQS 106/107), a imprensa será comunicada das mostras especiais e das atividades paralelas, entre as quais ações voltadas ao incremento do mercado audiovisual.


Confira os curtas selecionados:

» Aulas que matei (DF), de Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia
» Boca de loba (CE), de Bárbara Cabeça
» Br3 (RJ), de Bruno Ribeiro
» Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados (PE/MG), documentário de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito
» Eu, minha mãe e Wallace (SP/RJ), de Irmãos Carvalho
» Guaxuma (PE), animação de Nara Normande
» Kairo (SP), de Fabio Rodrigo
» Liberdade (SP), documentário de Pedro Nishi e Vinicius Silva
» Mesmo com tanta agonia (SP), de Alice Andrade Drummond
» Plano controle (MG), de Juliana Antunes
» Reforma (PE), de Fábio Leal
» Sempre verei cores no seu cinza (RJ), documentário de Anabela Roque
 

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