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Correio Braziliense

Espaço Cultural Renato Russo terá memorial da vida e obra do músico

Objetivo é que o local, na 508 Sul, se torne um ponto de convivência dos admiradores do líder da Legião Urbana


postado em 13/08/2018 07:27 / atualizado em 13/08/2018 11:42

(foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A)
 
O Memorial Renato Russo é uma das instalações do reaberto espaço cultural que leva o nome do cantor, compositor e líder da Legião Urbana, na 508 Sul. Localizado no mezanino da biblioteca, entre o térreo e o primeiro andar, quando estiver em funcionamento, vai receber objetos e material iconográfico que remetem à história do homenageado.

No momento, o local recebe obras para se tornar um centro de convivência. A ideia é que o lugar venha a se transformar num ponto de encontro de fãs do roqueiro que ajuda a colocar Brasília no mapa da música popular brasileira. Por enquanto, na 508 Sul, existem apenas três itens que permitem lembrar de Renato: uma fotografia, uma escultura com a assinatura do artista plástico  Fernando Carpaneda e a imagem do artista grafitada na parede frontal do prédio.

Para o secretário de Cultura, Guilherme Reis, o fato de o espaço cultural da 508 ter recebido o nome de Renato Russo deve ser visto como a grande homenagem prestada ao artista que projetou a música de Brasília no país. “Isso será reforçado com o advento do memorial, onde, além serem expostos objetos que pertenceram a ele ou com os quais foi celebrado, vamos instalar equipamentos de qualidade para que fãs e o brasiliense em geral possam acessar audiovisuais com o registro da obra do artista. A licitação para a compra desse material será lançada em breve.
 

Memória viva

Carmem Manfredini (irmã) e Carminha Manfredini, mãe de Renato Russo.(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Carmem Manfredini (irmã) e Carminha Manfredini, mãe de Renato Russo. (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Ainda de acordo com o secretário, pessoas que , de alguma forma, tiveram relação com Renato ou com a obra dele serão convidadas para gravar depoimentos e fazer palestras no memorial. “Acredito que será uma outra forma de manter viva a memória dessa figura icônica da cultura brasiliense e uma das expressões máximas do rock nacional”.

Em visita ao Espaço Cultural Renato Russo, a convite do Correio, Maria do Carmo Manfredini e Carmen Teresa, mãe e a irmã do consagrado roqueiro, reviram as instalações e falaram sobre o que esperam desta nova fase da instituição. “A reforma trouxe melhoramentos acentuados ao espaço que poderá, a partir de agora, acolher e difundir diferentes manifestações artísticas em suas dependências, elogia Dona Carminha.

Para ela, a instalação do Memorial Renato Russo é um ganho a mais. “Acredito que, quando estiver funcionando, poderá receber, por exemplo, jovens estudantes das muitas escolas do DF, que poderão ter acesso ao legado do Júnior (Renato Russo). Dentro do possível, eu e Carmem Tereza vamos dar nossa parcela de contribuição para a criação do memorial”.

Carmem Tereza revela que, quando morava em Brasília, Renato frequentava bastante o Teatro Galpão. “Ali, antes do advento da Legião Urbana, costumava assistir a apresentações de artistas por quem tinha admiração, como o Udigrudi (grupo de teatro experimental), o Liga Tripa, a dançarina Leo Coimbra (que, para muitas, foi fonte de inspiração para criação de Mônica, personagem da canção clássica Eduardo e Mônica).

“Eu me recordo de ter assistido a um show caótico do Aborto Elétrico no Galpão, em meio a evento maior, o Último rango, produzido pelo ator J.Pingo, do qual tomaram parte artistas da cidade ligados ao teatro, à dança, à música e à performance. Chamava a atenção também panelões de sopa, servida aos participantes e ao público. Quando íamos nos servir, alguém chegou para nós e disse para não comermos, pois um punk havia jogado o boot (botina) dentro de uma das panelas”, lembra Carmem Teresa. Para ela, histórias como essa poderão ser contadas no Memorial Renato Russo, sobre o qual fala com entusiasmo.
 
Lembranças do roqueiro que ajudam a fazer de Brasília a capital do rock(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Lembranças do roqueiro que ajudam a fazer de Brasília a capital do rock (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
 
 
Tanto o memorial quanto outras instalações do espaço cultural — teatros Galpão e de Bolso, Sala Marco Antônio Guimarães, galerias Parangolé, Rubem Valentim, e Ethel Dornas, musiteca, gibiteca, sala multiuso, Galpão das Artes e Praça Central — vão ter gestão compartilhada. “Com base na Lei Orgânica de Cultura, recém-promulgada, foi feito um edital de chamamento público para firmar parceria com uma organização da sociedade civil. Está na fase final de contratação do vencedor, o Instituto Bem Cultural, que irá trabalhar em conjunto com a Secretaria de Cultura, na gestão do Espaço Cultural Renato Russo”, explica Johanne Madsen, diretora da entidade.

Em função disso, no próximo mês serão lançados editais de ocupação dos equipamentos do espaço cultural; assim como da realização de oficinas das diversas linguagens artísticas. Vice-presidente do Bem Cultural, Leonardo Hernandes conta que reuniões de trabalho vêm sendo realizadas para definição das prioridades. Em relação ao memorial Renato Russo, ele diz que a ideia e fazer dele um espaço vivo, “onde os apreciadores do do rock brasileiro possam compartilhar do precioso legado deixado por Renato”.

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