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Correio Braziliense

Gustavo Bertoni, Darshan e Letícia Fialho estão com discos novos na praça

Safra de lançamentos da cena musical candanga tem materiais que vão do rock ao folk


postado em 21/08/2018 06:41

Independente, com apoio de recursos governamentais ou até mesmo por selos de grandes gravadoras. É assim, diversificada, a produção fonográfica de Brasília. Nas últimas semanas, três nomes da cidade lançaram trabalhos nas plataformas digitais. São eles, a banda de rock Darshan, a cantora Letícia Fialho e o cantor Gustavo Bertoni, conhecido por integrar o grupo Scalene. Veja a seguir um pouco do trabalho de cada um desses artistas.
 
(foto: Trovoa/Divulgação)
(foto: Trovoa/Divulgação)
 
 
Projeto solo
Há três anos, o cantor e compositor Gustavo Bertoni, vocalista da banda Scalene, se arriscou pela primeira vez em um projeto solo. No entanto, a intenção, naquela época, era apenas organizar as canções que estavam “pairando na cabeça dele” num álbum. “Não tinha realmente vontade de iniciar uma carreira solo. Eu componho quase todo dia, como um exercício e uma terapia mesmo. Estou sempre acumulando muitas ideias, que surgem de diferentes formas e que, naturalmente, não iriam para o repertório da Scalene”, conta.

Agora, a ideia é realmente se dedicar — paralelamente ao grupo de rock — a uma carreira solo, com o lançamento do disco Where lights pours in, na última sexta-feira. Composto por 10 faixas, o trabalho mostra um outro Gustavo Bertoni completamente diferente dos vocais da Scalene: com referências do folk, cantando em inglês e extremamente vulnerável. “É um lugar mental, um espaço criativo muito pessoal mesmo, onde posso fazer um processo de autoanálise e autocrítica. Nesse disco, rolou esse exercício de me permitir ser o mais aberto possível e encontrar firmeza e força na vulnerabilidade. Foi uma questão de conectar minhas primeiras referências musicais, muitas bandas que meus pais escutavam, dos anos 1960, com influências de hoje em dia”, explica.

O primeiro single do álbum revelado foi a faixa Be here now, que ganhou um videoclipe, que tem mais de 150 mil visualizações no YouTube. E, antes mesmo do lançamento do disco, Bertoni se apresentou no festival CoMA para o público brasiliense em show intimista no Planetário. “Foi uma experiência incrível. Foi muito gratificante e simbólico começar lá. Me senti confortável, foi mais minimalista e com menos instrumentos”, lembra.

Diferentemente do primeiro disco solo, Gustavo Bertoni não fez tudo sozinho. Ele contou com a parceria de Samyr Aissami, grande amigo e parceiro também na Scalene, que gravou a bateria e a percussão das músicas. Enquanto Gustavo ficou com a voz, violão, guitarra, baixo e teclados, sem contar a composição das letras. “Estou me percebendo com outras visões e com diferentes formas de satisfação. [...] Tenho orgulho do resultado e quero colocar essa carreira na estrada. Vai ser uma carreira paralela à Scalene”, completa.

(foto: Thaís Mallon/Divulgação)
(foto: Thaís Mallon/Divulgação)
 
 
Nova fase
No cenário brasiliense desde 2005, a banda de rock Darshan divulgou para download, em seu site oficial, o segundo disco da carreira. O álbum, que leva o nome do grupo, marca uma nova fase na trajetória do quarteto, formado por Oliver Alexandre (vocal e guitarra), Thuyan Santiago (guitarra e vocal), João Paulo Berger (baixo) e Arnoldo Ravizzini (bateria). “A gente quis trazer bem mais do que a gente é ao vivo. Temos uma sonoridade um pouco mais pesada e trabalhamos com improvisos e jams. Então, o disco tem esse ar um pouco mais tenso, mais pesado, que vem dos shows”, explica o vocalista Oliver.

Além de uma sonoridade mais pesada, o disco tem como característica um discurso mais politizado e contextualizado com a situação atual do país. Na faixa Doença, o grupo faz uma crítica ao número de homicídios que atingem os jovens negros no Brasil. “Algumas coisas (do dia a dia) influenciaram muito a gente. Esse processo acabou trazendo o tema, que foi um diferencial para gente. O disco gira muito em torno da busca da verdade, da busca interna para modificar o que é externo”, diz Oliver, que traz muito de sua realidade, como um vocalista negro de uma banda de rock e morador da periferia brasiliense.

Para conseguir fazer o segundo disco da carreira, a banda contou com verba do Fundo de Apoio à Cultura, o FAC. “Fomos selecionados e conseguimos a verba necessária para o CD e outras coisas, como clipes e shows de lançamentos. Mas foi tudo produzido pela gente”, explica o vocalista.

Quando foi lançado na web, o disco, que foi gravado no estúdio 123 Recording studio, teve um show de lançamento em Sobradinho, mas a ideia é fazer apresentações em outras regiões do DF, como o Plano Piloto e Taguatinga, local em que a banda sempre tem uma boa resposta.

 

(foto: Thaís Mallon/Divulgação)
(foto: Thaís Mallon/Divulgação)
 

 

Vivência marginal

Música afro, o blues e os movimentos da MPB são as inspirações para o segundo disco da carreira da cantora Letícia Fialho. Intitulado Maravilha marginal, o material tem participação de músicos locais, como Larissa Umaytá, Mariano Toniatti, Henrique Alvim, Paulo Black e Pedro Miranda, que atuaram como instrumentistas. “O Maravilha marginal é uma pesquisa que eu tenho feito há muito tempo. Tem muita influência da Tropicália, dos anos 1970, bastante guitarra elétrica… Além disso, tem toques do afrojazz, com muita percussão e trompete”, define.

A cantora também revelou que a criação do projeto sofreu influências de outras manifestações culturais. Ela integrou, durante anos, a equipe musical de diversos espetáculos teatrais, como Ninguém canta pra ninguém, Acordo, Mundaréu e Pentes. Essa característica faz parte da bagagem que inspirou a criação do disco Maravilha marginal e a montagem do show de lançamento, que ocorreu neste mês no Teatro Sesc Garagem.

No álbum, Letícia Fialho assina todas as 10 canções. “As letras são muito mais imagéticas. O primeiro disco era muito explicadinho. Maravilha marginal tem essa vivência de rua como um ambiente de todo mundo, que abriga vários momentos, e fala sempre do afeto”, conta a compositora. Em algumas delas, divide a autoria das letras com Luara Moreira (Corpo e canção e Vem/Fumaça), Tatiana Nascimento (Terrinha) e Tamara Maravilha (O miserê).

Colaborou Rebeca Borges, sob supervisão de Igor Silveira

(foto: Trovoa/Divulgação)
(foto: Trovoa/Divulgação)

Where light pours in
De Gustavo Bertoni. Slap/Som Livre, 10 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

(foto: Favorite Produções/Divulgação)
(foto: Favorite Produções/Divulgação)

Darshan
De Darshan. Independente, 10 faixas. Disponível para download no site http:// bandadarshan.com.br.
 
(foto: Maravilha Marginal/Reprodução)
(foto: Maravilha Marginal/Reprodução)
 
Maravilha marginal
De Letícia Fialho e Orquestra da Rua. Independente, 10 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

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