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Correio Braziliense

No Dia dos Pais, Antonio e Bruno Fagundes falam sobre projetos em comum

Antonio e Bruno Fagundes falam sobre a parceria de quase sete anos na dramaturgia e da peça que apresentarão em setembro na cidade


postado em 12/08/2018 06:39

Pai e filho em cena no espetáculo Baixa terapia, que estreia em Brasília em setembro(foto: Caio Galucci/Divulgação)
Pai e filho em cena no espetáculo Baixa terapia, que estreia em Brasília em setembro (foto: Caio Galucci/Divulgação)

 
O ator Antonio Fagundes tinha 40 anos quando nasceu o filho caçula, Bruno, hoje com 29 anos. Dos quatro filhos, o jovem, fruto do relacionamento com a atriz Mara Carvalho, foi o único que decidiu ter a mesma profissão do patriarca. Algo que não surpreendeu o ator. "Ele sempre gostou muito. Todos os meus filhos sempre gostaram, mas ele foi o único que quis seguir a profissão. Mas não teve surpresa não, era quase natural partindo dele. Ele foi se interessando desde cedo, fazendo cursos, se profissionalizou e está aí", afirma.

Bruno diz que o pai sempre o apoiou nas decisões. "Quando decidi ser ator, falei com meu pai e a minha mãe, eles deram subsídios para a gente ser o que a gente quisesse. Ele falou que, se eu quisesse ser dentista, por exemplo, ele ia me ensinar a ser um bom dentista. E isso foi sempre motivo de muita gratidão", lembra.

Aos 5 anos, Bruno demonstrava a paixão pelas artes. Ele aprendeu a pintar, fez aula de canto e piano, até que começou os cursos de teatro. “Foi um chamado para mim, diferentemente dos meus irmãos. Meus pais foram vendo essa questão artística em mim, que não é algo que se adquire, é de alma mesmo, e me ajudando. Mas foi um processo muito mais meu. Eles me assistiram até o ponto de formar minha própria individualidade. Nesse momento, a gente decidiu e vislumbrou que seria possível. Estamos aí há quase sete anos trabalhando juntos", completa Bruno.

Apesar dos mais de 50 anos de carreira, Fagundes conta que nunca quis dar conselhos ao filho sobre a profissão e explica o motivo: "Não tem isso, experiência não se transfere. A gente aprende muito um com o outro, não tem ninguém superior. No nosso trabalho tem uma coisa muito bonita, porque ele é absolutamente democrático, quando abre o pano, todo mundo tem a mesma responsabilidade para que o resultado final do espetáculo seja bom".

Confiança



Bruno tem opiniões muito parecidas com as de Antonio Fagundes, como qualquer filho que cresceu num ambiente ao lado do pai e que divide muito mais do que a relação familiar, tendo também uma longa conexão. "Tive o privilégio de trabalhar com pessoas muito especiais e ele é mais um, que, por acaso, é meu pai. A parte de ser pai e filho é a mais fácil, porque, na verdade, a gente não é só pai e filho. Somos colegas de trabalho, quando estamos em cena e desenvolvendo nosso trabalho. Estamos na terceira peça, nossa parceria deu certo, não só em termos de produção, mas também em compatibilidade de trabalho. Temos visões parecidas, a gente encara o trabalho com a mesma seriedade. De qualquer jeito, nossa profissão é muito democrática, então é muito importante confiar no outro. Um dependendo do outro, estamos criando a nossa dupla", completa Bruno.

O primeiro trabalho deles nos palcos foi o espetáculo Vermelho, em que estavam apenas pai e filho em cena. Depois fizeram a peça Tribos com mais quatro atores e se reencontram há um e meio no espetáculo Baixa terapia, que desembarca em Brasília em 8 e 9 de setembro, no Teatro Unip. Na peça, pai e filho também dividem o palco com Mara Carvalho e Alexandra Martins, a atual mulher de Fagundes, para retratar a história de três casais em uma sessão de terapia em grupo.

Baixa terapia é uma produção do pai e do filho. Durante uma viagem a Buenos Aires, eles buscavam um bom espetáculo, até que foi recomendada a versão original de Baixa terapia, de Matías Del Federico. Se apaixonaram pelo espetáculo, compraram os direitos e fizeram a versão deles, que teve tradução de Clarisse Abujamra, primeira mulher de Antonio Fagundes e mãe dos três outros filhos dele.

"A gente se encantou logo de cara, exatamente por ser uma comédia, que é um gênero difícil de achar tão bem escrito. E é muito diferente, moderna, muito bem colocada”, conta Bruno. E Fagundes complementa: “Morremos de rir com a peça, nos surpreendemos com o final, ficamos encantados com aquele texto e imediatamente entrei em contato com o autor e comprei os direitos. Acertei! Porque estamos há um e meio em cartaz e  fizemos mais de 150 mil espectadores, estamos viajando por mais de 20 cidades no Brasil, fizemos uma pequena temporada nos Estados Unidos e ainda vamos voltar em cartaz em São Paulo em 2019”.

Fagundes, pai

Antonio Fagundes é um nome extremamente conhecido no Brasil. Os personagens do carioca marcaram época na tevê e a história do artista se confunde com a do teatro brasileiro. Mas pouca gente conhece a figura pessoal de Fagundes, que é bastante discreto e avessos às redes sociais. “Não tenho nenhuma rede social, brinco que sou analfabyte. Não sou adepto das redes sociais, mais reconheço a importância da internet”, conta.

Ao ser questionado como definiria a sua figura paterna, Fagundes diz que nunca tinha parado para pensar nisso. “Quem sabe numa próxima entrevista tenho a resposta para você” (risos). Mas Bruno ficou com a missão. “Olha, é muito difícil falar em poucas palavras, então acho que essa é a dificuldade dele também. Como você define uma pessoa que tem uma importância enorme para você com uma palavra?”, complementa.

E logo depois emenda: “Ele é um pai excelente, maravilhoso, agradeço todos os dias pelo pai e pela mãe que tenho. Ele não é só um cara do mundo e que está sempre atento ao mercado e às coisas a sua volta, mas também é um doce de pessoa, um pai companheiro e amigo, está sempre feliz com as coisas que acontecem comigo, a gente compartilha muito e cada detalhe. Às vezes vejo que nosso lado profissional é como se fosse o nosso brinquedo, é o momento em que como pai e filho, pensamos, trocamos, conversamos, então é muito bom”.


SERVIÇO
Baixa terapia
Teatro Unip (913 Sul). Em 8 de setembro, às 21h30 (sábado). Em 9 de setembro (domingo), às 20h30. Entrada a R$ 90 (meia-entrada). À venda na Bilheteria Digital. Não recomendado para menores de 14 anos. Obs: O espetáculo começa rigorosamente no horário. Não será permitida a entrada após o início e não haverá devolução do valor do ingresso.



Projetos futuros

•  Além de estarem em cartaz nos teatros brasileiros, Antonio e Bruno têm uma agenda cheia. Antonio estreou ontem nas telinhas da Globo o filme Contra a parede, o qual protagoniza e produz — disponível no Globo Play. Também está confirmado na minissérie Se eu fechar os olhos, que estreia na grade da emissora em 2019.

•  Na última semana, foi lançada a obra Antonio Fagundes no palco da história: um ator, de Rosangela Patriota. O livro, que é uma espécie de biografia, narra a trajetória do artista nos palcos se relacionando com acontecimentos do país.

• Já Bruno está em processo de gravação da terceira temporada de 3%, produção da Netflix na qual ele entrou na segunda temporada. Na trama, ele dá vida a André Santana. A nova sequência de episódios estreia em 2019 na plataforma.

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