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Correio Braziliense

Mês da Fotografia tem a água como tema e reúne 160 fotógrafos em exposições

O Mês da fotografia 2018 fica na cidade até o fim de agosto


postado em 01/08/2018 07:30 / atualizado em 31/07/2018 19:13

José Medeiros trabalha com índios do médio Xingu há 20 anos(foto: Jose Medeiros/Divulgacao)
José Medeiros trabalha com índios do médio Xingu há 20 anos (foto: Jose Medeiros/Divulgacao)


A água é um tema que fascina os fotógrafos. O fato de ser translúcida a transforma em um material com mil possibilidades quando há luz e a câmera por perto. Mas também é um recurso finito, tema de boa parte das discussões ambientais dos últimos 50 anos. A combinação pareceu apropriada para Eraldo Peres, que fez da água o tema da sétima edição do Mês da Fotografia. Com início hoje, o festival conta com a participação de 160 fotógrafos divididos por seis exposições que vão ocupar espaços públicos da cidade.

A primeira exposição tem início hoje com Já fui floresta, do fotógrafo José Medeiros, no Sesc 504/Sul. São cerca de 28 fotografias divididas por instalações resultantes de um recorte em um trabalho realizado nos últimos 20 anos. É o tempo durante o qual Medeiros visitou o médio Xingu para fotografar os índios Kpeng. “A proposta da exposição é uma reflexão sobre ser índio no futuro”, explica. “Como vai ficar esse espaço entre a sociedade e o índio?” Anos de imersão fizeram com que o fotógrafo acompanhasse o impacto do contato com a vida contemporânea nas aldeias e pensasse muito no que será dessa relação.

Medeiros lembra que a discriminação contra os povos indígenas impede que a sociedade pense com seriedade sobre essa integração e não enxergue o indígena como um indivíduo integrante do contexto contemporâneo. Em uma instalação, ele coloca dentro de um aquário uma série de imagens de índios enquanto mergulham. “É como a gente quer ver o indígena, dentro de uma redoma. Por que índio tem sempre que estar pelado e lá na aldeia?”, questiona. Ele quer provocar a reflexão do público sobre o tema e, para isso, realiza uma intervenção na parada de ônibus da 703 Sul, na qual cinco jovens atearam fogo no cacique Pataxó Galdino Jesus dos Santos.

O crime ocorreu em 1997, e o indígena visitava Brasília pela segunda vez. Ele dormia no ponto de ônibus quando o grupo cometeu o crime. Galdino morreu dois dias depois. Para Medeiros, o cacique representa a falta de integração e mexer nessa memória é uma forma de pensar o que se quer para o futuro. “A gente vai relembrar essa situação. Galdino era um índio que veio para a cidade em busca de uma oportunidade. Queremos pensar sobre isso, reativar uma história, refletir sobre o amanhã”, diz. A parada foi coberta com plotagens de imagens do fotógrafo.

Ensaio de Bruno Leite está em coletiva de fotógrafos do Centro-Oeste(foto: Bruno Leite/Divulgação)
Ensaio de Bruno Leite está em coletiva de fotógrafos do Centro-Oeste (foto: Bruno Leite/Divulgação)


Coletivos

Na sexta, é a vez de inaugurar a Coletiva de fotógrafos do Centro-Oeste, a maior exposição do Mês da fotografia, uma reunião de 66 fotógrafos e 90 obras selecionadas de acordo com o tema do festival, Água, reflexões sobre o amanhã. Este ano, em vez de selecionar apenas uma fotografia de cada participante convocado por chamamento público, a coordenação do evento decidiu incluir ensaios e audiovisual.

“Incluímos essa categoria ensaio para dar uma oportunidade para quem cria uma narrativa que traz uma história contada a partir de um conjunto”, avisa Eraldo Peres. As peças de audiovisual também entram nessa ideia da narrativa e trazem pequenos documentários. No total, seis ensaios e quatro audiovisuais estão na mostra. “A exposição tem desde fotos de denúncia até coisas mais lúdicas”, garante o coordenador.

Durante a abertura da coletiva, haverá a projeção de videoinstalação criada pelo goiano Siron Franco para o Fórum das Águas. As imagens vão transformar a cúpula do Museu Nacional da República em uma grande cascada. A escolha da água como tema veio da vontade de falar de sustentabilidade. “Sempre buscamos um tema, já foi o feminino, o futebol, a vida. E nesse a gente queria uma questão mais ambiental, pensamos em sustentabilidade, mas era muito amplo. E aí veio a crise hídrica em Brasília e pensamos na água”, conta Peres, que contou com R$ 119 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e suporte do Sesc para realizar o festival.

Outras exposições estão programadas para o Metrô, com os coletivos Lente cultural, Candango fotoclube e Retrate, e para o Conjunto Nacional de Brasília (CNB), que recebe Reflexões da água, trabalho de Alexandre Almeida com alunos de escolas públicas do Paranoá, Varjão e Itapuã. Encontros e bate-papos com fotógrafos também fazem parte da agenda ao longo do mês, além do lançamento dos livros As loiceiras de Tacaratu — A arte milenar das mulheres do meu sertão, de Ana Araújo, Plano seco e pontiagudo, de Mônica Zaratini, e Outras estações, do Lente Cultural.


Já fui floresta
Exposição de José Medeiros. Abertura hoje, às 19h30, no Sesc 540/Sul. Visitação até 30 de agosto


Mês da fotografia 2018 — Água, reflexões sobre o amanhã
De hoje a 30 de agosto, no Museu da República; SESC 504 Sul, Setor Comercial Sul, Metrô/DF (Rodoviária, Galeria dos Estados, Praça do Relógio, Ceilândia Centro, 102 Sul e 112 Sul) e Conjunto Nacional. Veja programação no www. festivalmesda fotografia.com.br/.
 
 

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