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Correio Braziliense

Autores se reúnem no Festival Livre! para debater arte com cunho social

O Livre! oferecerá quatro domingos com mesas de debates em que um autor brasiliense recebe um escritor de fora para discutir temas pertinentes às suas obras e ao cenário contemporâneo


postado em 05/08/2018 07:25

Paulliny Gualberto, idealizadora do projeto: voz para grupos marginais(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Paulliny Gualberto, idealizadora do projeto: voz para grupos marginais (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Combater a violência de maneira pacífica, mas enfática. Foi com essa ideia na cabeça que Paulliny Gualberto Tort idealizou o Livre! Festival Internacional de Literatura e Direitos Humanos, que movimenta os parques do Distrito Federal nos domingos de agosto. “Num período de retrocesso e declarações absurdas, eu vi que tinha que fazer alguma coisa e a forma que eu tenho de fazer isso é a escrita”, diz a curadora do projeto.

O Livre! oferecerá quatro domingos com mesas de debates em que um autor brasiliense recebe um escritor de fora para discutir temas pertinentes às suas obras e ao cenário contemporâneo, como a visibilidade da escrita negra, a escrita como resistência em tempos sombrios da democracia, relações homoafetivas em narrativas atuais e, por fim, a literatura como um direito humano.

Os homenageados serão a mineira Conceição Evaristo e o brasiliense Nicolas Behr. Ela, nome de peso no cenário nacional e nome expressivo do movimento negro na literatura. Ele, poeta da capital que nunca deixou de escrever, mesmo num contexto de repressão e ditadura militar. Outros autores convidados são Cristiane Sobral, Julián Fuks, Lisa Alves, Natália Borges Polesso e o português José Luis Peixoto.

Sensibilidade

Beatriz Leal foi finalista do prêmio Jabuti 2016 com a obra Mulheres que mordem e organizou a coletânea de contos, Livre. Nove narrativas compõem um delicado compilado de diferentes visões sobre liberdade, vindas das mais diversas perspectivas. “O resultado foi um conjunto de narrativas sensíveis, tocantes, do qual me orgulho muito”, revela Beatriz. “A literatura nos ajuda a ter mais empatia pelo outro, a entender pontos de vista que não são como os nossos.”

Conceição Evaristo será homenageada neste domingo (5/8), no Taguaparque(foto: Arquivo Pessoal)
Conceição Evaristo será homenageada neste domingo (5/8), no Taguaparque (foto: Arquivo Pessoal)


Com auxílio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) do Distrito Federal, foi possível viabilizar, de forma transparente, um auxílio eficiente que seja compatível com a proposta do evento. Para adquirir o livro, o leitor deve fazer uma doação direta para a Anistia Internacional, organismo de atuação mundial pelo cumprimento dos Direitos Humanos, e apresentar o comprovante. Cada R$ 36 doados são revertidos em um exemplar da coletânea.

Realizado em parques públicos, o Livre! quer incentivar o debate num clima agradável. “Realmente é um tema muito sério, mas ele pode ser discutido com prazer”, afirma Paulliny, que incentiva descontraidamente a transformação dos espaços públicos do DF para os mais diversos usos. “Num domingo à tarde, por que não ocupar os nossos espaços públicos também?”, questiona a autora. “As pessoas podem organizar tantas coisas nesses parques que são nossos e de graça, todo mundo pode entrar, não tem protocolo. Você pode ir de chinelo, de sapato social, como você quiser, é essa a dimensão do evento.”

O lado social

Durante o evento é possível doar materiais escolares que serão destinados para a comunidade quilombola Kalunga, a 300km da capital. O autor Nicolas Behr, conhecedor das demandas da comunidade, auxiliou na elaboração de uma ação efetiva. Em época que a legitimidade desses territórios é questionada, a escolha foi certeira.

Além disso, autores brasilienses podem doar as obras para a construção da biblioteca Livre.! A iniciativa busca incentivar a leitura de nomes da casa que, às vezes, passam despercebidos até para bons leitores. Todo domingo começará com o Espaço do Autor, outra oportunidade para que escritores locais exponham e vendam seu trabalho.

Para concluir, a autora Sheyla Smanioto propõe uma oficina de escrita criativa sobre o corpo feminino na Casa Frida, em São Sebastião. Ela é dona do conto ‘Mulher cobra’, presente na coletânea do festival.

* Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader


Programação

Domingo (4/8)

Local: Taguaparque, em Taguatinga

Das 14h às 18h

14h - Espaço do Autor

15h15 - Homenagem a Conceição Evaristo e lançamento da coletânea Livre

16h - Cristiane Sobral recebe Conceição Evaristo para a mesa (In)Visibilidades: a presença negra na prosa e na poesia brasileiras

12 de agosto

Local: Parque Ecológico dos Jequitibás, em Sobradinho

Das 14h às 18h 

14h - Espaço do Autor

15h15 - Esquete poética: POEMARIO, com Meimei Bastos

16h - Beatriz Leal recebe Julián Fuks para a mesa Democracia em tempos sombrios: o romance como resistência.

19 de agosto

Local: Parque Ecológico do Bosque, em São Sebastião

Das 14h às 18h

9h -  Oficina de escrita criativa Como tomar seu corpo de volta: escrita, corpo e feminino, com Sheyla Smanioto. A atividade será realizada na Casa Frida.

14h - Espaço do Autor

15h15 - Sheyla Smanioto apresenta resultados da oficina

16h - Lisa Alves recebe Natália Borges Polesso na mesa Amor entre iguais: a diversidade afetiva nas narrativas contemporâneas

26 de agosto

Local: Parque Olhos d’Água, na Asa Norte

Das 14h às 18h

14h -  Espaço do Autor

15h15 - Homenagem a Nicolas Behr

16h - Paulliny Gualberto Tort recebe José Luís Peixoto para a mesa Da fruição à criação: A literatura como direito humano

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