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Correio Braziliense

Fabrício Carpinejar lança livro sobre a relação com os pais

Autor gaúcho participa de bate-papo e sessão de autógrafos em Brasília


postado em 09/08/2018 07:30 / atualizado em 08/08/2018 19:11

Carpinejar: o fato de ter filhos mudou o entendimento que tinha dos pais(foto: Betrand Brasil/Divulgação)
Carpinejar: o fato de ter filhos mudou o entendimento que tinha dos pais (foto: Betrand Brasil/Divulgação)

 

Se você tem pai e mãe, prepare-se para ficar com lágrimas nos olhos. A intenção de Fabrício Carpinejar nem era fazer o leitor chorar, mas ele reconhece que Cuide dos pais antes que seja tarde emociona. O autor vai poder consolar os leitores hoje e explicar por que decidiu deixar um pouco a poesia de lado e escrever o livro. Ele estará na Visconde Livraria Café, a partir das 20h de hoje, para autografar o livro. Também participa de um bate-papo com os leitores. “O livro está me dando muita alegria”, garante o escritor gaúcho. “Tenho recebido uma corrente de mensagens, depoimentos, e-mails, inbox, tudo que tu possas imaginar.”

O livro, um monólogo no qual o narrador se dirige aos pais, já velhinhos, com a intenção de se tornar o bom filho que, até então, não estava sendo, aconteceu na cabeça de Carpinejar como um estalo. Um dia, ao se fazer a mais banal das perguntas — “o que vou fazendo daqui a 20 anos” — ele se deu conta de que os pais poderiam não estar mais vivos. “Na medida em que me fiz a pergunta, imaginei que ia realizar minha tão sonhada viagem ao Japão, voltar me dedicando mais ao poema, meus filhos estariam crescidos e eu poderia fazer lua de mel prolongada. Até que fiz essa pergunta para meus pais. E emudeci, gelei. Porque nós temos aquela sensação da imortalidade materna e paterna”, conta.

Primeiro, ele mudou de atitude. Decidiu dedicar mais atenção aos pais, que hoje estão com 79 anos. Carpinejar mora em Belo Horizonte e, de lá, visita o pai, no Rio de Janeiro, e a mãe, em Porto Alegre, com mais frequência do que antes. “Você acaba sentindo o quanto adiou os pais, ou vive adiando os pais. Foi o estopim para eu recuperar minha relação como filho. A gente tem uma impressão de que a relação com os pais já está resolvida e a gente fica querendo fugir deles. A gente entende conselho como censura e, a partir da adolescência, passa a fugir dos pais. É uma interminável fuga da casa”, diz o autor, que passou a perceber essas relações com mais força depois da paternidade. “Na medida em que nos tornamos pais ou mães, começamos a entender o que eles eram”.

Escrever Cuide dos pais antes que seja tarde foi uma espécie de desabafo, de tentativa de colocar no papel esse tempo perdido e reconhecer que precisava estar mais presente. “A gente reage às funções de pai e mãe e não vê que tem pessoas morando dentro dessas funções. A gente chama pai e mãe e aquilo vai se cristalizando de tal forma que a gente fica condicionado a falar com eles quando a gente tem alguma necessidade. A gente não perde tempo tricotando, não liga pra não falar nada. A gente também se torna funcional. É como se eles fossem estar sempre ali”, repara o autor, que encara o livro como um lembrete de que o tempo corre e a vida é finita.


Carpinejar: o fato de ter filhos mudou o entendimento que tinha dos pais(foto: Betrand Brasil/Divulgação)
Carpinejar: o fato de ter filhos mudou o entendimento que tinha dos pais (foto: Betrand Brasil/Divulgação)


TRÊS PERGUNTAS / Carpinejar


A paternidade foi importante para mudar a maneira como se relacionava com seus pais?
Foi, porque meus filhos começaram a me falar “tu tá parecido com teu pai”. Aí comecei a pensar: “mas quem é meu pai, por que tou parecido com ele?”. E aquilo que eu criticava muito no meu pai e na minha mãe, eu passava a fazer. E fazer com gosto, e não com desgosto. Passei a ver o quanto eles foram exemplos pra mim.

Sempre teve boa relação com eles?
Sempre tive uma boa relação com meus pais, mas, vê só, era uma relação teórica. Nunca fui tão presente quanto agora. Porque há uma urgência de estar com eles. Eu mudei minha postura. Hoje, quando meu pai ou minha mãe ligam, eles que têm que pedir para desligar. Eles que vão ter que cansar de mim. E se prometo alguma coisa, eu faço. Se prometo passar na casa deles, vou estar lá, não vou desmarcar, não vou aceitar nenhum compromisso, fecho a agenda. Mudei meu ritmo. Deixo mais datas vazias, vagas, me predisponho e, quando estou com eles, desligo o celular.

O livro é uma espécie de desabafo?
Sim, mas desabafo porque é um monólogo, uma conversa, um diálogo com os pais. É o tanto que eu posso entender a vida diferente, sem julgar, e o quanto pensar diferente não significa não ficar junto. Se tenho diferenças com meus pais, problemas com meus pais, eu não preciso ficar com eles só quando solucioná-los. Talvez ficar junto seja solucionar.




TRECHOS 

Cuide dos pais antes que seja tarde

“No fundo, eles me aceitavam do jeito que era, eu que jamais os aceitei como eles eram. Eu era o intransigente. Possuído pelos argumentos, não percebia um detalhe esclarecedor: se eu podia pensar diferente era porque meus pais me deram liberdade. Eles me permitiram crescer com os meus ideais. Por que não tolero as suas convicções distintas?”



“Fui descobrindo que não estava sendo um bom filho. Até era um bom pai, um bom marido, um bom amigo, mas filho, não. Deixava os meus pais por último para telefonar e visitar. Eles podiam esperar. Será?”



“Acreditamos que os pais são eternos, imutáveis, que estarão próximos quando surgir a necessidade. Mas eles adoecem e morrem. É uma fatalidade inevitável, não há como parar a idade, recuar o fim.”


(foto: Bertrand Brasil/Reprodução )
(foto: Bertrand Brasil/Reprodução )


Cuide dos pais antes que seja tarde
De Fabrício Carpinejar. Bertrand Brasil, 112 páginas. R$ 29,90. Bate-papo com o autor no Espaço 360º e sessão de autógrafos na Visconde Livraria, no Alameda Shopping (CSB 02 Lotes 01 a 04 Taguatinga/DF), hoje, às 20h.

 

 

 

 

 

 

 

 

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