Publicidade

Correio Braziliense

Românticos: Dionne Warwick e Fábio Jr. fazem shows neste fim de semana

Programação do Ulysses Guimarães conta com os cantores neste sábado (25/8) e domingo (26/8)


postado em 25/08/2018 07:33

Dionne Warwick cantará clássicos como I say a little prayer(foto: Gilbert Bellamy/Reuters)
Dionne Warwick cantará clássicos como I say a little prayer (foto: Gilbert Bellamy/Reuters)


O flerte de Dionne Warwick parte em várias direções. Nascida no gospel, aquele caldo que rendeu o melhor da música norte-americana, é popular de um jeito que toca no jazz, na balada romântica quase cafona dos arranjos com orquestra, no pop e na tradição. É com essa bagagem, a mesma que carrega o hit I say a little prayer (escrito para ela, mas popularizado por Aretha Franklin), que ela desembarca hoje em Brasília para show que celebra 50 anos de carreira.

Durante essas cinco décadas, Dionne gravou 48 discos, incluindo Aquarela do Brasil, um registro de 1994 no qual canta um meddley de Tom Jobim, Piano na Mangueira e Feels so good, o mais recente, uma compilação de duetos com gente da cena pop, incluindo Mya, Ne-Yo, Ziggy Marley e Jamie Foxx.

Com este último, Dionne ficou bastante surpresa. Cada um escolheu a música que queria gravar e, mais que, eventualmente, ensinar algo à turma jovem, a cantora descobriu que alguns conheciam bem seu repertório. “Não sei se posso ensinar algo a eles, mas achei maravilhoso que quisessem gravar comigo. Eles decidiram a música que queriam gravar e isso foi muito legal, porque aconteceram coisas como com o encontro com Ne-Yo” conta.

O cantor escolheu A house is not a home, balada romântica escrita por Burt Bacharach e Hal David, uma das duplas mais produtivas da música popular norte-americana, e gravada em 1964 por Dionne. “Eu nem sabia que ele sabia que eu tinha gravado essa música. Esse é o tipo de coisa que faz com que eu me sinta muito bem. E tenho certeza de que isso também faz quem trabalha comigo se sentir bem”, garante.

Com a música brasileira, ela já estabeleceu uma intimidade cultivada em gravações com Jorge Ben Jor e Ivan lins, em vários shows no Brasil e, mais recentemente, em uma declaração de que vai curtir a aposentadoria na Bahia. “Eu amo o Brasil. E acho que o Brasil me acolheu. É um lugar no qual me sinto muito confortável, eu amo o país, amo as pessoas, amo a música, então por que não? Mas antes tenho que conquistar a língua de vocês. Eu realmente preciso aprender a língua para me comunicar confortavelmente” avisa. Aulas, ela já faz há algum tempo. Arriscou, inclusive, alguns versos em Aquarela do Brasil. Seu Piano na mangueira é bastante respeitável.

Sobre o repertório de sábado (25/8) à noite, Dionne organizou uma lista que inclui alguns de seus maiores sucessos, I say a little prayer e I’ll never fall in love again. Vale lembrar que boa parte deles foi escrita por Burt Bacharach, pianista e compositor cuja parceria com o letrista David Hal rendeu alguns dos maiores clássicos do cancioneiro americano. Dos tempos dessa parceria, Dionne guarda seus maiores hits. Do porte de Barcharach, cujas músicas foram gravadas por mais de mil artistas ao longo dos 60 anos de composição, ela não vê muitos.

“Até há alguns, mas não são reconhecidos”, diz. E sobre a música contemporânea, ela é categórica: “Não somente para mim, mas para o público de forma geral, o fato é que não há realmente mais melodias verdadeiras e algumas palavras ditas nessas gravações de hoje não são exatamente as que meus ouvidos gostariam de ouvir”.

Para muitos desses hits, cantados há cinco décadas, ela procura dar nova roupagem. “Todas essas músicas são muito bonitas em suas versões originais mas, às vezes, é preciso ter uma abordagem mais fresca e eu acho muito fácil fazer isso”, conta. “São músicas atemporais, as pessoas gostam de ouvir, elas precisam ouvir, elas se sentem bem e sorriem quando ouvem e é muito bom ser associada ao sorriso das pessoas.”

Fábio Júnior retorna a Brasília neste domingo (26/8), em apresentação especial no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, às 19h. O cantor traz a turnê 40 anos de carreira com sucessos que atravessaram gerações, como Só você, Alma gêmea, Caça e caçador e Felicidade. A preocupação com o público fiel, que o acompanha há tanto tempo, está presente desde o começo: as músicas que compõem o repertório foram escolhidas por enquetes nas redes sociais do cantor.

Fábio Jr. pediu que fãs votassem em enquete para escolher o repertório (foto: Camila Maia/Divulgação)
Fábio Jr. pediu que fãs votassem em enquete para escolher o repertório (foto: Camila Maia/Divulgação)


Nesses 40 anos, Fábio Jr. fez de tudo. Nos anos 1970, era conhecido por Mark Davis e só cantava em inglês. Outros cantores brasileiros da época faziam o mesmo, como Chrystian, da dupla sertaneja Chrystian & Ralf. Ele também se aventurou em músicas em espanhol e conquistou o Antorcha de Plata, no Chile. Colaborou com a estrela Bonnie Tyler na faixa Sem tempo para sonhar. Depois, ele trabalhou como ator em novelas como Nina (1977) e em filmes, como Bye Bye Brasil (1980).

Foi apresentador do programa Hallellujah! (1975), da TV Tupi,  e virou trilha sonora registrada das mais diversas novelas. É impossível não citar a homônima de seu grande sucesso, Alma gêmea (2005).

Mesmo com toda a bagagem nas costas e os anos de estrada, o veterano admite: “A cada show, cada lançamento de música, tenho a sensação de estar começando, me dá aquele frio na barriga, sabe?”. Hoje, ele acumula quase 30 discos gravados, além de DVD’s e coletâneas. O estilo romântico que fez com que ele se tornasse um dos maiores artistas do gênero no país nunca o abandonou. “Fizemos novos arranjos para algumas canções, dar uma ‘modernizada’, mas a essência é a mesma.”, ele reconhece.

A cenografia é um dos destaques do espetáculo comemorativo. Com cortinas simples e sofisticadas, a estrutura assegura que a beleza do show seja mantida, independentemente do tamanho do palco. A luz complementa o produto de um resultado visual completo e atraente. Fábio afirma que o show agradará a diferentes públicos: “Tem momentos para todos os gostos, tem momento romântico, tem momento mais pra cima, tem momento acústico…”

Com filhos que seguiram o ramo musical, Fabio Jr. acredita que a música brasileira está em boas mãos. Quando perguntado sobre novos nomes, destaca com muito bom humor os cantores Luan Santana e Tiago Iorc, sem esquecer toda uma geração que tem feito muito sucesso. “Tem muita gente de talento aí”, ele admite.

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade