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Correio Braziliense

Roberto Corrêa estreia show sobre a história da viola

Violeiro vai colocar o pé na estrada depois de encerrar ciclo de pesquisa e docência


postado em 23/08/2018 07:30 / atualizado em 22/08/2018 18:30

João Antônio e Roberto Corrêa: parceria em espetáculo cênico-musical(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
João Antônio e Roberto Corrêa: parceria em espetáculo cênico-musical (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Quando Roberto Corrêa se aposentou, no início deste ano, montou uma aula-espetáculo de despedida e subiu ao palco da Escola de Música de Brasília (EMB), na qual ensinou por mais de 33 anos, para contar a história da viola. Tomou gosto pela brincadeira que mistura um pouco de interpretação cênica e muita música e, sob a direção de João Antônio, transformou a aula em show. O violeiro estreia amanhã, no Teatro da Caixa, com um repertório que inclui inéditas e um time de convidados muito respeitáveis.

No palco, Corrêa se transforma em violeiro em busca da perfeição. Tenta fazer pacto com o diabo, que nunca aparece, com uma cobra coral, com o que for para tirar do instrumento o melhor que as cordas podem oferecer. Lá pelas tantas, consegue. E nessa peleja, vai puxando a história da música caipira. Toca catira, lundu, “incelenças”, folia do Divino, canto de trabalho. Do repertório de inéditas, há parcerias com os irmãos Clodo e Climério Ferreira. E uma coleção de clássicos da viola caipira.

No palco, convidados como Badia Medeiros e o grupo de catira Irmãos Vieira ajudam a contar a história, além de Herik Souza, com quem Corrêa forma uma dupla caipira. “Eu gosto de arriscar. Mas arrisco sabendo onde vou pisar”, avisa o violeiro. “Sabia que o João (Antônio) ia conseguir resolver as limitações que eu tivesse nesse sentido. Ele é de Uberaba, da região de Campina Grande, ele conhece essa linguagem.”

A proposta de João Antônio era dar a ideia de fechamento de um ciclo. Corrêa se aposentou, encerrou a tese de doutorado e uma pesquisa de décadas e vai lançar um livro com o resultado. “A proposta era uma coisa nova e ele é um artista corajoso, então topou. Eu queria um espetáculo cênico e, como a primeira ideia era contar a história da viola no Brasil, optamos por criar um personagem que seria um violeiro”, conta João Antônio.

São 40 anos de viola e um arcabouço de conhecimento que vai desde o início da história da música caipira até os dias de hoje. “Por mais que seja uma história conhecida por muitas pessoas, sinto que muita gente, mesmo das regiões caipiras, desconhece esse Brasil. E é um Brasil que tem muitas coisas ancestrais, atávicas. Esse tipo de sabedoria vai se perdendo. E como sou violeiro e estou muito ligado aos anteriores a mim, fui aprendendo sobre esse homem, suas práticas, suas crenças”, reflete Corrêa.

Agora, com O violeiro, ele dá início a um novo ciclo, que inclui pé na estrada e muitos shows. A intenção é rodar o Brasil com o espetáculo. “Agora é só música”, garante o violeiro. “É só palco, só artista.” Antes, ele lança Viola caipira: Das práticas populares à escritura da arte, o livro que traz a pesquisa da tese de doutorado. “É um livro de história para quem se interessa por cultura popular e pelo universo da viola caipira. É um livro de história da música caipira”, adianta.


O Violeiro
Show de Roberto Corrêa. Direção: João Antônio. Amanhã e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, na Caixa Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4 – Edifício anexo à Matriz da Caixa). Ingressos: R$ 30,00 e 15,00 (meia)
 
 
 
 
 




 

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