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Correio Braziliense

Após dois anos sem ser realizado, Cine Beijoca volta com edição na 508 Sul

Nova edição começa com a mostra LA Rebellion, que faz referência ao movimento cinematográfico idealizado por cineastas negros da Universidade da Califórnia


postado em 10/08/2018 13:50 / atualizado em 10/08/2018 13:50

Longa 'Bush mama' é um dos destaques da mostra, que será no recém-inaugurado Espaço Cultural Renato Russo(foto: Bush Mama/Divulgação)
Longa 'Bush mama' é um dos destaques da mostra, que será no recém-inaugurado Espaço Cultural Renato Russo (foto: Bush Mama/Divulgação)

O projeto Cine Beijoca está de volta à programação da capital. Após dois anos sem edições, o evento retorna com a mostra LA Rebellion, que será realizada de 10 a 12 de agosto no Espaço Cultural Renato Russo, recém-reaberto na 508 Sul. “Depois da exibição de Vazante, no Festival de Brasília do ano passado, se acendeu um debate não só sobre a representação como também da produção negra. Nesse sentido, era importante fazer algo sobre isso, debater cinema negro”, revela Pablo Gonçalo, idealizador da atividade e curador do Cine Beijoca.

O nome da mostra é uma referência ao Los Angeles Rebellion, um movimento cinematográfico idealizado por cineastas negros da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) na década de 1970. “Os diretores do LA Rebellion introduzem uma vitalidade e uma experimentação com a linguagem importante para o cinema americano, não há nada paralelo”, reconhece Rodrigo Sombra, curador e um dos participantes da mostra. 

Composta por dois longas e seis curtas está edição do cineclube terá três sessões. A primeira, na sexta (10/8), a partir das 19h, exibe o curta Um bocado de amigos e o longa O matador de ovelhas, ambos de Charles Burnett, seguidos de um debate com o crítico e curador Rodrigo Sombra.

 

No sábado, também às 19h, serão exibidos o curta Escola da liberdade da comunidade, de Don Amis, e o longa Bush mama, de Haile Gerima. “Os filmes mostram uma realidade atroz, uma coisa muito peculiar da comunidade negra”, comenta o curador. No último dia da mostra, ela começa às 16h e exibe apenas curtas, com os títulos ChuvaDiário de uma africanaIlusões Ciclos.

 

Sobre os filmes escolhidos para a mostra, Sombra completa: “Esse grupo de filmes representa um adentramento nos personagens afro-americanos, na vida subjetiva deles”. 

 

Cine Beijoca

Idealizado em 2006 pelos professores Alex Calheiros, Raquel Imanishi e Claudio Reis, do departamento de filosofia, o Cine Beijoca surgiu à la UnB: uma iniciativa que deixaria Darcy Ribeiro orgulhoso. Os debates e exibições eram realizados no memorial dedicado ao antropólogo na universidade, popularmente conhecido por Beijódromo.

O nome do projeto e do memorial refletem uma fala conhecida de Darcy, em que ele revela que o projeto para a universidade era “um espaço ao ar livre, na grama, nos degraus – um espaço bem a gosto de Brasília, em que se podia fazer seresta, as pessoas poderiam estar em volta se beijando, namorando”.

 

O projeto ultrapassou as barreiras físicas da instituição para seguir uma característica típica dos cineclubes: o contato direto com a comunidade. “O projeto precisa interagir tanto com a cinefilia quanto com a rua”, ressalta Pablo Gonçalo. 

 

Como participar

 

Os alunos da UnB interessados em participar do projeto de extensão devem contatar o professor Pablo Gonçalo, da Faculdade de Comunicação, pelo e-mail pablogoncalo@gmail.com.   

Movimento Los Angeles Rebellion

Em um contexto pós-movimentos por direitos civis da comunidade negra nos Estados Unidos, jovens como Charles Burnett, Julie Dash e Haile Gerima começaram a observar as comunidades afro-americanas da periferia de Los Angeles. As produções perpassam diversas questões como relações domésticas, efusão do ativismo black power, busca pela ancestralidade africana, denúncia de mecanismos de exclusão social e ascensão às classes mais altas.

 

O modo de produção era, por vezes, precário. O LA Rebellion foi considerado como uma forma antagônica dentro do formato hollywoodiano, contrária aos regimes estéticos hegemônicos. As influências dos cinemas modernos da África e Ásia e do cinema novo brasileiro resultaram numa forma de representação completamente nova do afro-americano.

 

*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel 

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