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Correio Braziliense

Madonna faz aniversário de 60 anos nesta quinta-feira

A data abre porta para memórias de uma das mais relevantes artistas mundiais do pop


postado em 15/08/2018 07:30 / atualizado em 15/08/2018 11:07




Quando Madonna pegou as rédeas da indústria sonora, naqueles cafonas anos 1980, popstars eram figuras efêmeras, cuja popularidade estava fadada a uma ou duas décadas de sucesso. Mas a moça de Detroit nunca mais soltou as rédeas do sucesso. Uma ironia para a popstar que é também aficcionada por cavalos. Naquele início de uma década bizarra para a moda, mas muito produtiva para a música, a loira de 20 e poucos anos subiu ao palco da cena pop para nunca mais descer. Everybody, produzido em 1982 de maneira quase precária (ela mesma mixava e introduzia os instrumentos) chegou ao século 21 como um ícone da música pop. O disco envelheceu bem, assim como Madonna, que completa 60 anos amanhã. Hoje, são os maiores produtores da cena musical que aparecem em seus discos. E todos acompanham as múltiplas facetas estrategicamente alimentadas ao longo das décadas.

Da Madonna transgressora de Like a virgin, passando pela existencialista de Papa don’t preach, a ousada de Like a prayer, a explícita Erotica e a enfurecida MDNA, são muitas as faces da cantora e, o que é sempre surpreendente, todas ancoradas em suas épocas. Esse feito, Madonna consegue porque não para no tempo. Para ficar em produções mais recentes, seu Rebel heart, lançado em 2015, tem Diplo e Avicii na produção. Hard Candy, de 2008, também trouxe Diplo, e MDNA tem Martin Solveig. Agora que se mudou para Portugal com quatro da prole de seis filhos, é a música portuguesa que ela mira. O próximo disco terá influências de fado e participação de artistas portugueses contemporâneos. Sim, Madonna se reinventa. Conhece bem como marcha a música pop e, ao contrário de Britneys e Ladys Gagas, não perde o passo.
 
Ver galeria . 15 Fotos Larry Busacca
(foto: Larry Busacca )
 
 
Ex-Louise

Quando trocou Detroit por Nova York e decidiu abandonar a faculdade para se dedicar inteiramente à dança, o sonho inicial, Madonna já sabia onde queria chegar. Talvez não soubesse exatamente como naquele início de inverno de 1977, em uma Nova York marcada pela violência e pela imensa competitividade. A dança sempre foi um ponto de início — e David Bowie teve muito a ver com isso. Durante um show do Camaleão em Detroit, ela teve a certeza de que podia ser e fazer algo fora dos padrões da época. Durante a última turnê, Rebel heart, ao prestar tributo a Bowie com a música Rebel rebel, ela explicou: “Foi um dos maiores gênios da indústria música e mudou a minha vida. Quando fui vê-lo em um concerto, em Detroit, ele me mostrou que era ok ser diferente. Ele é o primeiro coração rebelde sobre os quais eu coloquei meus olhos”.

A dança, ela abandonou. Embora tivesse algum talento e fosse muito esforçada, seria sempre uma bailarina em meio a outras em uma grande companhia. Ao deixar para trás o nome de Louise Ciccone, a Detroit conservadora e entediante, o pai viúvo e a lembrança de uma mãe angelical morta quando ainda era garota, Madonna começava a construir um mundo no qual carrega, até hoje, o título de Rainha do Pop.

A primeira demo foi gravada entre um trabalho de garçonete em uma loja de rosquinha e o tempo livre passado em porões que serviam de estúdio. Everybody passou pelas mãos de DJs de boates undergrounds antes de ser finalmente gravado por um selo da Warner Bros. A batida rápida e letras chiclete fez a música bombar nas pistas de dança, projetou o nome da cantora. O segundo álbum, Like a virgin (1984), explodiu com faixas atemporais — Holiday e Material girl viraram clássicos — e levaram a artista à primeira turnê, The virgin tour.

Rainha da MTV

Aliada à personalidade, a habilidade comercial — centralizadora, ela sempre foi a gerente do próprio trabalho — ajudou a criar uma imagem que incomodou, provocou e confrontou, especialmente, quando se tratava de convenções sociais e religiosas. Clipes hiperssexualizados, exposição milimetricamente planejada, figurino pulsante e apresentações icônicas na MTV ajudaram a construir uma ideia de que não havia nada que Madonna não pudesse fazer. A sexualidade sempre foi uma questão. Nos anos 1990, a pensadora Camille Paglia dizia que Madonna ensinou uma geração a tomar controle da própria sexualidade, embora, mais recentemente, tenha criticado a cantora pela exposição contínua ao sugerir que desse lugar às mais novas.

“Ela (Madonna) começou como uma cantora provocativa, principalmente voltada à sexualidade, com temáticas sempre de duplo sentido, aos poucos vai trazendo alguns novos elementos. Ela sempre teve uma veia de contato com a comunidade LGBTQ+, assim como outras cantoras. Tem uma apresentação em que ela beijou Britney Spears e Christina Aguilera. Ninguém questiona a sexualidade dela, mas, ao mesmo tempo, chocou muito. Ela traz isso dentro da forma do trabalho dela. Mas, isso é importante assinalar, que outros cantores também fazem, até em outros gêneros. Você vende não só música, mas a ideia da pessoa, você vende notícia, produtos”, ainda aponta Ribeiro.

A necessidade constante de exposição também levou a cantora a alguns erros. Suas incursões no cinema não são nada memoráveis. Na cama com Madonna (Alek Keshishian), de 1991, quase não sai porque a cantora decidiu controlar cada centímetro de exposição (e não é pouco) e Dick Tracy é sofrível. Mas, como diretora e produtora, ela esteve à frente do interessante W.E.. A próxima experiência será Taking flight, na direção, e adaptação de The impossible lives of Greta Wells, da qual é produtora.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira




Números

13 álbuns lançados na carreira

9 turnês mundiais

Já esteve envolvida em 26 projetos de longas-metragens (desde atriz, produtora, diretora e roteirista). 
O último foi W.E., em 2011

Ao longo da carreira, Madonna já vendeu mais de 300 milhões de cópias físicas de álbuns.

É a artista solo (homem ou mulher) com maior número de sucessos Billboard 100 norte-americana.

A última turnê, Rebel heart, de 2015, faturou mais de R$ 640 milhões



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