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Correio Braziliense

Roberto Carlos se apresenta neste sábado no Estádio Mané Garrincha

Roberto faz o espetáculo da turnê de 2018, iniciada em São Paulo, no primeiro semestre, acompanhado por orquestra de 15 músicos, sob a batuta do amigo e maestro Eduardo Lages


postado em 11/08/2018 06:30 / atualizado em 10/08/2018 18:23

A relação do Rei com Brasília vem de muito tempo. Ele comandava o programa Jovem Guarda, na TV Record, na primeira metade da década de 1960, quando cantou pela primeira vez aqui, no inacabado Teatro Nacional(foto: Cláudia Schembri/Divulgação)
A relação do Rei com Brasília vem de muito tempo. Ele comandava o programa Jovem Guarda, na TV Record, na primeira metade da década de 1960, quando cantou pela primeira vez aqui, no inacabado Teatro Nacional (foto: Cláudia Schembri/Divulgação)


Inquestionavelmente o maior ídolo da música popular brasileira, Roberto Carlos está longe dos palcos da cidade há três anos. O último show do cantor por aqui foi em 26 de setembro de 2015, no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Neste sábado (11/8), às 21h, ele se reencontra com os fãs brasilienses ao se apresentar em anfiteatro montado no Estádio Nacional Mané Garrincha.

A relação do Rei com Brasília vem de muito tempo. Ele comandava o programa Jovem Guarda, na TV Record, na primeira metade da década de 1960, quando cantou pela primeira vez aqui, no inacabado Teatro Nacional. Depois voltaria várias vezes e, na grande maioria delas, ocupou o Ginásio Nilson Nelson. Mas, foi na Esplanada dos Ministérios, em abril de 1981, que reuniu o maior público, quando comemorou 40 anos com 200 mil pessoas.

Na noite de hoje, Roberto faz o espetáculo da turnê de 2018, iniciada em São Paulo, no primeiro semestre. Acompanhado por orquestra de 15 músicos, sob a batuta do amigo e maestro Eduardo Lages (leia entrevista abaixo), interpreta canções que são emblemáticas em sua obra, entre as quais Como é grande o meu amor por você, Como vai você, Detalhes, Esse cara sou eu, Jesus Cristo, Outra vez, Proposta e, obviamente, Emoções

Embora, hoje em dia, o número maior de fãs de Roberto esteja em faixas etárias a partir dos 40 anos, há também entre jovens quem curta o romantismo das canções do cantor e compositor capixaba, nascido em Cachoeiro do Itapemirim. São pessoas que costumam ouvi-las por meio de serviços de streaming.

Francisco Martins Fernandes: fã desde os tempos em que morava no Ceará(foto: Arquivo Pessoal)
Francisco Martins Fernandes: fã desde os tempos em que morava no Ceará (foto: Arquivo Pessoal)


Felipe Jordan de Almeida, de 29 anos, é um deles. “Ouço as músicas do Roberto desde a adolescência. Antes em CDs, mas atualmente pelo Spotify. Ele, que ainda nunca havia assistido a um show do ídolo, irá hoje ao Mané Garrincha, na companhia da avó Maria de Lourdes Ferreira, de 81 anos.

“Recentemente, entrei para o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, com o dinheiro do meu primeiro salário comprei os ingressos e vou para assistir ao show com a minha avó”, comemora Felipe. Foi o presente de aniversário dela, que é fã do Roberto desde sempre. Somos de diferentes gerações, mas gostamos de música de qualidade”.O pianista, compositor e arranjador Eduardo Lages venceu vários festivais, dirigiu programas musicais da Rede Globo e trabalhou com artistas consagrados como Cauby Peixoto, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ângela Maria, Alcione, Daniela Mercury. Mas foi como maestro da orquestra que acompanha Roberto Carlos que esse fluminense de Niterói se tornou conhecido nacional e internacionalmente. A parceria entre Roberto e Lages em estúdios e no palco dura 40 anos. O músico é ouvido pelo cantor na concepção dos arranjos para as canções que grava nos discos e interpreta nos shows.

Carioca, pensionista do Banco Central, moradora do Sudoeste, Dona Lourdes — como é mais conhecida —, lembra que costumava assistir aos shows de Roberto Carlos no Canecão (Rio de Janeiro). “Certa vez, consegui pegar uma das rosas que ele distribui ao final das apresentações. Guardei esta rosa, que já está seca, dentro de uma revista, com o autógrafo de Roberto. Quem conseguiu o autógrafo foi meu filho, Júlio Cesar, ao se deparar com meu ídolo no aeroporto, acrescenta. “Já fui ver o Roberto algumas vezes no Ginásio de Esportes, agora vou revê-lo, no estádio, com meu neto querido”, comemora.

Criança
Quem está igualmente “felicíssima” com a possibilidade de estar pela primeira vez frente a frente com o Rei é a enfermeira brasiliense Nathália Portela, 26 anos, residente em Ceilândia. “Desde criança ouço o Roberto, pois meus pais colecionam LPs, CDs e DVDs dele, além dos filmes. Finalmente vou poder ouvi-lo cantar ao vivo, pois meu pai, Carlos Antônio, 57 anos, comprou ingressos para o show no Mané Garricha”, diz. “Não vejo a hora de ouvir aquela voz belíssima, interpretando Como é grande o meu amor por você”, destaca.

O representante comercial Francisco Martins Fernandes, 61 anos, cearense que mora em Valparaíso, é outro “estreante” em show do Rei. “Minha preferência pelas músicas do Roberto vem desde a juventude, quando morava no sítio de Tipi, em Aurora, no interior do Ceará. Costumava escutá-las no rádio dos vizinhos”, recorda-se. “Sei cantar umas 100 músicas do Roberto. Tenho certeza de que todas as que estiverem no repertório do show eu conheço. A minha preferida é Detalhes”, afirma. Francisco deixa claro que é grande a expectativa de ver e ouvir o artista ao vivo. Ele estará no estádio na companhia da mulher, Francisca.

Entrevista com Eduardo Lages
O pianista, compositor e arranjador Eduardo Lages venceu vários festivais, dirigiu programas musicais da Rede Globo e trabalhou com artistas consagrados como Cauby Peixoto, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ângela Maria, Alcione, Daniela Mercury. Mas foi como maestro da orquestra que acompanha Roberto Carlos que esse fluminense de Niterói se tornou conhecido nacional e internacionalmente. A parceria entre Roberto e Lages em estúdios e no palco dura 40 anos. O músico é ouvido pelo cantor na concepção dos arranjos para as canções que grava nos discos e interpreta nos shows.

Quando e em que circunstância se aproximou de Roberto Carlos?
Nas décadas de 1960 e 1970, era ligado à MPB. Participei do Movimento Artístico Universitário (MAU) e de vários festivais, e fui premiado em alguns. No Festival Internacional da Canção, de 1971, me classifiquei em 4º lugar com Razão de paz para não cantar, que compus em parceria com Alézio Barros, defendida por Cláudia. Posteriormente, fui por 10 anos diretor musical e arranjador de programas da Rede Globo, como Globo de Ouro, do qual Roberto tomava parte assiduamente. Foi lá que nos aproximamos.

O convite para trabalhar com o Rei foi feito nessa época?
Sim. Nos encontrávamos com frequência e, certo dia, Roberto me disse que pretendia ser acompanhado por uma orquestra, à qual incorporaria músicos do seu conjunto, o RC7. Como gostava do meu trabalho na TV Globo, me convidou para ser o maestro. A minha estreia foi em 1978, num show que ele fez no Canecão — numa temporada de seis meses, com apresentações, sempre lotadas, de quarta-feira a sábado, quando tinham duas sessões.

A convivência com o cantor nos ensaios, em shows e nas turnês foi determinante para vocês se tornarem amigos?
Com certeza. Naquele período, o Roberto fazia 120 shows por ano, no Brasil e no exterior. Como vivíamos muito tempo juntos, nas frequentes viagens, passei a ficar sabendo dos anseios e das expectativas dele, com quem sempre tive ótima convivência. O surgimento da amizade foi algo natural. Além de amigos, somos compadres, pois ele é padrinho da minha filha Christine Lages, que é jornalista. Antes de começar a gravar meus discos, conversamos sobre o assunto e recebi apoio dele. Os dois primeiros CDs tiveram como títulos Emoções e Proposta e só gravei músicas do Roberto e do Erasmo Carlos.

O roteiro dos shows do Roberto é formado por músicas que vêm sendo cantadas ao longo dos anos. Por que ele evita fazer mudanças?
Roberto tem 100 grandes sucessos e 10 clássicos. Como o repertório é composto de 17 canções, ele opta por agradar aos fãs que querem ouvi-las sempre. Geralmente, uma ou duas músicas novas se juntam às 15 consagradas, entre elas Detalhes, Proposta, Outra vez, Como é grande o meu amor por você, Jesus Cristo e claro, Emoções.

Qual é sensação de dividir o palco com o maior ídolo da música brasileira?
Antes do Roberto surgir em cena, a orquestra, sob a minha regência, toca um pot-pourri de sucessos e a reação da plateia é de muito entusiasmo. Aí fico pensando, que bom que eu estou aqui.
 

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