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Correio Braziliense

Marcelo Nova canta músicas de trajetória de mais de 30 anos de carreira

Cantor faz show na Ceilândia nesta sexta


postado em 16/08/2018 07:30 / atualizado em 16/08/2018 13:39

Músicas da época do Camisa de Vênus fazem parte do repertório(foto: MPB Filmes/Divulgação)
Músicas da época do Camisa de Vênus fazem parte do repertório (foto: MPB Filmes/Divulgação)

Um dos nomes de destaque do rock nacional desde os anos 1980, o cantor e compositor Marcelo Nova desembarca na capital federal amanhã com o show da turnê Ninguém vai sair vivo daqui. A apresentação será em Ceilândia e contará com os principais sucessos da trajetória. “O repertório é um pouco de tudo que já fiz, as músicas dos anos 1980 da Camisa de Vênus, canções da minha carreira solo e faixas da parceria com Raul (Seixas). Não dá para resumir tudo em uma apresentação, então vou fazer uma espécie de retrospectiva”, adianta.

Sobre o retorno ao Distrito Federal, Marcelo Nova conta que é um local em que nem sempre teve oportunidade de se apresentar com tanta frequência. “Sou um artista que não frequento com muita intensidade. Então, as pessoas que gostam do meu trabalho, apreciam, sabem quem eu sou, o que faço e o que eu represento, normalmente e naturalmente me recebem bem”, completa.

Desde a criação da Camisa de Vênus até agora são mais de 30 anos de estrada. Os trabalhos mais recentes de Nova são os álbuns Dançando na lua, de 2016, gravado com a banda de rock, e 12 fêmeas, de 2013, do projeto solo. Por enquanto, ainda não existe uma expectativa de novos álbuns. “Nesse momento ,estamos na estrada. Estou fazendo shows o tempo todo. Quando tiver algo de novo para anunciar, o farei”, garante.

Raulzito

Além da trajetória na banda e no projeto solo, a carreira de Marcelo Nova ficou muito atrelada à parceria com Raul Seixas. Ao lado do maluco beleza, ele lançou o álbum A panela do diabo, em 1989. De acordo com Nova, o disco é o segundo mais vendido da carreira dele e o terceiro mais vendido da carreira de Seixas. Apesar de ter causado estranheza na época, hoje é visto como um clássico da música brasileira.

“Na época em que fizemos, éramos duas ovelhas desgarradas do rebanho pontuando. Teve um certo destaque, mas me lembro que uma parcela da crítica disse que era muito pra baixo, que era triste. (risos). Existe essa ideia muito difundida no Brasil de que a vida se resume à alegria e é uma falácia completa”, afirma.

Nova ainda continua e explica mais sobre o conceito do álbum: “Nós éramos dois adultos. Então o disco tem momentos de pura alegria e prazer e também de dor absoluta, porque a vida é assim. É um disco existencialista de cunho autobiográfico”. A panela do diabo tem canções como Carpinteiro do universo, Quando eu morri, Você roubou meu videocassete e Cãibra no pé.

SERVIÇO
Marcelo Nova
Quadradão 09/11, no Setor O (Ceilândia). Sexta (17/8), às 20h. Shows de Marcelo Nova, B-É de Melo e Banda Pé de Boi e Baratas de Chernobyl. Entrada a R$ 5 (com doação de 1kg de alimento não perecível). Produção MPB Filmes (contato para shows de Marcelo Nova 11 95027-6656). Não recomendado para menores de 18 anos.


Duas perguntas / Marcelo Nova


A sua carreira é bastante ligada à figura de Raul Seixas. Como se deu a relação de vocês?
Na verdade, nós éramos, primeiro, amigos e depois nos tornamos parceiros. Foi mais ou menos o processo inverso do que acontece na maioria das parcerias. Andamos juntos durante muito tempo, entre quatro e cinco anos, até fazermos a nossa música. Fizemos um álbum inteiro, A panela do diabo, que hoje é um clássico. Quase 30 anos depois é que as pessoas o veem como um clássico. É curioso ver como o tempo muda a percepção das pessoas em relação às coisas. É um disco maduro, não algo para ouvir num churrasquinho na laje.


O rock no Brasil morreu?
Eu ainda não morri. (risos). Veja bem, aquela orgia de clipes, cocaína e mordomia das gravadoras dos anos 1980 e 1990 acabou, desapareceu. O processo de investimento se concentrou muito mais no surgimento de novos artistas (de outros ritmos) do que manter toda aquela estrutura mega star que o rock tinha. De uma certa forma, é interessante ver o rock hoje, porque eu surgi nos anos 1980, quando o rock virou mania nacional. Hoje, acho interessante e curioso que ele tenha voltado a ser uma coisa dos porões. Ele está underground. Aqui no Brasil, evidentemente, não tivemos nenhum tipo de investimento por parte da indústria fonográfica em novas bandas. Então você não tem. Nos anos 1980, teve uma explosão de dezenas de bandas, na década seguinte, menor, mas teve também e, dos anos 2000 para cá, foi rareando. Essa comparação é injusta com a banda nova, porque ela não participou desse modismo. São expoentes que estão batalhando cada um por si.




Toca, Raul!

Parceiro de Marcelo Nova, o cantor Raul Seixas (foto) será celebrado na IV Passeata anual, que ocorre no domingo, das 13h às 22h, na Praça do Cebolão, no Setor Bancário Sul (próximo a estação do Metrô-DF). O artista será homenageado pelas atrações que são Baú Revirado, Cazela Rock in Roots, Ragga Seixas, Rauldinele, Paula Simone e os Cowboys Fora da Lei e Don Ticones e a Entidade. O tributo tem ainda participação especial de Vitoriano Roberto (RN). A entrada é franca. Classificação indicativa livre. 

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