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Correio Braziliense

Paulinho da Viola se apresenta com a filha na Noite Cultural T-Bone

Ao retornar a Brasília nesta quinta-feira (30/8), Paulinho vai dividir a cena com a filha e cantora Beatriz Rabello


postado em 28/08/2018 06:33 / atualizado em 28/08/2018 08:58

Paulinho da Viola e a filha Beatriz Rabello apresentam um dos três shows que o cantor têm na estrada atualmente(foto: Pedro Rabello/Divulgação)
Paulinho da Viola e a filha Beatriz Rabello apresentam um dos três shows que o cantor têm na estrada atualmente (foto: Pedro Rabello/Divulgação)
Paulinho da Viola sempre teve companhia de familiares no palco. Por muitos anos, o pai e violonista Cesar Faria foi um dos integrantes da banda do cantor e compositor carioca. Com a morte do patriarca, — um dos fundadores do grupo Época de Ouro — há 11 anos, quem assumiu o posto foi o neto João Rabello.

Na quinta-feira (30/8), ao retornar a Brasília, para se apresentar no projeto Noite Cultural T-Bone, às 21h, Paulinho vai dividir a cena com a filha e cantora Beatriz Rabello. No show, com início às 21h, cada um faz números solos. Em outros momentos, juntam as vozes, deixando claro a interação existente entre eles.

Além da relação de pai e filha, os une ainda mais o amor ao samba e ao carnaval. Nesse show, enquanto Paulinho passeia por um repertório formado por clássicos de sua obra e de compositores ligados à Portela; Beatriz mostra músicas do Bloco do amor, o disco de estreia, de produção independente, lançado há dois anos.

Desde a turnê com Marisa Monte, no segundo semestre de 2017 — com passagem por Brasília em 20 de outubro — Paulinho vem mantendo agenda cheia de compromissos. Atualmente, ele tem feito três shows diferentes. Um solo, bastante solicitado, outro com a Velha Guarda da Portela; e este, ao lado da filha, que o brasiliense vai poder apreciar, gratuitamente, na 312 Norte.

Cantora e atriz, Beatriz tem em seu currículo a participação em musicais como Sassaricando (sobre marchinhas carnavalescas), É com esse que eu vou, que focaliza sambas feitos para o carnaval, nos quais atuou ao lado Soraya Ravenle, Eduardo Dusek, Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta, entre outros. Ela fez também Sambra, espetáculo sobre a história do samba, que tinha Diogo Nogueira no elenco. Todos estiveram em cartaz em Brasília.

Bloco do amor

“Outro espetáculo de que tomei parte foi o Divina Elizeth, em homenagem a Elizeth Cardoso, apresentado apenas no Rio. Tenho feito também shows em casas noturnas da Lapa. Há dois anos, gravei o Bloco do amor, que é o meu primeiro disco, com sambas que remetem ao universo do carnaval, manifestação artística com a qual tenho profunda ligação”, conta a cantora.

Em Bloco do amor, Beatriz gravou sambas de nomes consagrados como Sonho de carnaval (Chico Buarque), Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) e Enredo do meu samba (Dona Ivone Lara e Jorge Aragão). Entre as 13 faixas há músicas de compositores da nova geração, entre eles João Callado e Moyseis Marques (Onde for o nosso amor), André da Mata (Desistir jamais) e Douglas Germano (Mourão que não cai).

Do pai, ela incluiu no repertório Nós, os foliões, Só o tempo e a música que dá nome ao trabalho. “Durante o período de gravações, busquei orientação e sugestões de meu pai, até conhecimento absurdo que ele tem desse processo. Mas preferi não o incomodei, pedindo que compusesse uma música inédita”, conta.

Para a surpresa e a alegria da filha, quando o disco já estava praticamente pronto, Paulinho lhe mostrou Bloco do amor, que acabara de compor. “Como ele acompanhou todo o processo de gravação, sabia qual era o conceito do disco e traduziu isso, de forma poética, na letra de Bloco do amor, que fala, da relação afetiva, dos encontros e desencontros, tendo o carnaval como pano de fundo. Era tudo o que eu queria dizer”, afirma. Num dos versos ela canta: “Pierrô, por favor, não deixe de brincar/ Pois há muita colombina por aí/ Sonhando e procurando um par”.

Lançado no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, o álbum rendeu outros shows. Recentemente, Beatriz se apresentou em Salvador e Maceió, com a participação de Paulinho da Viola, com quem estará em Brasília. Eles têm o acompanhamento de Fernando Brand (violão e direção musical), Rogério Souza (violão 7 cordas), João Faria (baixo), Flávio Santos (bateria), Daniel Karin e Felipe Tauil (percussão), Dudu Oliveira e Whatson Cardoso (sopros).


Outras atividades
Às 19h, abertura do evento, idealizado por Luis Amorim, com apresentação do mímico Miquéias Paz, recital de poesia de Jorge Amâncio, Noélia Ribeiro, Ana Barros; e show do cantor Helder Nascimento, acompanhado por Toninho Maia (violão), Tico Laurindo (contrabaixo) e Enos Marcolino (acordeon).

Entrevista com Paulinho da Viola


Além do show com Beatriz, o que faz no momento?
Atualmente, tenho feito três shows diferentes. Um, com as músicas marcantes em minha carreira, que apresentei para uma multidão, em 20 de julho, na Praia de São Francisco, em Niterói. Um outro com a Velha Gurda da Portela, dirigido pelo Elifas Andreato, para o qual fiz o texto de apresentação, que reuniu 5 mil pessoas no Espaço das Américas, em São Paulo. E tem este na companhia da Beatriz, já levado a outras capitais, que vamos apresentar em Brasília.

O show com a Velha Guarda da Portela vai ganhar um registro audiovisual?
Isso foi até imaginado, mas não tem nada de concreto, por enquanto. Fizemos este show também na quadra da Portela, em Madureira, com Monarco, Surica e outros integrantes da Velha Guarda para comemorar os 95 anos da nossa escola, sob o título A noite veste azul. O show com a Marisa (Monte) foi apresentado também lá. Os dois foram organizados pela Cecília, uma outra filha minha, com renda revertida para a Portela.

Tem algum projeto em vista para este ano?
Vou voltar ao Vivo Rio (casa de espetáculos no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro), com outro repertório; e estou conversando com a Sony Music, para acertarmos a gravação de um disco de músicas inéditas, a ser lançado em 2019. Está mais do que na hora, pois meu último álbum de inéditas, o Beba do samba, tem mais de 20 anos.

Esta é a primeira vez que Beatriz trabalha com você?
Anteriormente, ela havia participado do Acústico MTV, lançado em 2007. Quando foi lançar o Bloco do amor, seu primeiro disco, no qual gravou músicas minhas, foi a minha vez de estar ao lado dela nos shows. Além da relação familiar, acompanho de perto a trajetória artística dela.

Qual sua avaliação da situação do país às vésperas das eleições? 
Acho que o Brasil vive um momento confuso em diferentes áreas, principalmente na político-econômica. Como artista e cidadão, tenho dado a minha contribuição para que não haja um retrocesso no processo democrático, para que não voltemos a um período que foi terrível para os brasileiros. Espero que os eleitores possam fazer uma reflexão, na hora de suas escolhas. Até porque o inimigo ainda está por aí.

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