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Correio Braziliense

Peça 'Domínio público' debate diferentes interpretações da mesma imagem

Montagem é uma criação de quatro artistas envolvidos em polêmica no ano passado


postado em 25/08/2018 07:00 / atualizado em 25/08/2018 09:45

Domínio público propõe diferentes visões sobre a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci(foto: Humberto Araújo/Divulgação)
Domínio público propõe diferentes visões sobre a Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci (foto: Humberto Araújo/Divulgação)


As histórias dos artistas brasileiros Elisabete Finger, Wagner Schwartz, Maikon K e Renata Carvalho se encontraram no ano passado e, de novo, neste ano, desta vez, no espetáculo Domínio público, que será encenado neste sábado (25/8) no Auditório 1 do Museu Nacional da República.

Os quatro foram centro de polêmicas sobre liberdade de expressão e os limites da arte. Na edição do ano passado do Cena Contemporânea, Maikon K foi impedido de fazer a performance DNA do DAN em frente ao Museu Nacional da República. Ele foi acusado de ato obsceno, teve o cenário, uma bolha ao qual ficava dentro, danificado, e virou caso de polícia.

Renata Carvalho, que também esteve em Brasília em 2017, viu a dificuldade em conseguir rodar o Brasil com o espetáculo O evangelho segundo Jesus, rainha do céu. A peça foi impedida algumas vezes de ser apresentada por trazer Jesus na pele de uma pessoa trans.

Já Wagner Schwartz e Elisabete Finger protagonizaram uma polêmica juntos durante a performance La Betê, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Nu, Schwartz interagiu com a filha de Elisabete. A situação viralizou na internet como um ato de pedofilia e gerou uma avalanche de acusações contra os dois. Os quatro casos tomaram conta do noticiário e levantaram discussões até entre os atores.

“A mobilização gerada em torno desses trabalhos, seja no ataque, seja na defesa das obras e dos artistas, revela muitas coisas. Quando uma performance gera tamanho constrangimento fica evidente o potencial da arte em falar e fazer falar a sociedade sobre seus medos e contradições”, analisa o coletivo formado pelos quatro, que decidiu responder as perguntas em conjunto, já que todos ficaram responsáveis pela criação, pelo texto e pela performance do espetáculo Domínio público.

Debate no palco

A peça surgiu após um convite de Márcio Abreu e Guilherme Weber, curadores do Festival de Curitiba, e foi encenada pela primeira vez em março deste ano em duas apresentações para um espetáculo com capacidade para 700 pessoas. “Foi um convite muito aberto. Foi um espaço para pensar e agir a partir das situações de censura e dos julgamentos apressados e cheios de preconceitos que envolveram os nossos trabalhos no ano passado”, revela o quarteto.

Em Domínio público, os artistas decidiram ir além das polêmicas em que foram envolvidos e explicam: “o que mais poderíamos falar além de tudo aquilo que já tinha sido dito? E como fazer dessa obra algo mais vivo e mais complexo do que este contexto superficial de polêmicas?”.

A partir deste questionamento, os atores chegaram a um espetáculo formado por quatro monólogos em que cada um deles contam diferentes versões sobre a emblemática Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Na peça, projetam diferentes discursos, incluindo verdades e especulações, revelando dinâmicas de poder do mercado da arte, da economia, da política, da vida pública e privada.

Após a passagem no Cena Contemporânea, Elisabete, Maikon K, Renata e Wagner devem entrar em cartaz passando por cidades como Salvador, Goiânia e Uberlândia. “Valorizamos muito o posicionamento do Cena Contemporânea em trazer à luz esse assunto em vez de jogá-lo para debaixo do tapete, pois isso não afeta apenas alguns poucos artistas, mas a sociedade como um todo”, reflete o grupo.

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