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Correio Braziliense

Cena do jazz brasiliense é renovada pela presença de novos artistas

A cena do estilo e de outros gêneros similares tem alcançado destaque em Brasília, com a participação dos jovens


postado em 26/08/2018 07:00 / atualizado em 27/08/2018 08:50

O evento Buraco do Jazz acontece semanalmente, toda quinta-feira(foto: Arquivo Pessoal)
O evento Buraco do Jazz acontece semanalmente, toda quinta-feira (foto: Arquivo Pessoal)


A chama da música instrumental em Brasília está cada vez mais acesa — principalmente quando o assunto é jazz. O gênero musical está conquistando grande espaço na capital: somente no mês de agosto, o DF recebeu eventos como Cerrado Jazz Festival, Festival BB Seguridade de Blues e Jazz e Bebendo Blues, Comendo Jazz.

Entretanto, a efervescência desse segmento na cidade é algo recente. De acordo com o saxofonista e professor da Escola de Música de Brasília Raildo Ratho, o jazz viveu períodos de pouco destaque na capital. “Na década de 1980, a cena do jazz em Brasília era até forte. Porém, ao longo do tempo, com as mudanças políticas e implementações, — como a Lei do Silêncio, por exemplo — essa manifestação passou um tempo parada”, afirma.

O professor explica que a volta do jazz como um gênero notável ocorreu há cerca de cinco anos, com a modernização dos espaços de formação musical em Brasília. “Hoje, temos uma cadeira popular na Escola de Música. Os alunos estão estudando mais e têm um aparato maior para conhecer esse gênero”, conta Raildo.

A cara do novo movimento do jazz é jovem: Raildo conta que músicos das novas gerações estão ganhando visibilidade nesse cenário. “Estamos cheios de novos talentos, é uma galera jovem que está levando essa bandeira do jazz”, afirma.

Buraco de novidades


Desde 2016, o evento Buraco do Jazz é conhecido por ser berço de novos talentos e palco de artistas consagrados no gênero musical. O projeto teve diversos endereços: começou na 214 Sul e passou pela Funarte. Atualmente, a iniciativa ocorre no Parque da Cidade, às quintas-feiras, e traz nomes locais e nacionais do jazz e de outras vertentes da música instrumental para o público brasiliense.

“Aqui em Brasília existe uma qualidade muito alta para a música instrumental”, afirma Gustavo Frade, idealizador do evento. Ele enfatiza que com o crescimento e a popularização do evento, as bandas passaram a procurá-lo para tocar no espaço. “A gente acabou ficando conhecido e agora as bandas vêm me procurar. Temos que inovar mesmo”, aponta Gustavo.

Nesta quinta-feira, o evento viveu a 110ª edição. “Já passaram mais de 75 bandas diferentes pelo nosso palco. Existem muitas bandas nascendo para esse segmento”, lembra o organizador.

O grupo Capivara Brass Band é novo no cenário brasiliense(foto: Jacqueline Lisboa/Divulgacao)
O grupo Capivara Brass Band é novo no cenário brasiliense (foto: Jacqueline Lisboa/Divulgacao)


Grupos de sucesso

O grupo Capivara Brass Band surgiu no fim de 2017. Apesar do pouco tempo na estrada, a banda conquistou espaço na capital, participando de eventos como Cerrado Jazz Festival, Festival Pic Nik, Fábricas de Bandas e da festa Makossa.  Os garotos misturam gêneros como jazz, soul, funk, R&B e música afro-brasileira.

Os oito membros do grupo Funqquestra definem o trabalho como “música pro corpo, mente e alma”. Desde 2012, a banda atua na cidade, misturando jazz, funk, pop e música brasileira nos projetos, e é conhecida por produzir um som alegre.  Em março deste ano, o grupo lançou o EP Venturo - Vol.1 (Ao vivo), segundo disco da carreira. O trabalho tem quatro músicas inéditas e assimila influências da cultura pop.

Há três anos, o grupo brasiliense Gypsy Jazz Club atua na capital. A banda apresenta o gênero gypsy jazz, conhecido também como jazz manouche, caracterizado pelo instrumento violão gypsy. Os instrumentistas transformam músicas de diversos estilos no formato manouche. 
 

Duas perguntas // Son Andrade, baterista da Capivara Brass Band, e Higo Melo, produtor musical do grupo


De onde vieram as inspirações para essa mescla de estilos?

Son Andrade: As influências aconteceram naturalmente. Somos seis músicos na banda e cada um vem de influências diferentes, tanto de origens regionais, familiares, religiosas, quanto regiões diferentes periféricas do Distrito Federal, até chegar ao centro. Todo mundo é músico de profissão, uns dão aula de música e tocam na noite, outros vivem de shows e gravações, um é músico do Corpo de Bombeiros… Isso tudo influencia a banda. Uns da música erudita, outros de música popular, cada um tem uma bagagem e suas inspirações que, como um quebra-cabeças, se encaixam na banda.


Como vocês veem a cena do jazz e da música instrumental em Brasília nos dias de hoje?


Son Andrade: Apesar da lei do silêncio, que atrapalha muito a cena musical de Brasília, achamos que a cena do jazz e da música instrumental tem crescido, com os festivais e ocupações urbanas feitas por artistas na cidade. É muito da hora ver festivais como Cerrado Jazz, República Blues, o próprio Honk, que é internacional e ativista, onde o foco é música instrumental para cidade trazendo músicos de fora e misturando com artistas locais.


Higo Melo: Além disso somos uma banda independente, cujo intuito se tornou popularizar a música instrumental, de forma gratuita e em espaços onde ela não chega. Tocamos nas ruas, feiras, estações, onde o povo estiver. A mistura com o pop também quebra barreiras e atrai o público que não gosta da parte mais erudita, e sai todo mundo satisfeito. 


 
*Estagiária sob supervisão de subeditor Severino Francisco
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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