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Correio Braziliense

Musical de Fause Haten aborda violência, abuso e discriminação

'Lili Marlene' está em cartaz no Cena Contemporânea


postado em 23/08/2018 07:30 / atualizado em 23/08/2018 09:28

"Lili Marlene" leva drama ao estilo musical, geralmente associado a temas alegres (foto: Objeto Sim/Divulgação)

 

Se sua expectativa ao comprar ingresso para um musical no teatro é a de assistir a um espetáculo alegre, colorido, pra cima e no qual as falas são todas cantadas, Lili Marlene — Um musical chegou para redefinir seus conceitos. Talvez por isso, o criador e ator da peça Fause Haten classifique como um “antimusical” a performance que estará em cartaz a partir de hoje no Cena Contemporânea.

“Eu brinco com o formato americano de musical, aquele que tem a felicidade exacerbada e no qual a palavra não é suficiente para expressar o texto e daí vem o canto. O nosso musical é baseado em temas difíceis (abuso sexual, aceitação, violência) e usa o formato para falar de drama”, explica Fause.

Neto de Marlene, uma grande atriz da Hollywood dos anos 1930, Lili sofre desde a infância. Na verdade, o sofrimento começa com o pai dele, abandonado por Marlene em Berlim e abusado sexualmente pela babá. O reflexo disso aparece na violência do pai contra Lili, que leva a primeira de várias surras aos 3 anos de idade. Aos 16, ele foge para Paris e começa a imitar a avó em casas nortunas até que empresários começam a tentar forçá-lo a mudar o corpo dele.

“Lili passa a vida toda tentando entender o feminino no corpo dele. Ele vê as propostas dos empresários como uma violência e não topa mudar o corpo”, conta Fause.

A tragédia continua a acompanhar a vida de Lili Marlene, que vai para um seminário nos EUA em busca de se entender e se aceitar. Até que ele engravida uma adolescente e se envolve num doloroso e misterioso crescente de dramas. “Lili vive na esperança de que alguém olhe para ele e perceba que ele tem tempo  de mudar e de ser feliz”, afirma Fause, que compôs as letras do espetáculo, musicadas pelo maestro André Cortada. “A música ajuda as histórias a penetrar nas pessoas”, completa o performer.

O texto de Lili Marlene — O musical é um apanhado de  histórias reais que foram chegando a Fause de diversas formas e foram fruto de mais de um ano de pesquisas. “Eu quis contar esses casos de abuso em primeira pessoa porque acho libertador para quem ouve. A gente sofre abuso em diversos níveis o tempo todo. A gente deixa de fazer coisas porque uma voz interna nos detém”, reflete Fause.



Lili Marlene — Um musical
Espetáculo de Fause Haten. Músicas de Fause Haten e André Cortada. De hoje a sábado, às 21h, no Sesc Garagem (913 Sul). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Assinantes do Correio pagam meia. Não recomendado para menores de 14 anos.
 

 

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